Eduardo Cristian aponta como confecções podem sobreviver com o Covid-19

Nunca vivemos uma situação como a atual. O mundo, literalmente, parou para enfrentar a pandemia do Covid-19, o novo coronavírus. Precisamos nos proteger, cuidar da nossa família, dos idosos, do próximo, repensar a vida e tentar passar por esta fase da melhor maneira possível. Agora, estamos priorizando a saúde de todos, mas a economia vai parar, empresas podem fechar, funcionários serão demitidos e o mercado de moda vai sentir igualmente todos esses prejuízos.

Eduardo Cristian, da Costurando Sucesso, realizou uma bate-papo ao vivo em seu perfil no Instagram na última quarta-feira, abordando o assunto e propondo um planejamento para as confecções não se afundarem nessa crise que não tem data para terminar. “Estamos vivendo num cenário de incertezas, não existe clareza, nem mesmo o governo sabe o que vai acontecer. Nós, empresários do setor da confecção estamos sem saber o que fazer”, afirmou.

Segundo o empresário, devemos priorizar a saúde, mas se não tiverem um plano, o mercado vai continuar perdido. “Vamos trazer ideias e conceitos para que juntos, o setor possa se unir e, trazer propostas para enfrentar essa crise”, comentou Eduardo.

Este cenário está impactando o lojista que não vai mais comprar. Shoppings de atacado e de varejo, lojas de ruas, tudo fechado. E não adianta falar para realizar vendas pela internet ou por aplicativos de mensagem, como o WhatsApp. Os clientes estão segurando os pedidos porque não sabem quando vão reabrir, e PLs que atendem os magazines também estão na mesma situação.

“Temos que ser realistas, enfrentar o problema de frente e nos planejar. Está todo mundo no mesmo barco, temos as mesmas incertezas, mesmas dores”, afirma Eduardo. “Tudo isso vai estourar nos próximos três ou quatro meses, e se tivermos que esperar para ver o que fazer depois, será tarde demais. Nós sabemos que o dinheiro vai sumir, mas não se sabe quando. Nas melhores das expectativas, tudo volta ao normal em junho, porém em ritmo lento”, continua.

Segundo Eduardo, haverá um grande número de apostas em descontos e esta não será a melhor estratégia. “A moeda que vai prevalecer é o prazo, o crédito”, disse Eduardo.

Um dos pontos a ser analisado é como ofertar prazo para o cliente, se a própria empresa também estará sem capital de giro. Como arcar com os custos das folhas de pagamento? Demito meus funcionários, dou férias? As dívidas com os fornecedores? Quem eu pago primeiro? E os aluguéis de shoppings, lojas?

“Dois meses sem faturamento, muitas confecções não terão condições sequer de voltar. A melhor forma de matar o problema é começar logo a achar saídas”, afirmou Eduardo.

O setor da confecção e vestuário é o segundo maior gerador de empregos do país, poderão vir muitos pacotes econômicos e incentivos, mas é necessário estar preparado com ideias e soluções para que possam ser levadas às associações, entidades e ao próprio governo. Segundo Eduardo, o problema será a falta de crédito no mercado e o empréstimo bancário não será a solução.

Três problemas e suas soluções

Eduardo Cristian destacou três principais problemas e propôs algumas soluções para se pensar em conjunto: fornecedores, folha de pagamento e aluguel.

O primeiro ponto a ser discutido é tentar renegociar as dívidas com os fornecedores, onde ainda o governo poderia oferecer uma linha de crédito. Em relação à folha de pagamento, Eduardo propõe a isenção de impostos durante esse período. “Assim, talvez não tenha que demitir um funcionário, que para mim, vale por dois”, ressaltou.

O empresário admite que uma parte dos seus funcionários vai sair de férias, outra parte é provável que ele tenha que demitir. Contudo, talvez precise desse profissional daqui quatro meses. Uma saída seria fazer um acordo, que atualmente não é legal, segundo as leis trabalhistas, mas que poderia ser modificado na atual situação.

O empregador libera seu funcionário, ele entra no seguro desemprego e depois volta a ser contratado em pouco tempo. Neste caso, as duas partes saem ganhando.

O último ponto a ser abordado é em relação ao aluguel das lojas. Ele propõe renegociar com os shoppings. “Minha preocupação é o ônus que isso vai gerar para as pequenas confecções”, disse Eduardo.

Em relação às facções, ele propõe ainda uma ajuda que tem que vir de cima para baixo. “Talvez não tenhamos cortes para mandar para eles, como poderíamos ajudar? Já renegociei prazos com todos os meus fornecedores. Nesse momento precisamos nos unir e colocar essas demandas para o governo”, explicou.

Outra solução para quando a vida voltar ao normal é incentivar a população a consumir somente produtos brasileiros para alavancar nossa economia. Isto porque, com certeza, o mercado vai se transformar, as pessoas não serão mais as mesmas de antes, muita coisa vai mudar.

Eduardo ressalta a importância de usar esse tempo para repensar a sua empresa, como oportunidade de olhar para dentro de seu negócio. E pensar: o consumidor vai voltar como ele era antes?

“O jeito como nós fabricamos não será o mesmo. Vamos usar esse período para nos preparar, rever nossos negócios, vamos fazer o mercado da confecção ficar mais forte”, afirmou Eduardo. “Vamos tomar providências agora para que possamos, pelo menos, amenizar os problemas da nossa confecção”, finalizou.

Fonte: Vanessa de Castro | Foto: Reprodução