Economia deve sofrer recessão após surto do coronavírus

Os impactos da pandemia do coronavírus devem ser sentidos na economia mundial de maneira severa. Segundo o Fundo Monetário Internacional (FMI), o Covid-19 deve provocar uma recessão neste ano pior do que a observada durante a crise financeira global entre 2008-2009 — ainda que diversos países tenham se prontificado a tomar medidas fiscais que minimizem o cenário.

“Ainda será necessário fazer mais, especialmente na frente fiscal”, disse a managing director do FMI, Kristalina Georgieva. O FMI irá intensificar o financiamento de emergência e ressaltou que 80 países já solicitaram sua ajuda, e que o Fundo está pronto para emprestar 1 trilhão de dólares.

A expectativa na Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) também é alarmante. O secretário-geral, Angel Gurria, afirmou à BBC que a economia mundial deve sofrer “por anos” e é “pouco realista” pensar que ela irá se recuperar rapidamente após o surto do Covid-19.

“Mesmo se não tivermos uma recessão mundial, teremos crescimento nulo ou negativo em muitas economias, incluindo as maiores, então levará mais tempo para a recuperação”, apontou Gurria.

As últimas previsões da OCDE, que contemplavam no início de março que uma epidemia prolongada e grave de coronavírus reduziria o crescimento mundial para apenas 1,4% este ano, já parecem desatualizadas e otimistas demais. Anteriormente, a estimativa era de aumento nos índices de produto interno bruto (PIB) global de 2,9%.

“Este é o terceiro e maior choque econômico, financeiro e social do século 21 e exige um esforço global moderno semelhante ao Plano Marshall e ao New Deal combinados para evitar uma recessão prolongada”, ressaltou o secretário-geral.

A pandemia, de fato, paralisou as atividades em todo o mundo. A quarentena imposta nos países que já sofrem com a contaminação do vírus tornam o choque econômico mais sério, superando também o cenário ocorrido após os ataques de 11 de setembro de 2001.

Na América Latina, segundo analistas consultados pela Efe, é que o surto do coronavírus reduza a margem de crescimento da região em apenas 0%, podendo levar à uma contração de até 2% em 2020. O colapso dos mercados, as restrições de voos, cancelamento de eventos e perdas comerciais são os primeiros efeitos que o Covid-19 deixou após sua chegada à região.

“Pagar custos de curto prazo parece hoje uma escolha racional. Nesse cenário, a economia latino-americana crescerá muito abaixo do estimado inicialmente (1,6% segundo o FMI), e pode ser que a região cresça apenas um pouco acima de 0% até o final de 2020″, alertou a Federação Latino-Americana de Bancos (Felaban) em uma análise compartilhada com a Efe pelo secretário-geral, Giorgio Trettenero Castro.

No Brasil, a Secretaria de Política Econômica (SPE) do Ministério da Economia prevê uma recessão no primeiro semestre de 2020, com a atividade econômica encolhendo 0,20% no primeiro trimestre e contraindo 2,13% no segundo.

“O mês de março já sofre com o início das paralisações das atividades da economia, reduzindo as nossas projeções de crescimento. No segundo trimestre ocorre o impacto mais forte, uma vez que é onde deve se concentrar a maior queda do PIB mundial e o maior período de paralisação de atividades econômicas”, diz a SPE. “Destaca-se que a profundidade e duração da crise ainda são difíceis de se estimar, pois trata-se de um evento inédito na história econômica mundial”.

A recuperação, ainda segundo o órgão, deve começar a dar sinais no terceiro trimestre com alta de 1,17% em relação aos meses anteriores. Já no quarto trimestre, a expectativa é de avanço de 2,03% no mesmo tipo de comparação. “Mantemos avaliação de que os choques pelos quais a economia brasileira está passando são em sua maioria transitórios, o que permitirá uma retomada a partir do segundo semestre deste ano”, finalizou o órgão.

Fonte: Redação | Foto: Reprodução