Global Invest Day 2026: Desafios e Oportunidades na Nova Ordem Econômica

O Estadão, em parceria com a Nomad, traz para o Brasil o economista Nouriel Roubini, professor de economia e negócios internacionais na Stern School of Business da Universidade de Nova York e um dos analistas macroeconômicos mais conhecidos do mundo financeiro.

O Nomad Global Invest Day abordará desde reformas estruturais no Brasil até oportunidades em mercados internacionais

Entre os destaques aconteceu a aula magna “Papel das reformas estruturais na consolidação do crescimento sustentável no Brasil”, conduzida por Henrique Meirelles, ministro da Fazenda do Brasil (2016–2017) e presidente do Banco Central (2003–2011), ao lado de Nathalia Rodrigues, diretora executiva, conselheira geral, CCO e diretora de Gestão de Riscos da Nomad.

Além de Roubini,e Henrique Meirelles o evento também reuniu um grupo de especialistas de diferentes áreas da economia e dos investimentos, entre eles Ana Clara Abrão (Open Finance Brasil), Andrea Mattei (Nomad), Andrew Reider (WHG Global Long Biased), Cacá Takahashi (BlackRock do Brasil), Caio Fasanella (Nomad), Carlos Omine (Conselheiro e empresas e family offices), Danilo Igliori (Universidade de São Paulo), Flávio Vegas (Global X), João Manoel de Mello (Opportunity), Michael Carricarte (Olá Insurance Group), Natalia Lima (Nomad), e Paula Zogbi (Nomad).

Aula Magna Henrique Meirelles

Henrique Meirelles abriu o Global Invest Day com uma análise sobre os desafios fiscais e macroeconômicos do Brasil. Segundo ele, o país cresce apoiado em gastos públicos e aumento da dívida, o que torna o desempenho pouco sustentável no longo prazo.

O ex-ministro ressaltou:

Fragilidade fiscal: expansão de benefícios sociais e fiscais, somando cerca de R$ 800 bilhões ao ano, sem comprovação plena de eficiência.

Arcabouço fiscal: regras com muitas exceções reduzem a credibilidade e ampliam o risco de gastos excessivos.

Consequências: mais dívida, inflação elevada e juros altos, limitando o crescimento potencial.

Reformas necessárias: revisão de gastos e fortalecimento da responsabilidade fiscal, com maior protagonismo do setor privado na geração de empregos.

No cenário externo, Meirelles destacou o impacto da alta do petróleo e da instabilidade geopolítica no Oriente Médio, que aumentam a incerteza global e dificultam a condução da política monetária pelo Banco Central.

Aula Magna Nouriel Roubini

No Global Invest Day, Nouriel Roubini apresentou uma análise sobre o cenário econômico global marcado pela hiper-incerteza. Ele destacou que o mundo vive uma transição histórica, com choques de oferta e riscos geopolíticos inéditos, mas também com potencial de crescimento sustentado por avanços tecnológicos. Principais pontos:

Revolução tecnológica: Inteligência Artificial, robótica, computação quântica e biotecnologia podem elevar a produtividade e dobrar o crescimento potencial dos EUA, de 2% para 4%.

Nova ordem multipolar: O mundo caminha para um modelo “G0”, fragmentado, com maior protagonismo de potências médias. Nesse contexto, o dólar e o setor privado americano seguem como pilares do excepcionalismo dos EUA.

Disciplina de mercado: Os “bond vigilantes” atuam como reguladores, impondo limites a políticas fiscais e externas agressivas.

Brasil: Apesar da estabilidade macroeconômica e inflação baixa, o país ainda enfrenta fragilidade fiscal. O sucesso depende de reformas estruturais e maior participação do setor privado, aproveitando sua posição estratégica como potência média em um mundo multipolar.

Esse formato mostra bem como Meirelles focou na fragilidade fiscal interna e necessidade de reformas, enquanto Roubini trouxe uma visão mais ampla, conectando geopolítica e revolução tecnológica ao futuro da economia global.

Visão dos palestrantes convidados

Painel 1 – Open Finance, Pix e Inteligência Artificial

Os convidados ressaltaram a trajetória de amadurecimento do sistema financeiro brasileiro: da estabilização com o Plano Real até a eficiência trazida pelo Pix e pelo Open Finance.

Pix: referência global, inclusão de desbancarizados e redução de custos de transação.

Open Finance: já reúne mais de 700 instituições e 170 milhões de consentimentos, consolidando a era dos dados.

Inteligência Artificial: vista como revolução em curso, acelerada pela digitalização e integração de dados.

Segurança: risco existe, mas deve ser mitigado com transparência e regulação firme.

Painel 2 – O futuro do mercado de capitais no Brasil

Cacá Takahashi, Carlos Omine e Caio Fasanella revisitaram a evolução do mercado desde os anos 80. Da hiperinflação ao fortalecimento pós-Plano Real, com IPOs, liquidez e novos produtos.

Assessoria de investimentos: importância do atendimento individualizado, mas necessidade de migrar para modelos fee-based, reduzindo conflitos de interesse.

Internacionalização: acesso crescente a ativos globais, mas ainda tímido (apenas 3% do patrimônio brasileiro está offshore).

Painel 3 – Oportunidades de investimentos em 2026

Luis Parreiras, Andrew Reider e Paula Zogbi discutiram estratégias globais de alocação.

Geopolítica: guerra no Irã e choque nos combustíveis podem frear crescimento global.Inteligência Artificial: ganhos de produtividade e destaque para ativos reais (cobre, energia, infraestrutura, data centers).

Diversificação: além do dólar e S&P500, emergentes ganham espaço como alternativa subvalorizada.

Ouro: deixou de ser posição marginal e tornou-se ativo estrutural de proteção em cenários incertos.

Esse fechamento mostra bem a progressão: dos fundamentos fiscais (Meirelles), passando pela hiper-incerteza global e revolução tecnológica (Roubini), até os painéis sobre infraestrutura financeira, mercado de capitais e oportunidades futuras.

Fonte: Laura Yamane | Foto: Divulgação