Tendência upcycle ganha adaptações nas passarelas para atingir mais públicos

O upcycle pode trazer muitas soluções para a indústria, e felizmente está indo além das produções com pegada street e se ampliando como escolha de moda para os consumidores que buscam até mesmo looks minimalistas. A tendência, também pode trazer muitas soluções para a indústria: dar destino a estoques parados, aproveitar com maior eficiência retalhos, e dar o ponto de partida para o ingresso do setor na cadeia de moda circular. Todos, caminhos que são especialmente oportunos para o contexto atual.

Lutz Huelle

As passarelas tem mostrado que a aparência de roupa recuperada no visual do denim vai muito além daquela peça com excesso de informações. Atualmente também inclui modelos limpos, com junções inteligentes, e completamente transformadoras que culminam em um resultado final elegante e atemporal. Sendo assim, o upcycle começa a ser colocado como desejo para públicos cada vez mais amplos.

Nas coleções de Verão 2021 internacional (equivalente a 2022 brasileiro), grifes como MM6 Maison Martin Margiela e Lutz Huelle abordaram precisamente esse conceito. Bainhas cut-off e quebras de tonalidade foram explorados com economia, em casacos e saias longas que seguiram a linha do minimalismo. E não há dúvida de que o consumidor alvo da coleção, está bem mais próximo do clássico a atemporal.

Além do visual “clean”, a ideia de roupa recuperada também conseguiu atingir o público romântico, em Philosophy di Lorenzo. Na coleção, diversos modelos de jeans com fits retrô foram repaginados por pinceladas expressionistas rente ao cós da calça. O efeito, sem dúvida lembrou muito mais um bordado rico e elaborado, do que uma peça retrabalhada com excesso de informações. O resultado final foram produções delicadas e ricamente adornadas.

O upcycle também tem servido de inspiração para o design de peças novas com jeitão essencial. Foi o caso do visual do jeans com ajuste de “moulage” improvisado apresentado na Y-Project. A marca propôs modelos de calças com o cós moldado em diferentes formatos, lembrando uma modelagem feita no próprio corpo. Apesar da construção rebuscada, a ideia final seguiu a linha da produção corriqueira e sem esforço. Uma atualização inteligente para os amantes da moda essencial.

Mugler foi ainda mais longe, e interpretou peças novas com lógica de upcycle inspirado na linha fitness dos anos 80. Na coleção, o jeans foi reduzido ao desenho do biquini asa delta e combinado à calça estilo legging. Se repararmos com atenção, muitos modelos de jeans – calça ou short – de cintura alta que estão por aí estão aptos a passar por uma transformação semelhante. Embora talvez, a consumidora de moda não se sinta totalmente pronta para vestir tamanha ousadia.

A linguagem do upcycle excessivo contando a história de uma roupa que de fato, passou por uma ou mais transformações, não foi esquecida. Marni e Heron Preston foram alguns nomes que fizeram questão de expor a linguagem das ruas tanto no trabalho manual das peças quanto no conceito com que a coleção foi apresentada.

Apesar das dificuldades atuais, “ventos” sopram a favor do visual upcycle, que cada vez mais se mostra adaptável a públicos de gerações e preferências distintas.

Ainda que a produção em larga escala dificulte um pouco a adoção da prática em grandes tiragens, as passarelas tem mostrado diversas inspirações que podem encurtar o caminho para a inclusão do upcycle no setor denim, com uma lógica muito mais definitiva do que a de uma mera tendência de improviso. Até porque, de todos os materiais do vestuário, é ele que está mais apto a passar por transformações e trilhar o caminho da moda circular.

Fonte: Vivian David | Fotos: Reprodução

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