Criatividade, consumo e sustentabilidade são pautas em live do Denim Women Br

Dentro do projeto Denim Women Br, que reúne mulheres ligadas ao denim, a consultora de moda Giuliana Castelo Branco conversou com Sueli Pereira, gerente de comunicação e moda da Santista Jeanswear, durante transmissão ao vivo na última semana. O bate-papo abordou criatividade, comportamento e consumo neste cenário de pandemia do novo coronavírus que estamos vivendo.

Para Sueli Pereira, as pessoas deixaram de lado um pouco o que realmente é criatividade, para somente copiar coleções, fazer tudo sempre igual. “Estamos sendo convocados a rever nosso jeito de ser, segundo os filósofos. É uma grande oportunidade de repensar a criatividade”, afirmou.

Já Giuliana acredita que as pessoas ficaram menos criativas devido a aceleração da moda, o fast fashion e o mercado de moda estava pedindo essa pausa para criar produtos com alma e identidade. Seguindo este pensamento, Sueli apontou que alguns sairão transformados, outros não.

“A experiência está valendo para todos, mas cada um sente de um jeito. Vamos ter pessoas que vão encarar de frente, vão ser mais práticos e outros não vão nem perceber, por isso, teremos que entender as demandas dos clientes. Alguns irão procurar preço, outros vão em busca de algo melhor, mesmo com pouco dinheiro”, disse Sueli Pereira.

Segundo Giu, não há como ficar igual porque a maioria sairá dessa crise com menos dinheiro no bolso, com vontade de socializar, abraçar, buscar o contato físico com outras pessoas.

Consumo

Sobre o consumo pós-pandemia, muitos perderão a renda e vão consumir menos, por isso as marcas podem valorizar a segurança, a afetividade, conforto, e não somente no modo de se vestir mas também no modo de se relacionar, a empatia com o próximo. “Essas mudanças vão afetar muitas pessoas, não pegamos uma ondinha, mas um tsunami que vai devastar muita gente, muitos negócios, muitas formas de enxergar o mundo e, que vai ser transformador, de certo na grande massa”, comentou Sueli.

Para a gerente de comunicação, os mais práticos vão buscar roupas atemporais, conforto e praticidade. Outros vão procurar peças com significados. “Já ouvi dizer que as pessoas vão tornar-se mais sexy porque terão mais consciência do corpo e a presença será muito importante. As pessoas vão se preparar e se vestir para os encontros presenciais”, disse Sueli, destacando também o lado do intangível, dar mais valor para as experiências, para o ser e não para o ter.

“São muitos questionamentos de muitas marcas que estão nesse momento realmente sofrendo pela parte financeira e elas estão com essa ânsia de saber o que fazer depois”, afirma Giu. Para a consultora de moda, serão priorizados os produtos com alma que transmitam alguma mensagem.

Giuliana ainda acredita nos valores sustentáveis sendo acelerados e não somente na fabricação de produtos ecologicamente corretos, mas na cadeia como um todo. Já para Sueli, as pessoas vão começar a entender agora a verdadeira sustentabilidade, onde serão menos intolerantes sobre as maneiras incorretas de se trabalhar.

“A sustentabilidade pode parecer lugar comum mas precisamos ainda nos aprofundar nisso. Não existe uma empresa 100% sustentável então temos que trabalhar isso em cadeia, valorizando também o upcycling e o reaproveitamento das fibras”, ressaltou Sueli.

Designer de moda

O papel do estilista, de acordo com Giuliana, precisa ser ressignificado onde entram coleções menores, sem desperdício, com maior durabilidade e qualidade e que tenha um propósito valorizando também quem faz, como foi feito, condições de trabalho, entre outros aspectos.

Sueli apontou que os estilistas terão oportunidade de ter essa conexão com o consumidor. Além disso, haverá a evolução do design para que o profissional possa entender todos os processos de desenvolvimento e produção.

Jeanswear

Dentro do mercado denim, muitas pessoas estão preocupadas com a diminuição no consumo do artigo, já que as pessoas estão em casa e valorizando peças mais confortáveis como o moletom. Para Sueli, uma defensora do jeans, isso não é problema porque além do stretch e toda a sua performance já compreendida pelas pessoas, há opções de tecidos softs, leves e com aspecto de proteção valorizando conforto e praticidade e easy care na hora de passar e lavar.

O jeans é perfeito para a vida dentro de casa e as multitarefas que temos que desempenhar”, diz Sueli. E, acrescenta: “Podemos pensar no jeans para a família porque vamos ressignificar nossas relações familiares onde entra ainda o vintage, algo que traga uma memória”. A gerente de comunicação destaca também a inovação desde que faça sentido, talvez para um mercado mais sofisticado e a união com a tecnologia e toda a infinidade de gadgets que invadiram a vida dos consumidores.

Giuliana concorda que o vintage está ligado ao conforto, ao emocional e a tecnologia está aí para ajudar em todos esses processos. A consultora acredita também na transparência das empresas e na preocupação em transmitir verdade gerando essa conexão com o consumidor.

Por fim, Sueli afirmou que haverá um impacto positivo após essa paralisação com marcas mais perceptivas, noção do coletivo, oportunidade de revermos como seres humanos e em como devemos pensar em cadeia, incluindo o movimento #Feito no Brasil, com a consciência de como realmente é produzida aquela roupa.

Confira a transmissão na íntegra clicando aqui.

Fonte: Vanessa de Castro | Foto: Reprodução