É bom ver a moda de rua voltando a se manifestar pelo mundo, e o look dos fashion insiders novamente figurando como influência. Não apenas por que eles sugerem informações direcionais para o estilo global, mas também porque esboçam alguns primeiros sinais de retomada à normalidade.
E foi da Dinamarca que tivemos a primeira amostra de estilo e comportamento, ligando diretamente o senso coletivo de moda ao sentimento atual gerado pela pandemia. Enquanto Paris, Londres, Nova Iorque e Milão apresentaram suas coleções de Verão 2021 (equivalente ao Verão 2022 brasileiro) em formato integralmente digital, o Copenhagen Fashion Week seguiu um formato híbrido mesclando desfiles presenciais e platéia online.
Com isso, mesmo sem aquelas concentrações típicas das semanas de moda, o evento dinamarquês proporcionou alguns daqueles “flagras” de produções apressadas, atuais e, sobretudo, renovadoras para o cenário fashion.
Uma das peças mais vestidas foi o jeans com modelagem pantalona. Em denim leve e de tons claros, o fit apareceu combinado ao top com maxi-amarração. Ambas as sugestões, podem ser julgadas direcionais não apenas porque apareceram nas ruas mas também porque foram mencionadas nos desfiles. Com a dupla, temos a retomada da barriga à mostra nas produções.
O formato pantalona foi também a silhueta destaque do combo em denim. O conjunto de duas peças na mesma lavagem, novamente mencionou a barriga à mostra e optou por uma fisionomia limite entre a estética do pijama e a formalidade da alfaiataria. Um equilíbrio tão preciso, que permitiu a combinação do casaco com gola esporte junto ao top estilo lingerie básica.
O combo também assumiu a versão moletom estilo basquete. Mas, desta vez, ao invés do tênis a produção “calçou” sapatilha de bico fino. E não há como discordar do apelo funcional de uma proposta como esta, capaz de variar do esporte ao “fino trato social”.
O desejo de comunicar a personalidade de forma direta e sem rodeios no look também foi uma conduta iminente. Especialmente na lógica das estampas localizadas e manuais. Nessa linha, as escolhas de moda sugeriram desde capas de revistas, para quebrar o discurso sério da camisa de colarinho, até rostos de emojis para converter a bolsa de madame em acessório criativo.
Além disso, as pessoas estão misturando padrões incompatíveis sem qualquer pudor na composição. Como exemplo, temos o visual estampado da cabeça aos pés formado pelos temas cartoon na parte superior e budista na parte inferior do look. Propostas que são tão aleatórias quanto as janelas da internet, mas que juntas tem a capacidade de se unificar.
Impossível não notar a leitura glamorosa conferida ao volume acentuado da manga camponesa, outra tendência enfatizada pelas produções. O shape com apelo fashionista, apareceu quase sempre combinado a um item muito básico como a calça jeans ou saia secretária black. A mesma lógica se aplicou aos tricôs, que estão cada vez mais trendy, e aparecem sempre combinados ao jeans com look familiar estilo peça de segunda mão.
O frescor e a leveza de alguns tecidos e volumes, por vezes, lembrou o visual acolhedor de um lençol de algodão. Como exemplo, temos a blusa ombro a ombro coordenada à amplitude da pantalona branca.
O Copenhagen Fashion Week foi uma das primeiras Semanas de Moda a levar a ideia de sustentabilidade a sério. Quando os eventos eram presenciais as garrafas de plástico eram proibidas, e antes de toda essa pandemia o evento já havia estabelecido exigências eco-friendly a ser cumpridas pelos estilistas até o ano de 2023. Entre essas exigências, o uso de uma cenografia com desperdício zero, adoção de embalagens sustentáveis e uma quota mínima de 50% de tecidos orgânicos e certificados nas coleções.
Fonte: Vivian David | Fotos: Reprodução
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