Campo Belo realiza a Rota da Costura para promover o pólo jeanswear na região

Você que trabalha no segmento jeanswear, conhece Campo Belo, em Minas Gerais? Pois é, muita gente não sabe, mas, a região concentra facções, oficinas e lavanderias que entregam produtos de excelente qualidade e uma produção de 5 milhões de peças por mês.
E para dar visibilidade a essa região tão importante e conectar quem cria com quem produz, surgiu a Rota da Costura, que em sua primeira edição, reuniu em uma experiência, marcas, estilistas, compradores, fornecedores e profissionais do setor, para conhecer de perto quem produz.
A proposta foi abrir as portas das oficinas e aproximar o mercado de quem está na linha de produção, mostrando que, por trás de uma peça jeans de alta performance, existe conhecimento, técnica, dedicação e, principalmente pessoas.

Campo Belo realiza a Rota da Costura para promover o pólo jeanswear na região

“Uma peça de alta performance depende de uma cadeia de alta performance. A qualidade da costura, o acabamento, a precisão da montagem, a aplicação dos detalhes e o conhecimento de quem executa o produto interferem diretamente no resultado final. Por isso, a Rota da Costura quis mostrar que valorizar as facções é também valorizar a qualidade e a competitividade do jeans brasileiro”, comenta Taísa Peralta, responsável pelo marketing da Associação da Moda de Campo Belo e Região.

A Rota da Costura promoveu visitas à Styllus Confecções, Prime Confecções, Beka Confecções e Lavanderia Novo Rumo onde os participantes puderam conhecer o espaço em que o produto realmente acontece: a fábrica, oficina, confecção e lavanderia. Essa primeira edição reuniu 150 pessoas vindas de partes diferentes do Brasil que puderam conversar, trocar experiências e, principalmente ver de perto quem faz o jeans acontecer.
Além das visitas, aconteceram palestras, troca de experiências e uma rodada de negócios. Eduardo Cristian, embaixador e estrategista de confecções trouxe números importantes sobre o setor: 4 pólos no Brasil concentram a produção nacional de jeans: Toritama (PE) com mais de 2 mil fábricas e facções, com 15 mil trabalhadores e 5 milhões de peças por mês, esses dois últimos dados, iguais a Campo Belo. Há ainda a região de Taguaí (SP) e Jaraguá (GO) sendo que, algumas das melhores facções do mundo, estão no Brasil. “Campo Belo não é apenas uma cidade que costura é um centro de um pólo produtivo, uma força industrial que move 20% do mercado jeanswear”, comenta Eduardo que ainda afirma que Toritama é mais conhecida por se apresentar como um pólo e é isso que falta em Campo Belo e faz muita diferença, pois enquanto as facções se verem como individualistas, não serão reconhecidas pela força que tem no mercado, uma facção pode ser pequena, um pólo é gigante.

“Quando iniciamos o projeto da Rota da Costura, em dezembro do ano passado, começamos a perceber algo muito importante: a nossa região precisava valorizar mais sua mão de obra, suas empresas e, principalmente, as pessoas que fazem o jeans acontecer. Percebemos que muitos proprietários de facções e confecções enfrentavam desafios não apenas na produção, mas também em gestão, empreendedorismo e cultura empresarial. Foi então que busquei um parceiro, Ricardo Vilela, e começamos a desenvolver essa operação.
Hoje, estamos conectando facções, confecções, varejistas, tecelagens, lavanderias e outros elos da cadeia têxtil, criando oportunidades, fortalecendo empresas e buscando uma operação mais sustentável, segura e profissional.
E foi dessa visão que nasceu também a Cidade do Jeans: um novo conceito de empreendimento empresarial e logístico, pensado para integrar a cadeia produtiva — das facções às confecções, do algodão à peça final…e essa história está apenas começando”, relata Andrey Luiz Cardoso, idealizador, vice-presidente da Associação da Moda de Campo Belo e Região e um dos sonhadores e realizadores da Rota da Costura.

A Associação da Moda de Campo Belo e Região tem um papel fundamental nessa construção. A filiação à AMOCB representa uma forma de transformar conexão criada durante o evento em uma rede permanente de relacionamento, colaboração e desenvolvimento. A proposta é reunir empresas, oficinas, facções e profissionais e demais participantes da cadeia para que consigam construir juntos, novas oportunidade para a região.

“A nossa região ainda não sabe a força que tem. Hoje, Campo Belo e as cidades do entorno reúnem cerca de 500 facções e produzem aproximadamente 5 milhões de peças por mês. Nós já temos mão de obra, conhecimento e uma enorme capacidade produtiva. Agora, imagine se conseguirmos trazer para cá toda a cadeia: modelagem, corte, lavagem e acabamento, mantendo a costura que já fazemos tão bem. Estaremos criando um verdadeiro cluster da moda, onde tudo começa e termina aqui. A Rota da Costura nasce com esse propósito: mostrar o nosso valor, unir essa cadeia e transformar uma força que já existe em uma das grandes potências do vestuário brasileiro”, diz Ricardo Vilela, presidente do AMOCB.

“Campo belo e sua região não são apenas coordenadas geográficas, são uma rede viva de pessoas, saberes, vocações produtivas e uma verdadeira cultura da costura. Contudo, o momento agora é olhar para novos mercados, fazer conexões, implementar novos modelos de negócios e formas de gerar valor. A pergunta, portanto, não é se o polo sabe produzir, mas sim, onde pode-se chegar? Quando olhamos para a Rota da Costura, não estamos querendo inventar uma vocação porque essa vocação já existe! Agora, nosso objetivo é organizar, conectar e potencializar aquilo que o território já construiu. Existe uma base produtiva instalada, mão-de-obra especializada, conhecimento, escalabilidade. Logo, existe uma enorme oportunidade”, afirma a especialista em jeans, Juliana Medina que também apresentou uma palestra durante o evento.
Para a profissional, o caminho está nas facções que podem ampliar o segmento com estratégia, formação e conexão, em uma região que já tem tudo, com escala produtiva e vocação industrial.
E diz: “Quando pessoas se unem em torno de um propósito comum, a produção se transforma em valor, as oportunidades se multiplicam e o desenvolvimento regional se torna realidade. É assim que a Rota da Costura cresce.”

O Guia Jeanswear foi um dos convidados para essa viagem repleta de conhecimento, encontros e muita conexão.
“Conhecer de perto a Rota da Costura de Campo Belo foi uma experiência muito rica, vimos uma região com grande força produtiva, empresas atuantes e um enorme potencial para o setor de moda e jeans.
A iniciativa da AMOCB mostra a importância da união entre empresas, associação e poder público para criar conexões, gerar negócios e dar visibilidade a essa cadeia. Campo Belo chegou com força e já está no radar do nosso mercado, mostrando o potencial e a potência que a região tem para o setor”, afirma Marlene Fernandes, CEO do Guia Jeanswear.

Fonte: Vanessa de Castro – Fotos: Redação