O Congresso Internacional ABIT 2025 aconteceu, nos dias 29 e 30 de outubro, na Fiesp, em São Paulo e, teve como tema central a “Produtividade como Catalisador do Crescimento e Prosperidade“, reforçando o papel da produtividade, inovação e sustentabilidade como motores do crescimento e da prosperidade da indústria têxtil brasileira.
Grandes empresas estiveram presentes no evento como palestrantes ou patrocinadoras incluindo a Vicunha, Canatiba, Sou de Algodão, Cedro, Capricórnio, Santista, Renner e Riachuelo. Foram abordados assuntos como o “Cenário Macroeconômico e Produtividade no Brasil”, “Megatendências que Moldam o Futuro”, “Políticas Públicas, Competitividade e Mercado Internacional”, “Sustentabilidade e Produtividade: um caminho integrado”, entre outros.
“Inovações Tecnológicas na Indústria Têxtil e de Confecção” trouxe a participação de Tony Pinville da Heuritech, Oscar González da Improve Latinoamérica, Matheus Diogo Fagundes da Audaces. Matheus falou sobre o “Desafio Estratégico do Mercado na Criação” – reduzir o time-to-market e proteger a margem de operação com riscos como o atraso e perda de tendências. Na Produção – desperdício de matéria-prima, erros de corte, baixa rastreabilidade com riscos como aumento dos custos dos produtos vendidos e impacto na sustentabilidade e no Varejo – incerteza no e-commerce, altas taxas de troca, dúvidas na escolha dos produtos com baixa taxa de conversão, ticket abaixo do ideal e custo logístico elevado.
Para Matheus é importante trazer a experiência do consumidor também para a loja online, não só um provador virtual que já não é uma novidade, mas também como ele consegue localizar as peças e produtos que estão buscando, sejam similares ou em looks. A jornada digital 5.0 que o profissional apresenta faz a integração sem emendas do conceito ao consumidor e a tecnologia é usada como investimento e não como custo.
Marcelo Ramos do Senai Cetiqt, trouxe o tema “A Visão de Futuro 2030 do setor Têxtil e de Confecção atualizada: Estratégias para o Desenvolvimento Sustentável” e, falou que a sustentabilidade não é mais um tema, mas sim, uma estratégia. “Estamos avançando na direção de uma indústria regenerativa, onde desenvolvimento tecnológico, competitividade e as questões humanas caminham juntos”, afirma Marcelo.
Os destaques são: a sustentabilidade e a descarbonização como eixo central, a inteligência artificial e a digitalização como motores da transformação e o pós-consumo e a economia circular como eixo estratégico para passagem da linearidade à regeneração inteligente.
E quais as próximas tendências na Cadeia de Valor Têxtil e de Confecção? Bioeconomia e materiais sustentáveis, fábricas inteligentes e confecção 4.0, logística verde e distribuição sustentável, economia da experiência e novo varejo e a economia circular regenerativa.
No Painel, “Capital Humano: O Coração da Produtividade”, Tatiane Tiemi, da Great Place to Work Brasil falou do aumento da busca pela flexibilidade pelos profissionais e, que em um ambiente de confiança há espaço para isso. “E se eu dissesse que confiança multiplica inovação, reduz turnover e aumenta lucro de mercado?”, questionou Tatiane.
Pesquisas mostram que empresas de alta confiança têm 8,5 vezes mais receita por colaborador e performam 3,5 vezes acima do mercado em 27 anos de bolsa.
Irina Catta Preta, da empresa Suzano, apresentou um case de sucesso da companhia que movimentou uma região e seus funcionários. Já Alexandre Ferreira, diretor de gente e gestão da Vicunha Têxtil disse que é importante trazer para o líder a necessidade do diálogo aberto, pois segundo ele: “as pessoas pedem demissão do líder, não da empresa”.
No Brasil, 54% dos profissionais estão desengajados, sendo que 72% dos executivos estão engajados, 54% da média gerência e somente 32% dos liderados. 62% da liderança está na geração X e são eles que têm que formar a geração Z, pessoas sem compromisso com a empresa e, também a geração Y, aqueles que sofrem, que passam por burnout. Já 80% dos liderados não acreditam nos seus líderes.
