Indústria e multimarcas juntas para vencer a crise no varejo de moda

Na última segunda-feira, foi dada a largada para a Semana de Lançamentos na Denim City SP. O evento que acontece até sexta, 28 de maio, reúne as novidades de tecelagens, empresas de aviamentos e lavanderia, além de palestras com diversos conteúdos interessantes.

O primeiro dia foi marcado pelas apresentações de Norberto Zaiet, fundador da Picea Value Investors, direto de Nova York, com a palestra “Possíveis cenários futuros”; da empresa Tencel™, que falou sobre “Denim Consciente conectando circularidade e colaborações“, com Tricia Carey (Lenzing) e Jordan Nodars (Boyish Jeans); e por fim, “Decodificando o Vale do Silício“, com Pedro Englert, CEO StartSe.

Outro destaque é a palestra de Hugo Olivo, CEO da La Moda, que abordou “Como juntos podemos apoiar as multimarcas”.

A La Moda, empresa catarinense com 35 anos de história, conta com mais de 3 mil colaboradores, 25 lojas próprias, 2500 multimarcas e detentora de quatro marcas – Lança Perfume, a marca jovem My Favorite Things, Lança Perfume Easy, criada em 2020 com foco no universo esportivo, e a recém lançada Amarante, super premium com uma moda para ocasiões especiais, falou sobre a importância de se trabalhar juntamente com as multimarcas para alavancar as vendas, principalmente em momentos de crise.

Hugo Olivo, CEO da La Moda

Segundo pesquisa do IEMI, o varejo físico movimentou 186 bilhões de reais, enquanto que o varejo online ficou em 6,3 bilhões, com um crescimento de 56% no ano de 2020. Há perspectiva ainda de uma forte retomada devido a demanda reprimida.

O movimento da digitalização foi acelerado pela pandemia. “As pessoas aprenderam a pesquisar mais pela internet, elas podem até comprar no físico, mas vão pesquisar no online”, afirmou Hugo.

Segundo o empresário, a procura por itens de moda na internet não para de crescer e os grandes players do mercado conseguiram aumentar a sua capilaridade no interior e, consequentemente a concorrência. “As vendas online foram vitais para salvar o varejista de perdas irrecuperáveis”, completou Hugo Olivo, que ainda ressaltou os micro serviços como conteúdo, atendimento personalizado, venda por afinidade, consignado inteligente, delivery, como ações importantes para alavancar as vendas.

Houve o crescimento do social selling, as vendas através das redes sociais, principalmente WhatsApp e Instagram, e também a explosão de multimarcas digitais e marketplaces, além do já conhecido mix do digital e físico, o figital.

E o que a La Moda realizou durante esse período de crise para colaborar com as multimarcas?

Segundo Hugo, a primeira preocupação foi ajudar as multimarcas a venderem, incentivando o “compre local”, indicando a multimarca mais próxima para quem procura o site da empresa, estimular a geração de conteúdo próprio, a consultoria de moda, técnicas de vendas à distância, lives para a apresentação dos produtos, aumento da frequência de lançamentos, entre outros. “O giro da ponta é sim nossa responsabilidade, as indústrias precisam saber disso”, apontou.

Futuro

Hugo Olivo apontou as principais mudanças no mercado que já vem acontecendo e prometem crescer ainda mais. São elas:

• O comércio local ganhará peso e será priorizado pelo consumidor a medida que gera a experiência que antes só se tinha nos grandes centros;

• A rivalização do varejo físico e digital vai aumentar por isso é importante juntar os dois através do figital com micro serviços e, não necessariamente somente um site;

• O aumento da concorrência de fato vai exigir maior eficiência;

• A loja física sempre terá importância, mas seu papel precisará ser revisitado;

• Experiência e encantamento serão diferenciais competitivos;

• O costume de passar em uma loja vai ser mais pensado e terá que valer muito a pena;

• Experiências micro digitais farão parte da jornada de compra e terão cada vez mais relevância na priorização do consumidor;

• O maior conhecimento sobre o ‘perfil do consumidor’ ajudará as marcas a qualificar suas coleções que serão mais direcionadas e assertivas;

• Lojas físicas tendem a ser menores, mais eficientes e digitais;

• As produções de conteúdo serão dinâmicas, internas e farão parte das competências básicas do varejo;

• Mudanças recorrentes no calendário de lançamentos vão definir o novo normal do setor.

Confira a palestra de Hugo Olivo, CEO da La Moda, na íntegra:

Fonte: Vanessa de Castro | Foto: Reprodução