Calendário de moda no varejo é pauta entre marcas autorais e showrooms

Com a pandemia do novo coronavírus, a Covid-19, o calendário da moda com seus lançamentos para temporada tem sido colocado em xeque. A Associação Brasileira de Estilistas (ABEST) divulgou uma carta aberta levantando o assunto, sugerindo novas datas para o varejo do setor no país – confira abaixo.

A instituição representa 120 marcas e reúne sete dos principais showrooms do Brasil, sendo eles Salão Casamoda, Contemporâneo Business, Feira TM, Maria Eugenia Showroom, Conceito +, Novo Showroom e Fashionroom, além do apoio do SPFW, InMod e FFW. De acordo com o comunicado, a mudança no calendário ocorreria já no Inverno 2020, tendo peças vendidas a preço cheio até o final de julho e entrem em liquidação somente em agosto.

Isto porque, antes da paralisação de oficinas, ateliês e o fechamento de lojas, as peças para a temporada já estavam sendo postas nas araras do varejo. Para conter o prejuízo, algumas marcas e multimarcas estariam planejando uma liquidação no retorno às atividades. Porém, as peças estariam sendo liquidadas em pleno inverno.

“Reunimos sete dos principais showrooms do Brasil. Temos 120 marcas na ABEST, sabemos das necessidades que elas têm, especialmente as de pequeno e médio porte. Muitas delas fazem sua venda B2B com esses showrooms, que por sua vez, estão conectados a uma rede enorme de lojistas e boutiques no Brasil, que são os canais de distribuição no atacado”, apontou Roberto Davidowicz, vice-presidente da associação e dono da marca UMA Raquel Davidowicz, em entrevista ao FFW.

“Já que está tão difícil, vamos virar a página pra uma coisa melhor. Nunca se conversou tanto, nunca se ouviu tanto. Essa sensibilidade ajudou a aflorar a vontade de resolver alguns pontos”, completou.

Outra ação indicadas pela ABEST visa unificar um calendário a partir da mudança da data de liquidação. Portanto, sai de julho para agosto e de janeiro para fevereiro, dando aí um mês a mais para que as marcas trabalhem comercialmente suas coleções.

“É uma mudança muito sutil, estamos mexendo apenas um mês, mas que fará a diferença pro comercial das marcas, que tendem a ter um resultado melhor porque hoje está muito difícil”, finalizou Roberto Davidowicz.

Confira a carta aberta divulgada pela Associação Brasileira de Estilistas na íntegra:

“Diante do cenário mundial de pandemia causada pelo novo Coronavírus, nos vemos vivendo em um mundo que nem a ficção previu. O mundo parou. E no nosso setor não foi diferente. Estamos todos em casa e usando a nossa criatividade para não deixarmos nosso negócio parar.

Nossas oficinas de costura, de sapatos, de bolsas, de joias e bijuterias estão paradas. Muitas delas trabalham, mas com um outro foco, estão produzindo máscaras e aventais para serem doados aos hospitais e profissionais de saúde de suas regiões. Surge a pergunta, como vamos fazer para colocar na rua a nossa coleção de inverno? Uma parte já produzida e outra, paralisada por conta do isolamento social.

A chegada da Covid-19 nos fez refletir sobre um assunto que há muito está na cabeça das marcas 100% brasileiras, autorais e pertencentes ao chamado slow fashion. Por que temos que seguir esse calendário, maluco das marcas de fast fashion? Porque depois de 15 dias o que está na arara ou na vitrine está velho e temos que expor e vender uma nova coleção? Nosso produto não é perecível nessa velocidade. Fazemos peças para durar, para serem usadas hoje, amanhã, no próximo ano e assim por diante. Por que as liquidações de inverno precisam acontecer quando inicia-se a estação, julho. As de verão quando os nossos termômetros estão acima dos 30 graus?

Quem compra uma coleção para ficar meses no armário? Poucos, muito poucos.

Pensando nisso, a Associação Brasileira de Estilistas (ABEST) junto com sete dos mais importantes showrooms e pequenas feiras de São Paulo (Salão Casamoda, Contemporâneo Business, Feira TM, Maria Eugenia Showroom, Conceito +, Novo Showroom e Fashionroom, além do apoio do SPFW, InMod e FFW) estabeleceu um novo calendário para a moda.

Em 2020, devido a pandemia, as vendas no atacado acontecerão nas seguintes datas:

• Verão: a partir da segunda quinzena de junho até do dia 10 de julho
• Inverno: segunda quinzena de novembro

Varejo:

• Liquidação inverno: agosto de 2020.
• Liquidação verão: fevereiro de 2021.

Após esse difícil período que estamos vivendo, imaginamos um cenário mais realista para nossos negócios. A partir de 2021 sugerimos as vendas de atacado:

• Verão em maio.
• Inverno em novembro.

As liquidações de varejo continuam sendo fevereiro e agosto”.

Fonte: Redação | Foto: Reprodução