Moschino recria estilo de Maria Antonieta em tons índigo

Frivolidade gratuita, extravagância e excesso de indulgência. Estes três modos de agir, a princípio, aparentam incompatibilidade com o lifestyle atual. Mas quando relacionamos todos eles ao nome de Maria Antonieta, ícone histórico da França, temos atitude e contexto suficiente para vestir os tempos em que vivemos.

Partindo desse princípio, a Moschino surpreendeu nas passarelas de Milão sugerindo para o Inverno 2020 (nosso 2021) uma coleção com com alto nível de “mise en scéne”. Através dele, o designer Jeremy Scott, diretor criativo da marca, propôs ao denim um formato ornamental e avassalador.

Personalidade que até hoje divide opiniões dos entendidos entre a santidade e a insensatez, a austríaca Maria Antônia Josefa Johanna von Habsburg-Lothringen, símbolo da monarquia e da Revolução Francesa, foi a inspiração principal para a coleção ready to wear da marca. Mas não a única. O designer imaginou o que aconteceria se a rainha, que usou a moda para afirmar sua autoridade e teve a ousadia de passar por cima dos hábitos da corte francesa, fosse a referência para um guarda-roupa retrô oitentista.

Dessa viagem no tempo surgiu um denim extremamente trabalhado em bordados, amarrações e  volumes polêmicos. Logo no primeiro look criado no material veio o impacto: cinturas moldadas, ombros marcados, mangas e peplum ricamente adornados sobrepostos à uma saia com volume extremamente teatral. No busto, decote trapézio valorizado pelas conhecidas lapelas das jaquetas essenciais.

Os caprichos da rainha que gostava de organizar corridas de cavalo também inspiraram os looks total denim formados por coletes, calças e casacas mencionando os códigos da indumentária do hipismo. Já seu lado sedutor, foi lembrado pelas combinações de corset e shorts cavados. A vestimenta dos nobres, ganhou versões femininas que retomaram o comprimento do jeans pedal pusher.

O look totalmente estampado também foi um ponto alto de desfile. No visual do índigo, imagens históricas do rei e da rainha, registradas em pinturas famosas, foram gravados a laser. Já no white denim, Jeremy Scott agregou narrativas sobre a intimidade da rainha e suas damas de honra.

De toda essa profusão criativa fica o trend alert do resgate de alguns fits que andavam esquecidos pelo segmento, como a já mencionada pedal pusher. Mas principalmente, uma nova relação e entendimento para as formas e volumes mais femininos da história da moda. Saias, cinturas, babados e enfeites nada mais tem haver com fragilidade ou mera vaidade. Em substituição, vem tomando sentido cada vez mais relacionado à poder e voz de comando.

Fonte: Vivian David | Fotos: Reprodução