Na Vicunha, Alexandre vem realizando um forte trabalho de engajamento que une integridade e relações duradouras, gente e diálogo aberto, autonomia e conhecimento, inovação e excelência, resultado com foco do cliente e agilidade e simplicidade.
O profissional revelou os top 5 fatores de engajamento, segundo pesquisa: ambiente de trabalho positivo, significado no trabalho, confiança na liderança, boas práticas de gestão, oportunidade de crescimento.
Marcelo Prado do IEMI – empresa de pesquisa de mercado, trouxe dados sobre a “Indústria do Vestuário no Brasil – Cenários da Inclusão Digital, Produtividade e Sustentabilidade”. Foi realizada uma pesquisa com empresas brasileiras (280), maior parte no Sudeste e Sul, com mais de 21 anos de atividade no mercado, 155 funcionários em média, e 54% de porte pequeno. 52% da produção é de marca própria e 57% trabalham com moda feminina, 40% masculina, 17%, infantil e 12% jeanswear.
30% delas disseram que não avançaram na digitalização, sendo que 52% estão em fase parcial de implantação de tecnologias digitais. 61% das empresas pesquisadas não possuem um orçamento formal destinado à implementação de tecnologias digitais e 67% não possuem monitoramento de indicadores para avaliar o impacto de digitalização.
Uma boa notícia é que 73% disseram que o desempenho da produtividade na empresa melhorou significativamente nos últimos anos. Sobre o incentivo de redes varejistas para melhoria dos processos dessas empresas, 74% não recebem nenhum auxílio. 73% das companhias apoiadas aprendem sobre práticas sustentáveis como uso de materiais recicláveis e eficiência energética e 65% sobre aumento de produtividade como consultorias e treinamentos.
57% disseram que não têm interesse em atender redes de varejo internacionais, entre as que disseram que têm interesse, 76% se dizem totalmente preparadas. 54% das empresas não possuem programas de sustentabilidade na produção e comercialização de roupas e 92% disseram que não têm previsão de implantação de algum programa de sustentabilidade. Em relação às matérias-primas recicladas, 84% não utilizam, mas estão ampliando o consumo. E sobre os resíduos industriais, 99% recicla retalhos e aviamentos, 85% possuem destinação correta para papéis e 76% para os plásticos.
“Existe um processo de programas de sustentabilidade entrando em pauta, mas ainda não atinge a maior parte das empresas e uma integração das confecções e seus grandes clientes, em geral, em processo de desenvolvimento e nós precisamos medir e monitorar esses indicadores, estimular esse processos, e dali que vamos trazer um novo padrão de confecção para o Brasil”, disse Marcelo.
No segundo dia, Fernando Pimentel da ABIT mediou a palestra: “Produtividade sustentável: o novo motor da competitividade”, com a presença do presidente da ABIT, Dan Ioschpe que disse: “Somos um celeiro de soluções, as mais variadas, como o não desmatamento, a recuperação de áreas degradadas, energias renováveis, os biocombustíveis, água abundante”, afirma Dan.
Na palestra “Liga de Descarbonização do Setor Têxtil e de Moda: um compromisso pelo clima”, Camila Zelezoglo, gerente de Sustentabilidade e Inovação da ABIT falou sobre a Agenda Climática no setor têxtil e de moda brasileira e os riscos climáticos que vão impactar de maneira severa a economia e a sociedade.
E contou que foi lançado o site oficial da Liga de Descarbonização, um guia colaborativo onde diferentes empresas da cadeia têxtil e de moda, trocam informações em torno da agenda climática. Segundo a executiva, o movimento propõe um olhar estratégico para o tema, estimulando as companhias “a mensurarem e divulgarem suas emissões até 2027, seguindo o Protocolo GHG”.
No Painel, “Cadeias de Suprimentos Resilientes e Eficientes”, participaram, Laurent Aucouturier da Gherzi Textil Organisation AG, Dawid Wajs da Louis Dreyfus Company, Henry Costa da T. W Consulting com mediação de Fernando Pimentel.
