A estratégia por trás da não participação da marca Mustang na Panorama

Moda passa, estilo fica. E denim? Ao que tudo indica, é atemporal. Logo, vem se apropriando do sentido de arte – mas não a das elites; e sim a mais democrática e livre de todas: a arte de rua. E se essa afirmativa é cada vez mais verdadeira; então onde se expõe uma coleção desenvolvida no material? Em um espaço ligado à moda, ou à arte?



É justamente esta questão que está tomando um novo rumo no mercado azul. Nesta semana, mais uma influente marca do segmento anunciou a mudança na estratégia de exposição dos seus lançamentos. A icônica Mustang, acaba de confirmar que desta vez, não irá participar da consagrada feira Panorama. Em substituição, irá apresentar sua coleção de Verão 2018 aos compradores entre os dias 4 e 5 de julho, em um evento externo ligado à arte de rua, em uma galeria de arte alternativa que que une a cena artística à música e à vida noturna: a SevenStar.



No novo formato de apresentação dos lançamentos, a Mustang irá montar um laboratório de street art junto a artistas visuais, os quais irão expôr suas obras em uma instalação; com destaque para criações realizadas em conexão com o material chefe das coleções da marca – o denim. Entre os nomes do cenário artístico selecionados para o evento, a Mustang elegeu Jute Waibel, artista que dialoga com a moda por trabalhos de dobraduras; Superblast, grupo musical que lembra um pouco o grunge; Nomads, gravadora que reune grupos experimentais; e o escultor visual Clemens Behr.



Dietamar Ax, CEO da marca, explica a decisão: “estamos em consenso de que o momento pede algo novo, um pioneirismo que comunique criatividade seguindo o dna conceitual da marca.” De acordo com o CEO, algumas experiências similares já foram feitas na Europa, onde foram realizados eventos da Mustang ligados à música e arte. “Berlim continua sendo o lugar certo para estar – motivo pelo qual apesar de não estarmos presentes na Panorama, elegemos ainda a cidade para promover nosso mix,” conclui.



Nossa decisão tem haver com a reinterpretação dos caminhos históricos da marca, em direções mais modernas e atuais. Um importante sinal de mercado, que aponta para uma nova forma de representação das marcas de jeanswear – fora do ambiente comum e legítimo do fashion business; e bem mais ligado à libertadora experiência artística e criativa.


VIVIAN DAVID | FOTO: REPRODUÇÃO