As fábricas no Bangladesh estão em colapso, as fontes de água estão poluídas por corantes e, caso se continue a usar a água neste ritmo, em 2030 a procura vai exceder a oferta em 40%, de acordo com um relatório da McKinsey & Company. Tudo em nome do lucro.
Porém de acordo com pesquisadores de mercado, o fast fashion demonstra prontidão para abraçar tal mudança, estimulado pela influência de uma nova geração de consumidores cada vez mais eco-conscientes. Estes novos consumidores, com idade entre 15 e 34 anos – intitulados millenials – correspondem a uma nova geração que só acredita em varejistas transparentes. E à medida que estes novos clientes vão exercendo cada vez mais influência no mercado, as empresas de fast fashion vão ter de tomar medidas alinhadas a tal ideologia, para acrescentar valor às suas marcas: este, será o diferencial do futuro.
Em função deste cenário, o futuro do mercado da moda aponta para uma tendência de que os grandes varejistas, como Forever 21, H&M e Zara; passem a adotar um conceito designado de field to form: que implica ter as fontes de matérias-primas próximas das unidades de produção, permitindo que estas possam ir diretamente do campo para a fábrica, e daí para os espaços de venda. Este conceito poderá ser aplicado através da compra de campos de algodão ou da construção de fábricas; e reverterá em uma logística mais sustentável e ética, com a vantagem oculta da redução nos custos de expedição.
As empresas de fast fashion estão lucrando, ao dar aos clientes exatamente o que eles querem: roupa barata alinhada às tendências. Mas, em 2025, os clientes terão acesso a experiências completamente personalizadas: tudo graças à impressão 3D, que permitirá incluir o cliente no processo de design, assegurando o lucro.
Os designers da indústria ready-to-wear, por sua vez, seguem a velocidade imposta pelo mercado. A moda de luxo, por sua vez, não sente a mesma pressão dos varejistas para produzir, e estará sempre disponível para aqueles que querem arte para vestir.
Sendo assim, a única grande mudança que poderá afetar os designers é a própria estrutura e finalidade dos desfiles de moda. Os desfiles existem atualmente para mostrar coleções com antecedência, mas o WWD anunciou recentemente que pelo menos uma semana de moda está avaliando mudanças no tradicional esquema das apresentações. O CFDA, grupo que organiza a Semana de Moda de Nova Iorque (Council of Fashion Designers of America), está realizando um estudo para descobrir se deve fazer desfiles voltados para o consumidor através da apresentação de coleções que já se encontram disponíveis nas lojas.
Concluindo, parece que a única indústria que pode ter atingido o seu pico é a do fast fashion, na qual as varejistas realizam imediatamente reproduções dos looks mais cobiçados da passerela para os colocarem na loja duas vezes por semana.
VIVIAN DAVID | FOTOS: REPRODUÇÃO










