Denim Meeting Talks aborda evolução da sustentabilidade na indústria química

“A indústria química fez sua lição de casa e as empresas brasileiras são conhecidas mundialmente pela cultura interna de sustentabilidade e inovação”. Esta reflexão foi um dos consensos evidenciados pelo Denim Meeting Talks: Químicas, o segundo webinar da versão 100% online do evento. A transmissão aconteceu nesta terça-feira e segue disponível no canal do Guia JeansWear, no Youtube — confira aqui.

Confirmando sua relevância para a cadeia do jeans, o encontro digital reuniu através dos palestrantes Eduardo Fernandes, da Belffer; Fernando Sieber, da CoratexPaulo Jório, da Hi-TechCiro Carnevalli, da CHT, e Rodrigo Lima, da Garmon, uma representação equivalente a cerca de 70% do MarketShare desta etapa fundamental para o setor denim — considerando tanto empresas brasileiras quanto internacionais que fabricam  seus produtos em território nacional.

Com mediação da CEO do Guia JeansWear, Iolanda Wutzl, a transmissão deu visibilidade à relevância deste grandioso setor que dispõe de produtos extremamente pertinentes para o momento atual como acabamentos antivirais e antibacterianos. O orgulho dos avanços sustentáveis conquistados, a necessidade de se refinar o custo das lavanderias, a criatividade das empresas em adaptar suas alquimias ao maquinário existente e o diferencial do valor humano nesse  setor também passaram pela lista de assuntos otimistas abordados durante o webinar.

Iolanda Wutzl deu inicio a transmissão explicando o intuito da sequencia em formato “pirâmide”, seguida pelas reuniões integrantes da agenda do Denim Meeting em formato digital, que foram iniciadas pelas tecelagens e ganharam sequência no bate-papo envolvendo o setor de máquinas e químicos com o propósito de conectar todo o setor. Em seguida, lembrou das tendências mundiais que apontam para a redução dos excessos e exaltam sustentabilidade, alertando para a necessidade de que a cadeia jeanswear tome conhecimento dos avanços que o setor brasileiro dispõe atualmente dentro destas direções.

“Quando se fala de química, se fala da ‘parte negra’ do negócio”, alertou. “Tem toda uma história ruim e antiga que precisamos desmistificar, colocando as pessoas a par da evolução das lavanderias”, defendeu Iolanda, lembrando que tais avanços tem o mérito das pesquisas incessantes das indústrias de desenvolvem os produtos químicos e tecnologias do setor.

Ao mencionar as tendências de sustentabilidade, funcionalidade e crescimento do home office, compartilhou sua visão de que a industria química tem uma grande responsabilidade para atender tal demanda. Por fim, sublinhou a importância da capacitação dos profissionais e seu papel na rastreabilidade do produto final.

Ciro Carnevalli iniciou o debate exaltando o papel fundamental do beneficiamento, que é de fato favorecer o usuário final. Entre os exemplos desenvolvidos pela CHT, mencionou os produtos anti-chamas, repelentes a óleo, que são destaque no workwear. Trazendo a tona lançamentos pertinentes para o momento atual, que faz um chamado à proteção, compartilhou: “Hoje o maior produto que temos na CHT Brasil é um produto antiviral e antibacteriano, que pode ser aplicado tanto no tecido plano quanto malha e denim, um produto ainda em fase de teste no Brasil”.

Expondo conduta semelhante, Rodrigo Lima afirmou que no mix de lançamentos da Garmon segue a tendência de promover a sensação de tranquilidade nas roupas, e nos demais produtos, destacou a presença do mote sustentabilidade. Ainda sobre a gama de artigos, mencionou a linha Sanitex, que não tem solidez e uma vez aplicada protege completamente o tecido contra germes e bactérias. Há também uma linha similar lançada agora no mercado, com solidez para cerca e trinta lavagens domésticas a capacidade de proteção contra vírus, bactérias e germes.

Na sequência, Fernando Sieber destacou que a produção de químicos deixou de ser a “parte negra” para se tornar a “parte positiva” da indústria, pois atua como aliada para a segurança das pessoas no dia-a-dia. Como exemplo, citou a parte da proteção, os antibactericidas e os produtos de higienização. Em complemento, ressaltou que trata-se de uma indústria que tem muito a agregar na cadeia, especialmente na parte dos acabamentos.

Aprofundando as reflexões sobre sustentabilidade, afirmou que a “indústria de químicos brasileira já fez a sua lição de casa“, sendo assim as empresas brasileiras são limpas e certificadas, conhecidas mundialmente pelas características de cultura a sustentabilidade e inovação. Em complemento, mencionou que as reduções de consumo de água nos últimos cinco anos já são bem melhores, muito superiores às usadas anos atrás.

