A preferência global pelo algodão e suas influências para o mercado denim

Cerca de 57% a 60% dos consumidores da China, Europa e Estados Unidos, sentem­-se

insatisfeitos quando percebem que em uma roupa a substituição do

algodão por outras fibras têxteis. Deste mesmo grupo de

consumidores, 50% a 62% estão dispostos a pagar mais por roupas que sejam

completamente confeccionadas no material. Estas, são algumas evidências concluídas

recentemente por um estudo global realizado pela Cotton USA, que

além de destacar hábitos detectados nos Estados Unidos ­ sempre uma influência para o

cenário global e nacional ­ incluem também a América Latina em

dados que sinalizam grandes tendências, e apontam mercados chave para o principal

componente do nosso foco maior: o denim.



Em território americano, a maioria dos consumidores percebe o algodão como a mais

confortável (69%), transpirável (68%), durável (51%) e versátil (46%) entre as fibras, se

comparada com o poliéster, a viscose e as misturas “mestiças” entre o algodão e o

poliéster. Já no quesito sustentabilidade, apesar da realidade poluente

que ainda predomina nas plantações, o algodão mantém cativa a fama eco­friendly em

uma fatia de consumidores superior a 80% na China, Europa e América Latina, e alcança

o patamar dos 90% na Turquia, India, Tailândia e Estados Unidos.



Entre as tendências globais identificadas em mercados chave

relacionados ao algodão, estão o aumento global dos consumidores com idade superior

a quarenta anos, a continuidade do crescimento com gastos em roupas na China e India,

e a transformação da busca pelas peças manufaturadas com sustentabilidade em um

hábito mais corriqueiro.



Levando tais dados para o contexto do mercado jeanswear nacional,

enquanto as evidências de envelhecimento da população podem anunciar mudanças no

estilo que se mostrará uma influência nas passarelas, para um visual mais maduro;

também aponta a longo prazo um ambiente favorável para os mercados fundamentados

no algodão: e aqui entra não apenas o jeans, como também as malhas, a camisaria, e a

moda casual como um todo. Também na linguagem das campanhas do segmento, é

possível pensar que os dados coletados antecipam um cenário pós-­misturas

tecnológicas para o denim, onde o marketing fundamentado na pureza

da composição do tecido 100% algodão terá mais valor, como argumento estratégico

decisivo para um bom apelo comercial.



Com o objetivo de colocar em evidência os resultados destes estudos, e divulgar a

preferência global dos consumidores pelo toque do algodão, a Cotton

USA ­ empresa que promove o uso da fibra no material e realiza este tipo de

estudos desde o ano de 1999 ­ lançou uma campanha intitulada “I Love My

Cotton”. O vídeo, que leva a assinatura de Paola Kudacki ­ cujo currículo inclui

grandes marcas como Max Mara e Victoria’s Secret ­ empresta forma e anuncia um novo

foco de longo prazo para o visual e o tema de futuras campanhas de moda, cujo

segmento esteja fortemente vinculado ao algodão.



VIVIAN DAVID | FOTOS: REPRODUÇÃO