Foi-se o tempo que em que a escolha de um tecido ou aviamento, implicava apenas na definição de cores, padrões, e apelo de moda. Hoje essa busca precisa refletir com precisão as demandas do futuro. Um futuro, que sinaliza que todo material que integra uma criação de moda, representa uma oportunidade para elevar a percepção de valor do produto final. E se esta escolha não for de encontro às demandas reais do consumidor, nada acontece na peça pronta.
Essa sintonia entre um elo e outro na cadeia de valor do vestuário, tão representativa das tendências do mercado de moda global, foi também o tópico da 31º edição da feira Colombiatex de las Americas. “Nos preocupamos em oferecer insumos que acrescentem valor agregado, pois este é o caminho atual, e o comprador sabe que se ele não optar por um insumo neste formato, nada vai acontecer em seus próprios produtos”, explica Carlos Eduardo Botero Hoyos, Presidente Executivo do InexModa, ao ser questionado sobre a lógica que guiou o layout e o mix da feira.
“Conecta Saberes” foi o tema que refletiu essa preocupação em garantir que as expectativas do consumidor final estivessem devidamente representadas, em todos os elos que formam a cadeia de valor. “O mundo caminha na direção das coisas inteligentes, então a moda segue para o rumo dos tecidos inteligentes”, comentou Luís Pérez Guterres, governador da Antioquia justificando o tema.
“As novas tecnologias, e as novas correntes do mundo estão matando a morte, fazendo com que as pessoas durem mais, então a moda tem que conectar seus saberes para proporcionar respostas para esse novo perfil de consumidor.”
Foram esses novos caminhos que levaram o evento a criar um espaço chamado Rota da Sustentabilidade, destacando os esforços que 17 empresas estão fazendo nesse campo vital para o futuro dos negócios, na busca pelo equilíbrio entre negócios locais em internacionais, que levou o evento a agrupar marcas com estrutura produtiva apta a cumprir as exigências dos tratados de livre comércio, com produção 100% made in Colombia, no espaço Origem Colômbia.
Durante os três dias da 31º edição da Colombiatex, os dois primeiros se mostraram altamente movimentados, recebendo 22.484 pessoas, sendo 14.424 destes compradores provenientes de 52 países diferentes. Entre eles, Equador, Bolívia, México, Brasil, Costa Rica entre muitos outros. Entre os expositores brasileiros com foco na produção de denim, marcaram presença Vicunha, Santista, Canatiba, Cedro, Santanense, Covolan, Trama e Nicoletti. Também a fabricante de aviamentos Eberle e de tecnologia Audaces. Formando o mix local, destacaram-se as companhias Nuevo Mundo, Coltejer, Contacto Têxtil e Coletex. O evento sinaliza atrair oportunidades para novos players como a novata Atlas, da Turquia.
“A feira profissional é séria, competente e honra o que se ouve e o que se fecha. Existe fluência passiva de compradores em marcas estratégicas, e a cidade realmente se prepara para recebê-la”, comenta Francisco José Gonzales, da Vicunha.
“No InexModa temos grandes desafios porque o consumidor não é o mesmo. O consumidor usa mais o meio digital, e está consumindo menos porque quer ser mais sustentável”, comenta Carlos Eduardo Botero, compartilhando sua percepção do mercado atual. Otimista, opina: “é o momento de aproveitar a baixa inflação e os tratados de livre comércio para incentivar a exportação.”
Questionado sobre o papel do mercado denim no evento, Carlos afirmou: “o denim é muito importante pois agrega novidades ao mix de tecidos, ao destacar o elastano tecnológico; e os consumidores querem essa demanda, então os tecidos que estão aqui incorporam essa tendência”. E de fato, as visitas aos stands confirmaram essa direção. Tanto fabricantes brasileiros quanto colombianos, e de outros países procuraram colocar em evidência as opções denim mais leves, 11 a 8 OZ, com características elásticas mais potentes. Coloridos começam a emergir, mas ainda não são a maioria do mix latino. Tal posto, ainda é ocupado pelos índigos, que constituíram maioria nos mostruários. O mercado Latino ainda aponta pela busca de materiais adequados para jaquetas essenciais, e chambray leve com misturas de tencel, para fabricação de saias e vestidos longos e glamourosos, oportunos para o clima quente, que é consenso entre os compradores.
Fonte: Vivian David | Fotos: Equipe Guia JeansWear









