Entenda como a Kingpins 24 vai mudar a etiqueta do seu jeans

A semana em que foi comemorado o Dia Mundial da Terra não poderia ter sido mais oportuna para coincidir com a data do evento digital mais influente para o jeans que você vai vestir no futuro: a Kingpins 24. Você pode não saber, mas os fabricantes do tecido que protagoniza o item de moda que salva o seu look quase todo o dia, o denim, tem definido as composições dos seus lançamentos, baseados na capacidade de impactar o mínimo possível o ar, o meio ambiente e a água.

Cone e Jeanologia

De acordo com o evento, que aconteceu entre os dias 20 e 22 de abril e antecipou as tendências da temporada de Inverno 2022 internacional (2023 brasileiro), a principal mudança do jeans que você vai vestir no futuro vai estar na etiqueta de composição. O algodão como protagonista, talvez não seja mais o único padrão. Enquanto alguns vão manter o material, atualizando-o para uma procedência 100% reaproveitada; outros poderão ter o Cânhamo como ingrediente principal.

Além disso, nem todo elastano será uma barreira para a economia circular: os fabricantes de fibras elásticas já estão alcançando metas que incluem variedades de strech 100% recicladas. Seu jeans do futuro, poderá ser o grande “influencer” que irá forçar os demais materiais que dão vida às suas roupas, a buscarem soluções mais sustentáveis para continuarem competitivas.

Automação, cânhamo e circularidade foram os três tópicos chave que se destacaram no evento, antecipando esses futuros cenários. Cada vez mais, a Kingpins 24 tem sido fiel ao mesmo objetivo da feira física Kingpins, que é o de proporcionar às companhias que compõem a cadeia do denim a oportunidade de apresentar suas mais recentes tecnologias e soluções para reduzir o impacto da indústria no meio ambiente.

E a área que mostrou uma curadoria mais engajada com esse propósito, foi a SPIN OFF, espaço digital que selecionou algumas das inovações e projetos mais interessantes apresentados durante a última edição da maratona que tem foco no mix azul da moda.

A busca por processos produtivos que desperdicem menos água tem levado as tecelagens a apresentar componentes alternativos para a produção do denim. Nessa saga, por ser mais resistente à seca, e de crescimento mais rápido, o Cânhamo tem emergido como um material importante na criação do jeans. Já o algodão reciclado, tem se popularizado rapidamente, devido à expressiva redução de água resultante da sua inclusão no processo produtivo.

Mas é importante destacar, que enquanto essa busca representa uma necessidade para as tecelagens internacionais, para as brasileiras representa uma atualização, já que o algodão nacional já atende ao requisito de economia de água porque é irrigado pelas águas das chuvas.

Mas se na composição do denim a estratégia é a busca por novas alternativas, no estilo o foco é o comprometimento com o visual icônico e o look original.  Por isso, a grande ênfase dos tecidos é o blue denim, diversificado pela presença de blacks ecológicos e brancos naturais que transmitem um visual minimamente beneficiado.

Como consequência, tanto as misturas de denim quanto as cartelas de tecidos prometem impactar as macrotendências como um todo, através da ênfase em temas que giram em torno do workwear, do look militar, das inspirações que dialogam com cenários naturais e dos clássicos da moda jeanswear. Confira abaixo um resumo do que os fabricantes apresentaram:

Fabricantes brasileiros

Covolan

A tecelagem brasileira apresentou como destaque o tecido Marvel, um denim de composição 98% algodão e 2% elastano, com a certificação eco-made da LYCRA® e livre de anilina. A principal inovação do produto é o duplo tingimento: blue e black respectivamente, que evitam que as peças ganhem tonalidade acinzentada após beneficiamento.

Para enaltecer ainda mais o produto, a companhia apresentou em vídeo toda a sequência produtiva da nova variedade, contada pelos próprios colaboradores, desde o carinho dedicado às etapas de manufatura, até o controle da qualidade da água e o controle do uso de produtos químicos. Mas o grande argumento sustentável da Covolan, sem dúvida é o uso da Biomassa, que transforma 36 toneladas de lixo em energia sustentável, e que foi orgulhosamente enaltecido pela companhia através de um vídeo dedicado ao Dia Mundial da Terra.

Vicunha

Com um potente conceito de moda baseado na versatilidade do look sem gênero e na diversidade de estilos e corpos, a Vicunha apresentou a coleção Afecto. Além disso, posicionou-se como formadora de opinião no quesito estilo, oferecendo um guia de sugestões de aplicações dos seus produtos. Já nas composições, a tecelagem brasileira tem investido na reutilização do algodão pré consumo, e incluído o elastomultiester nas suas misturas.

