Denim japonês antecipa valor do slow fashion no segmento

Slow fashion em versão índigo: assim pode ser definido o diferencial do jeans Japonês. E quem diria, que ele vem fazendo sucesso justamente em Nova Iorque, capital global da agilidade e rapidez. Seria esse sim, um princípio indicador, de que as tendências de consumo também no segmento denim estão sofrendo mudanças na percepção do que é considerado um valor imaterial e o que é entendido como luxo no segmento.



De acordo com Gordon Heffner, proprietário de uma pequena loja localizada no influente Soho, os diferenciais que elevam o produto com relação aos demais são justamente relacionados ao cuidado na escolha da lavagem e na forma, os quais sacrificam rapidez face à qualidade, e muitas vezes também elevam o custo. São estas características, que aos poucos vem elevando o denim japonês ao expoente máximo entre os fanáticos do segmento.



Além do fato de serem confeccionados no Japão, não existe uma característica em si que defina o denim japonês – embora o termo seja tradicionalmente associado ao selvage denim e ao denim bruto. O que realmente vem elevando sua fama, é a construção da associação de sua imagem aos processos de confecção históricos.



Nas suas primeiras aparições na década de 1960, o denim japonês inspirava-se em estilos vintage da Levi’s, buscando sempre replicar o modelo antigo. Porém com a ascensão de nomes como Edwin e Evisu, as marcas japonesas abandonaram a ideia da constante homenagem à herança americana ou sua combinação com as tradições japonesas. Em substituição, vem focando unicamente os processos de confecção icônicos, utilizando antigos teares vintage dos EUA e máquinas de costura antigas.



Assim o tecido agrega ao visual uma bagagem importante de zelo, cuidado, memória e tempo. E a grande procura por produtos com este tipo de alma, vem sendo percebida como uma imensa e valorosa aquisição pelos fanáticos do material. Com tantos apontamentos indicando a alta do slow fashion nos demais segmentos, o sucesso deste tipo de produto em um bairro tão direcional como o Soho, sem dúvida coloca em evidência o início de uma nova lógica de construção de valor agregado para o denim; onde o marketing se constrói a partir do ritual de confecção do produto, e da qualidade final.


VIVIAN DAVID | FOTOS: REPRODUÇÃO