Laurent Aucouturier destacou que o setor têxtil global vive um momento de instabilidade que exige uma revisão de seus modelos produtivos e logísticos e preparo para reagir rapidamente às mudanças. E, ressaltou que a competitividade de preços ainda é o principal fator de sobrevivência no mercado global. Ele apontou alguns fatores que estão transformando a indústria, como a reorganização dos suprimentos, a redefinição de margens entre fornecedores e consumidores, e a necessidade de alinhar velocidade e custo como pilares do crescimento. “Não podemos mais nos dar ao luxo de adivinhar o mercado. É hora de agir com foco e planejamento”, disse.
Dawid afirmou que o Brasil tem a cadeia mais completa do Ocidente, desde a produção de fibras até fiação, tecelagem, malharia e confecção. “Somos o terceiro maior produtor de algodão”, afirmou. E, citou exemplos mundiais que concorrem conosco no mundo têxtil, como Bangladesh, Turquia e Paquistão que têm parques industriais integrados, com uma logística mais viável, impulsionando a eficiência produtiva, gerando empregos, elevando a renda local e as exportações. Já a China investe em planejamento colaborativo de demanda, uma prática que melhora a acuracidade na produção, reduz desperdícios e fortalece a resposta ao mercado. A Europa faz uso de logística multimodal, integrando transportes rodoviários, ferroviários e portuários, reduzindo custos e aumentando a conectividade internacional, essencial para países exportadores.
Para aumentar a eficiência e competitividade, segundo Dawid, é preciso planejamento, logística multimodal e integração produtiva. “É preciso entender a demanda de vendas, alinhar o que o comercial quer vender e o que o mercado quer comprar, entender o seu consumidor”, comentou Dawid.
E com consumidores cada vez antenados, também com os processos sustentáveis e a origem da matéria-prima, é importante investir em tecnologias que medem pegada de carbono e consumo de água, ainda mais dentro de um mercado global que demanda por rastreabilidade e o Brasil está pronto para atender essa nova demanda.
O consultor Henry Costa, que já trabalhou na Renner, abordou o online como grande canal de vendas que cresceu no pós pandemia e se mantém até hoje. Em comparação com o mercado asiático, que já faz um tempo, é totalmente online. Segundo, Henry, o setor têxtil e de confecção precisa ser mais forte e unido para concorrer com os importados que invadiram o país.
E quando se fala de sustentabilidade, precisa pensar também na logística, que no Brasil, ainda é complicada, aumentando os custos e tempo de entrega. “É importante estar todos unidos e construir um ecossistema mais eficiente, com menos poluição e mais variedade para o varejo”, disse Henry que afirmou ainda que o país precisa investir no que é bom, como as fibras naturais. E quais são as vantagens competitivas do Brasil?
Proximidade Geográfica – lead times reduzidos para mercados das Américas; Flexibilidade produtiva – capacidade de resposta rápida às tendências e produção de lotes menores com maior personalização; Qualidade Premium – tradição em produtos de alta qualidade; Sustentabilidade – crescente demanda por produção responsável, vantagem em rastreabilidade e certificações ambientais.
A última palestra trouxe Michelle Schneider, sócia da Signal&Cipher que abordou o tema “Protagonistas da Transformação”, com foco nos profissionais do futuro que precisam ter uma mente inovadora, letramento tecnológico e liderança, inteligência emocional e saúde mental. “Você não será substituído por uma IA, mas por um ser humano que saiba utilizá-la melhor que você”, comenta.
O diretor-Superintendente da Abit, Fernando Pimentel, encerrou o evento já convidando para o Congresso Internacional ABIT 2026 que será realizado em Fortaleza, no Ceará, nos dias 14 e 15 de novembro.
“Tivemos ótimos insights aqui nesses dois dias. Vamos seguir em frente para conseguir encontrar os melhores caminhos para que a gente faça as nossas empresas lucrativas, criando um bom ambiente de trabalho, usando IA e nos letrando”, finalizou.
Fonte: Vanessa de Castro | Foto: Equipe Guia JeansWear