Confirmando as afirmações de que a indústria de químicos nacional evoluiu muito no quesito eco-friendly, Eduardo Fernandes contou que entre as iniciativas tomadas pela Belffer constam a captação de energia solar e a ênfase de produtos químicos voltados para a nebulização aptos q promover uma redução de 70 a 85% no uso de água. Segundo ele, é uma grande tendência para o mercado, junto a todos os demais processos de aplicação a seco ou com uso mínimo de água, que devem tomar relevância maior nos próximos anos e influenciar a fabricação das máquinas.

Expondo alguns motivos que levaram a transformação da indústria de químicos, Eduardo afirmou: “Somos altamente vigiados. Temos que ter bombeiro, alvará de prefeitura, fiscalização, exército, licença ambiental estadual além de normas internacionais”. Ainda de acordo com o empresário, a indústria de químicos vem trabalhando sustentabilidade desde os anos 1980, para cumprir exigências de regulamentos extremamente rígidos como o ZDHC (Zero de descartes de produtos químicos, em tradução livre) e a própria Abvtex (Associação Brasileira do Varejo Têxtil), ainda mais rigorosa que a anterior.

Reforçando o discurso e o posicionamento de todos os participantes, Paulo Jorio recordou os quatro pilares para os profissionais de lavanderia. Seriam eles: os químicos, os quais seguem a tendência de aumento da concentração e consequente redução da dosagem empregada; as máquinas, perseguindo sempre a aceleração dos processos concomitante à melhoria dos efeitos; os processos, cada vez mais simplificados e com efeitos agregadores de valor; e, como principal de todos, o profissional capacitado e apto a entender todas as possibilidades dos produtos e equipamentos disponíveis.

“É importante que o profissional tenha conhecimento para que possa interagir com toda essa tecnologia”, defendeu Paulo Jorio, recebendo a aprovação dos demais participantes.

Mudando o foco do funcionário para o empresário das lavanderias, Ciro Carnevalli destacou a necessidade que o mesmo reivindique sua liderança e ocupe seu lugar de protagonismo na cadeia, e que o Brasil reconheça a importância das lavanderias na industria. Para colocar em evidência os avanços conquistados pela indústria de químicos e lavanderia, as evoluções mencionadas no talk foram expostas no formato de percentuais.

Segundo os participantes, há dez anos, o consumo de água por processamento de peça era equivalente a 135 litros. Atualmente no Brasil, gira em torno de uma média de 70 a 80 litros por quilo de peça, mas ao longo da transmissão foram mencionados processos que alcançam modestos 27 litros.

Retomando o protagonismo do profissional capacitado no setor, Fernando Sieber afirmou que com criatividade e customização, é possível implementar processos geralmente usados em máquinas de ponta em equipamentos convencionais, e ainda assim obter reduções importantes no uso de recursos e água.

Complementando a abordagem, Ciro destacou que tecnologia vem para somar e não para substituir os químicos. “As pessoas tem o hábito de olhar o consumo de água e o uso de insumos, mas esquecem de olhar a mão de obra”, afirmou.

Como opinião unânime, os participantes concordaram que um dos maiores desafios atuais da indústria de lavanderias é transmitir aos clientes o entendimento de que no final das contas usar menos produto, é melhor e no final das contas se torna mais barato.

“Quando a lavanderia tem mais estrutura é mais fácil falar de custo beneficio, já os menos qualificados só reparam no preço aparente”, explicou Eduardo. “As lavanderias muitas vezes não dispõe de balança de precisão o que dificulta a explicação do custo-beneficio”, completou.

“A indústria têxtil nos últimos 40 anos virou uma indústria de capital com investimento”, alertou Fernando. Incluindo no debate as dificuldades da imposição do custo real dos processos por parte das lavanderias, ele opinou que uma mudança de cultura vai ter que partir das próprias lavanderias, através da apresentação de um custo mais refinado, capaz de esclarecer por exemplo o uso de energia e/ou água por quilo de peça ou por minuto. “Quando este custo estiver refinado, essa percepção vai ser mais clara”, concluiu.

Ainda durante o webinar, foram levantados temas como a carência de cursos profissionalizantes no setor e as possibilidades de rastreabilidade obtidas através da atuação, cada vez mais próxima entre o confeccionista e as industrias de produtos químicos.

Fonte: Vivian David | Foto: Reproduçãp