Entre a programação de conteúdos da última edição da FebraTêxtil, Marcelo Prado do IEMI – Inteligência de Mercado apresentou a palestra “Mercado de Moda no Brasil – Oportunidades e Estratégias para crescer em um ambiente desafiador” onde abordou o setor de vestuário e o cenário no país, dos últimos 25 anos. Nesse tempo, os gastos e salário mínimo aumentaram, o número de filhos diminui e a população envelheceu, com 38% das pessoas com idade superior a 45 anos. A população brasileira vem se preocupando mais com a saúde e bem-estar e o poder de compra subiu, mas a inflação e juros altos impedem o avanço do consumo. Todos esses dados mudam na hora da compra de novos produtos.
Sobre a Indústria de Vestuário, foram produzidos em 2025, 178,3 bilhões em 20,6 mil unidades produtivas e com 5,4 bilhões de peças produzidas. Já a participação dos importados no consumo brasileiro cresceu 89,2% nos últimos 5 anos, 6,3 bilhões de peças foram vendidas e dessas, 78% foram confeccionadas no Brasil. O e-commerce detém 10% do total vendido. O mercado jeanswear teve um crescimento, nos últimos 5 anos, de 51% com a expansão do mix, principalmente a leveza e peso dos tecidos com mistura de fibras e o setor fitness é o que mais vem crescendo na moda.
Entre os Estados que mais cresceram no consumo do Vestuário, estão Mato Grosso, Santa Catarina, São Paulo e Paraná.
Para esse ano, a previsão é de crescimento na produção de 0,4% em peças. No varejo a previsão é de 1% de aumento nas vendas. E o que pode favorecer o crescimento é o aumento da oferta de emprego e ganhos das famílias, programas sociais e políticas eleitorais, redução do IRPF para a classe média e média/baixa.
Segundo Marcelo algumas ações para o crescimento no mercado é investir em novos produtos ou serviços, novos segmentos e consumidores, canais de distribuição e mercados regionais.
“Se quiser crescer é necessário informação, planejamento, organização, novidade, mas acima de tudo, entender quem está do outro lado do caixa”, afirma Marcelo Prado.
Já Ana Castro, gerente de Fashion Hunting e Growth do TikTok apresentou o crescimento das vendas através do TikTok Shop e a importância de gerar comércio em diversos canais como varejo, e-commerce e retail media.
Segundo Ana, o TikTok Shop é um novo modelo de varejo, onde a jornada começa na descoberta, a competição é por relevância cultural e a decisão de compra é mais emocional do que contextual, não importa o preço e o prazo para receber aquele produto. Em 4 meses, desde a criação, a receita média diária cresceu 26 vezes e 78% dos usuários do TikTok concordam que não precisa ser famoso ou já ter milhares de seguidores para viralizar na plataforma.
“Não vamos deixar de ter o grandes influenciadores que vão falar com a minoria, mas teremos uma massa comunicando com quem, realmente, pode comprar tendência”, comenta Ana. A gerente também afirmou que falta, muitas vezes, nas marcas, um rosto para se conectar com quem está comprando; Nesse contexto, quem domina a lógica da influência está saindo na frente.
Os afiliados o TikTok são responsáveis por gerar comunidade, criar conexão com seu público e quanto mais autêntico, melhor, porque nos final das contas, 70% dos usuários acreditam que os afiliados têm autenticidade suficiente para recomendar um produto.
Riachuelo é um exemplo de sucesso onde uma série de vídeos impulsionou as vendas do jeans wide leg também no e-commerce, porque a plataforma TikTok não suportou tantos acessos.
Em um cenário cada vez mais guiado por dados, influência e comportamento, entender o consumidor, gerar conexão e transformar relevância em desejo será determinante para o futuro da moda e do jeanswear no Brasil.
Fonte: Vanessa de Castro Foto: Equipe Guia JeansWear









