COLOMBIATEX expõe estudo com principais drivers para moda global

O que seria o novo normal para a moda? Criações de novos cargos voltados para a experiência do consumo, cenários de incerteza imperando como consenso, e tempos de consumo cada vez mais mensurados na velocidade do click. Estes foram alguns apontamentos colocados pela palestra Global Fashion Drivers, apresentada no Pavilhão do conhecimento, paralela a mais recente edição da Colombiatex. Apresentada por Chistian de Angelis, co-fundador do jornal espanhol Modaes.es, junto a Jordi Barcells, vice-presidente da gigante do estilo Desigual. A conferência compartilhou com os ouvintes as conclusões do relatório que tem como missão refletir os caminhos que as grandes empresas de moda estão sinalizando para o mercado global.

O primeiro “driver” mencionado foi a Omnicanalidade. De acordo com Chistian, ela está motivando o surgimento de novos cargos em grandes organizações, como o Chief Client Officer, voltado para mover estratégias de conquista e retenção de clientes. Como exemplo de empresas direcionais que adotaram a função no próprio organograma, o co-fundador do modaes.es citou nomes como Mango, Hunter e Gap. E como estratégia sublinhou a importância dos programas de fidelização de marcas como Levis, Asos e a própria Desigual, que além de proporcionar descontos e produtos exclusivos; permitem interações nas redes sociais. Jordi, da Desigual, endossou o vetor sinalizado pelo estudo, afirmando que desde 2017 a marca espanhola conta com a figura do Diretor de Cliente, que tem como único propósito melhorar a experiência de compra e produto. “É o que chamamos de excentricidades de consumo, e se trata basicamente de voltar a envolver nossos clientes”, exemplificou. Para finalizar o primeiro “driver”, o estudo destacou que 16% das empresas integrantes da amostra, estão adotando a estratégia de reorientação do próprio target, para chegar a novos públicos.

O segundo “driver” identificado pelo estudo está ligado ao tempo. Considerado um dos elementos mais transformadores da moda das últimas décadas. De acordo com o informe, o e-commerce e a Omnicanalidade tem levado o setor a reformular sua própria logística. Influenciados por este driver, de acordo com o relatório, cerca de 15% dos gigantes do varejo global tem apostado em cadeias de fornecedores mais próximas, e plantas produtivas locais. Como exemplo citou a Inditex, que em 2017 criou um dos seus primeiros pontos de conexão logística na Holanda.

A incerteza foi apresentada como o terceiro “driver” com status de “novo normal” para indústria da moda. De acordo com o relatório, as consequências da guerra comercial entre Estados Unidos e China, o desafio de medidas protecionistas, e a volatilidade da economia mundial, são alguns fatores que explicam essa forma de projetar cenários futuros. A estas tendências, somam-se fatores ligados a indústria, como o ambiente marcado por mudanças cada vez mais velozes nos gostos e preferências de consumo, e um número de concorrentes cada vez maior. Segundo o relatório, 50% das grandes empresas globais mencionam o fator incerteza em seus relatórios anuais. Somado a isso, cerca de 2% dos gigantes observados pelo estudo, cancelaram processos ligados à bolsa.

A moda tende a se refugiar em mercados mais maduros – sendo este o quarto driver alertado pelo informe. Endossando tal afirmativa, o estudo apontou que cerca de 7% das empresas reunidas pela pesquisa, se recolheram de algum setor ao longo de 2017. Em contrapartida, 8 em cada 10, optou por apostar em mercados conhecidos. Como estratégia de crescimento, 19%, buscou alianças com sócios locais para expandir seus negócios e ganhar dinamismo no mercado internacional.

Novos materiais para liderar a onda eco ilustram o quinto driver, definido pelo vetor sustentabilidade. De acordo com o relatório, este foco está situado logo no início da cadeia geradora de valor, motivado pela futura escassez de materiais naturais e encarecimento de matérias primas chave como petróleo. Como exemplo, citou a UBF, que anunciou que até 2025 estará usando 50% de nylon e poliéster reciclado em sua própria produção. Também a Levis, que anunciou a meta de uso de 100% de uso de algodão mais sustentável até 2020. Além disso, o informe aponta que 1 em cada 4 grandes operadores do setor, avançou os primeiros passos necessários para adaptação à economia circular.

Já o sexto driver menciona a rentabilidade, e ilustra um paradigma onde muitas empresas terão de abrir mão de parte dos seus ganhos para manter a própria competitividade. Baseado nas tendências de um consumidor que prioriza seus investimentos em tecnologia, gastronomia e lazer; identificadas em todo o mundo, o mercado aponta que o espaço da moda tende a ser menor, e menos rentável. Confirmando essa afirmação, o estudo identificou que 19% das companhias perceberam redução em suas vendas; enquanto 2 em cada 10, diminuíram a margem bruta no último exercício encerrado. Para recuperar essa rentabilidade, 17% tem se reestruturado na contenção de gastos e redistribuição. Como exemplo, citou a Macys.

O mix commercial ofertado no ritmo da experiência e do click representa o sétimo driver, sinalizado pela percepção de uma redução na rede de distribuição, em contrapartida ao aumento de lojas próprias e diferenciadas. O relatório aponta também que 14% das companhias abriram novos outlets, e uma em cada duas implementaram ferramentas para melhoria da comunicação Omnicanal. Deixar de vender em uma loja física, para vender em qualquer parte, de acordo com Jordi, é a principal tendência que ilustra esse driver; assim como a capacidade de proporcionar experiências, sobrepondo-se à mera conveniência da venda.

Para garantir seu poder de barganha no cenário de incertezas, as operações corporativas tendem a ser cada vez maiores. E é este fator, que o oitavo driver menciona, alertando para uma propensão_ do mercado de moda a buscar operações corporativas cada vez maiores. A entrada de companhias no capital de outras, para ganhar um corpo maior; bem como a mudança de mãos de algumas empresas no último exercício, sinalizam essa tendência.

O frescor de novas idéias é contemplado pelo nono “drive”, constituído pela busca por inovação através das start ups. Uma, em cada dez empresas, tem apostado em incubadoras próprias de start ups. E cerca de 7% delas, tem adotado a estratégia de comprar empresas em desenvolvimento, para reforçar sua própria capacidade de inovação. Além disto, o elemento inovação tem motivado a criação de novos postos de trabalho, e incubadoras dentro das companhias.

Por fim, décimo driver é representado pela lógica Blockchain, que destaca a descentralização e transparência em toda a cadeia de valor. Cerca de 3% das companhias inclusas no informe, fizeram alguma referência a indústria 4.0 em seus relatórios, sinalizando que esta é uma evolução que tende a crescer nos próximos anos.

Considerada uma ferramenta útil para todos os setores da indústria, o relatório Global Fashion Drivers, busca identificar quais são os padrões de transformação do setor, e oferecer uma ferramenta útil para a indústria, revelando quais são as estratégias dos grandes, e que elementos estão transformando seus negócios, para então tirar conclusões pertinentes para a tomada de decisões. Como metodologias para o informe foram observadas as informações publicadas pelas 100 maiores empresas do setor da moda ao redor do mundo.

Fonte: Vivian David | Fotos: Inexmoda