João Pimenta inaugurou a 60ª edição da São Paulo Fashion Week com um desfile que foi mais do que uma apresentação de moda — foi uma celebração da cultura e da identidade brasileira. No centenário da Biblioteca Mário de Andrade, o estilista levou à passarela sua coleção “Tropicalizando”, marcada por uma alfaiataria leve, poética e profundamente conectada ao clima do país. O evento começou com a atriz Bárbara Paz recitando “Poema em Linha Reta”, de Álvaro de Campos, e terminou com trechos de Mudar: Método, de Edouard Louis, reforçando a fusão entre literatura e moda proposta por João.
Conhecido por suas construções precisas e pelas camadas elaboradas, o designer revisitou seus próprios códigos para criar uma alfaiataria pensada para o trópico. Os tecidos pesados deram lugar a fibras mais frescas, como linho, seda, náilon, e claro, o jeans, tradicionalmente associado ao casual, ganhou protagonismo como símbolo de versatilidade. Em versões amplas, desconstruídas e com aspecto leve, o denim apareceu em paletós, calças e bermudas, reafirmando sua força no guarda-roupa contemporâneo.
A escolha do jeans não foi apenas estética, mas conceitual: ele representou a adaptação da alfaiataria clássica a um contexto brasileiro, informal e solar. Paletós sem forro, calças clochard com cós duplo e blusas de seda esvoaçantes compuseram um visual que dialoga com conforto e elegância em igual medida. Tudo pensado para ser usado sem a necessidade de uma terceira peça, um convite à leveza, tanto física quanto simbólica.
A paleta de cores reforçou essa intenção tropical e libertária. Pela primeira vez, João Pimenta deixou o preto de fora e apostou em tons vibrantes como laranja, azul e amarelo, equilibrados por neutros como branco e bege. O resultado foi uma explosão de vitalidade, que refletiu o espírito de um verão urbano, criativo e plural. As listras, tendência já vista nas passarelas internacionais, também marcaram presença, trazendo ritmo e movimento às composições.
Com “Tropicalizando”, João Pimenta reafirma seu papel como um dos grandes nomes da alfaiataria brasileira, agora reinventada, leve e sem gênero. Sua moda fala de liberdade, mistura e identidade, ecoando a poesia que inspirou o desfile. Entre livros, tecidos e cores, o estilista mostrou que o verdadeiro luxo tropical está na autenticidade de criar uma linguagem própria, feita para quem vive — e transpira — o Brasil.
Fonte: Ana Gimonski | Foto: Divulgação















