Indústria da moda enfrenta crise existencial

A pandemia do novo coronavírus está provocando uma verdadeira crise existencial no mundo da moda: produção cessou, as lojas fecharam e a procura caiu abruptamente. As coleções de Primavera-Verão, apresentadas em setembro nas diferentes semanas de moda, continuam nas prateleiras. Sem férias e confinados a casa, os consumidores deixaram para segundo plano a compra de vestuários.

“Ninguém quer comprar roupa para ficar sentado em casa”, afirmou o diretor executivo da Next, Simon Wolfson, no mês passado. “Isto levou a uma crise existencial real para a indústria da moda”, reconheceu Imran Amed, fundador e presidente-executivo do website The Business of Fashion, que produziu um relatório sobre o impacto do surto de Covid-19 no setor.

“Esta indústria ainda é quase dependente do comércio físico. Mais de 80% das transações na indústria da moda ainda acontecem em lojas físicas”, explica, citado pela BBC News. “A grande maioria dos consumidores não está atualmente interessada em comprar roupa. O foco está na compra de bens essenciais para sobreviver durante o confinamento”, acrescenta.

Com a quebra nas vendas, a grande questão agora é como escoar a mercadoria acumulada no varejo. Até porque, como observou o The Economist, muitos dos produtos não saem da loja, mas saem de moda.

Muitas varejistas têm optado por vender a preço de saldo, com clara redução das margens de lucro. A Gap e a H&M, por exemplo, estão fazendo promoções no meio da estação. Já a Uniglo tenta promover os artigos que têm mais procura nesta altura, como roupas confortáveis e de corrida. A Browns, em Londres, registou um aumento de 70% no loungewear.

Imran Amed prevê que muitas cadeias de moda ofereçam promoções com o passar do tempo. Já sobre o calendário de moda e as coleções sazonais, Amed relembra que existem dois hemisférios no mundo: “quando é verão numa parte, é inverno na outra”. Logo, acredita, “que existem maneiras criativas de redistribuir essas coleções“.

Sobre os designers que esperam utilizar em 2020, a coleção de 2020, Amed admite que “essa solução funcione para todas as marcas, mas superar esta situação exigirá uma criatividade real”.

Outro dos impactos da quebra nas vendas é a suspensão da publicidade, e a  aposta tem sido continuar apostando nos influenciadores. Emily Canham, que tem mais de 700 mil seguidores no Instagram, promove regularmente serviços e produtos, incluindo alimentos saudáveis, maquiagem, serviços de streaming, férias e roupas.

A influenciadora digital assegura que “os meus seguidores usam o que os faz sentir ótimos e poderosos, em vez de aderirem às tendências sazonais tradicionais. É sobre como se usa e não em que estação é usada“.

Fonte: Portugal Têxtil | Foto: Reprodução