O mix, trouxe bases PT, como o Astra PT, que leva 30% de algodão pré consumo na composição, indicado para coloridos descompromissados, fits mom e shapes amplos e minimalistas. Também enfatizou a modernidade dos blacks transgressores, momento em que destacou o produto Zat Black Black; e sublinhou a importância do look branco natural, através do produto de Renzo Natural, entre outros diversos produtos.

Demais expositores

AGI

AGI tem investido na maximização da qualidade dos fios e dos tecidos de algodão com Cânhamo, e fibras recicladas. A companhia adquiriu recentemente o certificado Cradle to Cradle para o material de Cânhamo, chamado Hemp X. O certificado assegura que o material tem procedência com boa performance nas categorias saúde, reuso do material, energia renovável, gestão do carbono, administração da água e justiça social.

Artistic fabric mills

Misturas recicladas foram o destaque da companhia, que direcionou suas composições para aplicação em modelagens retas, mom, skinny e flare e para peças especiais como o quimono. Entre os destaques estavam o black ecológico Concept Phoenix, com algodão pós consumo, Tencel@, elastano e poliéster reciclado na composição.

Também o Melly X Índigo, que reúne na mistura resíduos pós industriais, Tencel®, elastano e  fibra Repreve@ (feita de resíduos reciclados). A companhia também deu visibilidade ao branco natural Lazar C Ecru Brush, composto por resíduos pós consumo, Cânhamo, Tencel® e elastano na composição.

Bossa

Bossa seguiu a tendência das misturas com Cânhamo porém buscou associar o material a outros atributos além da sustentabilidade. Seu produto de maior destaque com o ingrediente foi o Hempy, um Denim com maior performance respirável, proteção contra raios UV, propriedades anti-odor e anti-microbiana, toque de algodão e de fácil reciclagem. A companhia também lançou o Dynamix, um Denim elástico de alta performance, com misturas de fibras sustentáveis, e efeito de segunda pele.

Crescent Bahuman Limited (CBL)

A CBL ostenta orgulhosa o status de ser a primeira tecelagem paquistanesa a processar a fibra de cânhamo naturalmente irrigada pela água da chuva.

Para enfatizar o feito, a fabricante apresentou a coleção Now or Never, constituída por peças com estilo workwear e inspiração militar, confeccionadas em variedades de denim com Cânhamo, algodão orgânico, algodão com certificado BCI e Tencel.

Cone Denim

Em colaboração com a Jeanologia, a tecelagem apresentou a coleção Mission Zero Collection, uma linha de roupas criada com os tecidos de alta sensibilidade Flash Finish, os quais reagem com maior facilidade às tecnologias G2 Dynamic Ozone, bem como o Laser, ambos da Jeanologia. No visual, a coleção mostrou o comprometimento com o look autêntico e a essência icônica do setor.

Jeanologia

Jeanologia voltou seus olhos para os setores da indústria onde a produção do homem e dos robôs acontece no mesmo espaço físico. O resultado foi a apresentação da tecnologia Handman, um sistema de beneficiamento que tem como proposta transformar as relações transacionais entre as marcas e os centros produtivos.

Equipado com dois robôs e oito lasers, o sistema requer duas pessoas para carregar o jeans até os cabides, ou colaborar com os robôs. A inovação permite que se beneficie 10.000 jeans em 24 horas com desperdício zero promovendo através da automação uma produção limpa e escalável dentro da cadeia.

Tencel™

A companhia apresentou a coleção Bast Recast, criada em colaboração com a Officina +39 e Naveena,  interpretando nas peças o espírito do nosso tempo.

A coleção deu visibilidade a diversas especialidades de líderes da indústria, e girou em torno de composições de Denim com Cânhamo, Tencel™ e Lyocell beneficiadas com tecnologias sustentáveis da Jeanologia. O workwear, mais uma vez, foi a inspiração.

LYCRA ®

Facilitar a economia circular é a grande meta da LYCRA®, que vem direcionando suas tecnologias sempre para o propósito de transpor o argumento de que fibras como poliéster são uma barreira ao reaproveitamento dos resíduos têxteis.

Como ação resultante dessa busca, a marca apresentou versões 100% recicladas das suas linhas Coolmax e Thermolite. De acordo com a companhia, um único processo de refinamento e despolimerização é necessário para transformar os materiais renováveis em fibras com características equiparáveis ao poliéster virgem.

Naveena

A redução no uso de água pós consumo foi o foco da paquistanesa Naveena, que apresentou o produto  Stays Fresh, que  faz com que as roupas continuem frescas e livres de odor, reduzindo assim a frequência das lavagens domésticas. De acordo com a tecelagem, a cada vez lavagens domésticas dispensadas é possível economizar 47 milhões de toneladas de CO2 e 4,5 bilhões de m3 no mundo. A tecelagem destaca também que a necessidade de lavar menos, faz com que o ítem de moda desenvolvido com o tecido seja mais durável.

Fonte: Vivian David | Fotos: Reprodução