A era do V­-commerce chegou

Entrar em uma loja e experimentar o lado mais sedutor que envolve

uma marca de moda: seu desfile em primeira fila,

independente da data. Simultaneamente, interagir com tecnologia de

ponta, alinhando-­se ao conceito de modernidade através das

simulações possíveis pela realidade virtual.

Experiências e surpresas capazes de transformar um espaço físico

dedicado ao varejo em uma área de entretenimento: de acordo com

executivos relevantes do setor, no futuro o sucesso de um ponto de

venda será definido por tais variáveis, em substituição ao simples

cálculo do volume de negócios por metro quadrado. Estamos falando

do fenômeno intitulado V-­commerce, definido pela

inclusão das potencialidades relacionadas aos video-jogos, aplicativos

digitais e realidade virtual ao conceito de varejo de moda, como

ferramenta para encantar e conquistar o cliente.



Como exemplo recente de toda esta descrição podemos citar a gigante

global Tommy Hilfiger, a qual passou a disponibilizar

em sua unidade da Quinta Avenida em Nova Iorque, um dispositivo

Samsung GearVR, com a finalidade de reproduzir para os clientes uma

perspetiva da primeira fila tridimensional do desfile de moda outono-
inverno 2015/2016 da marca, realizado no Park

Avenue Armory.



Para captar a imagem de 360 graus, a Tommy Hilfiger colaborou com o

start­up WeMakeVR, sediado na Holanda, o qual gravou o desfile em

câmera de três dimensões, dotada de 14 lentes especiais, as quais

permitiram a captura das imagens em vídeo em 360 graus sem

ângulos mortos. Assim, ao fazer uso da GearVR

dentro da loja, o cliente da Tommy Hilfiger experimenta com requintes

de detalhes a experiência de sentar-­se a escassos metros de modelos

virtuais, desfilando em uma passarela com itens alusivos à temática do

futebol; podendo inclusive percorrer o olhar para o alto e reparar no

teto cavernoso do Armory e nas várias direções, enxergar as filas de

convidados, quase palpáveis.



Daniel Grieder, diretor executivo da marca, afirmou

que os dispositivos de realidade virtual estarão disponíveis nas

principais lojas da marca nos Estados Unidos e na Europa, conferindo

um fator de entretenimento aos seus pontos de venda. Segundo ele,

trata­-se de uma aspecto vital para as lojas físicas, na disputa por um

panorama de varejo cada vez mais digital.



Detentora de um volume de negócios de 6,7 mil milhões de dólares em

2014, a Tommy Hilfiger é uma das muitas varejistas que começam

agora a explorar as potencialidades da realidade virtual como uma

ferramenta de vendas, em um momento em que competem com as

plataformas online pela atenção dos consumidores.



É certo que a adoção efetiva deste nível de tecnologia e interação

pelos varejistas internacionais tem sido lenta, acompanhando a

chegada gradual de modelos de consumo de dispositivos de realidade

virtual ao mercado. Sendo assim, ao mercado

nacional deverá levar ainda mais tempo. No enquanto, somos

uma indústria que trabalha com criatividade, de modo que nada impede

que marcas nacionais influentes ou mesmo pequenos

empreendedores, de posse desta nova e antecipada visão de visual

merchandising possível, inicie cada qual a seu nível um processo de

aproximação das ferramentas disponíveis em apps

ou mesmo vídeos e redes sociais, ao conceito de interação e realidade

simulada com o consumidor final. Sem dúvida, será um passo a frente

da concorrência.



Atualmente temos vários exemplos de iniciativas bem-­sucedidas, as

quais ainda não incluem o vídeo em três dimensões, porém também

criam a sensação de intimidade e interação real com a marca, sendo

assim já inserem as marcas neste novo cenário. Em território nacional,

podemos citar como exemplo o Serviço Whatsfashion oferecido na

campanha de verão do ano passado da marca Zinco, onde personal

stylists davam dicas de moda pelo aplicativo. Já no patamar global,

temos a G-Star, que recentemente lançou um aplicativo de jogo

trabalhando tanto o aspecto do entretenimento quanto da

sustentabilidade relacionado a marca.

VIVIAN DAVID | FOTO: REPRODUÇÃO