Economia prateada impulsiona oportunidades no mercado de jeanswear no Brasil

Com o aumento constante da expectativa de vida, a humanidade está passando por uma transformação demográfica sem precedentes. No Brasil, dados do IBGE mostram que a expectativa saltou de 68,4 anos em 1990 para 76,4 anos em 2022. O fenômeno, impulsionado pela queda na natalidade e pelo avanço da medicina, já está mudando o perfil da população: o número de crianças de até 14 anos caiu de 27,4% para 19,8% em vinte anos, enquanto a parcela de brasileiros com 65 anos ou mais cresceu de 5,9% para 10,9%. Até 2040, um em cada quatro brasileiros terá mais de 60 anos.

Essa transição está remodelando não apenas políticas públicas, mas também estratégias de negócios em diversos setores. A chamada “economia prateada”, que movimenta mais de US$ 17 trilhões globalmente, tem se tornado terreno fértil para investimentos em saúde, seguros e gestão patrimonial. Mas há um setor que, embora menos óbvio, pode se beneficiar de forma expressiva com o envelhecimento da população: a moda, especialmente o jeanswear. No Brasil, o mercado de denim já é um dos maiores do mundo, e adaptar suas ofertas à realidade de um público mais longevo pode significar expansão estratégica.

O mito de que moda é assunto apenas da juventude vem perdendo força diante de um consumidor mais maduro, exigente e disposto a investir em peças que combinem conforto, durabilidade e estilo. E é exatamente nesse ponto que o jeans se destaca. Versátil e atemporal, o denim acompanha todas as gerações, mas ainda carece de opções pensadas para corpos que mudam com a idade. Ajustes ergonômicos, modelagens inclusivas, tecidos tecnológicos com maior elasticidade e conforto térmico podem ser diferenciais competitivos para marcas que desejam conquistar esse público crescente.

Além disso, o envelhecimento da população não significa uma redução automática no consumo. Segundo especialistas, o foco do público 60+ está cada vez mais voltado à qualidade de vida, o que inclui bem-estar, autoestima e identidade. Marcas de moda que entenderem isso sairão na frente. Criar coleções que dialoguem com esse consumidor sem infantilizá-lo ou descartá-lo pode representar um novo posicionamento de mercado. No Brasil, onde o jeans é parte da identidade cultural e do guarda-roupa cotidiano, existe um campo aberto para inovação no segmento.

Apesar dos alertas econômicos sobre a pressão sobre a previdência pública e a redução do orçamento em idade avançada, há espaço para estratégias acessíveis e escaláveis. O consumidor sênior não necessariamente quer gastar menos, ele quer gastar melhor. Investimentos em comunicação inclusiva, campanhas que representem diferentes faixas etárias e experiências de compra mais acessíveis (tanto no digital quanto no físico) podem fidelizar esse público que, muitas vezes, se sente invisibilizado pelas marcas tradicionais de moda.

O jeanswear, por sua universalidade, tem a vantagem de já estar presente na vida desse público. O desafio, e a oportunidade, está em redesenhar essa presença para as novas necessidades de quem envelhece com estilo, mas exige funcionalidade. Em um país onde a moda é expressão cultural e o envelhecimento é uma realidade crescente, adaptar o jeans ao novo tempo pode ser uma das apostas mais inteligentes do setor.

Fonte: Ana Gimonski | Foto: Divulgação