Todos já sabem que o jogo da moda mudou faz tempo. A maneira de se relacionar com o vestuário, com a compra, a divulgação e o marketing de cada marca, é totalmente diferente de 20 anos atrás. Tudo está mudando muito rápido e precisamos acompanhar essa velocidade insana, com conhecimento, sabedoria, criatividade e, também, seguindo as questões ambientais.
Segundo Fernando Souza, consultor e professor de Marketing Digital e Mídias Sociais, atualmente, o marketing digital faz parte da inovação e co-criação e se envolve cada vez mais nas estratégias de negócios e na criação de novos produtos e serviços. “Marketing não é só branding e imagem de moda, mas também, negócios”, afirma Fernando.
O mercado vem trabalhando com a inversão do vetor de marketing, primeiro pensando quem é o consumidor e como me relaciono com ele para depois, pensar em produto. “Temos uma quantidade enorme de dados para entender esse consumidor”, diz Fernando. E continua: ” É preciso ter conexão com seu público”. Ele cita algumas estratégias para alavancar os negócios: Pesquisas, Conteúdo, Mídias Sociais, Base de Dados, Publicidade, Disseminação, Gestão de Resultados. Não dá para pensar em marketing de moda sem pensar em investimento em publicidade, sendo que o custo de produção de conteúdo deve ser menor que a veiculação.
Tendências
E o que mais pode ser trabalhado dentro desse universo?
- -Experiência personalizada para o cliente;
- -Design através de IA;
- -Prova virtual e realidade aumentada para o e-commerce e num futuro próximo, dispositivos vestíveis.
E, por falar em futuro, Natalia Kaupa, designer, sócia da WKS e coordenadora do curso Future Studies no IED São Paulo e Camila Almeida, designer estratégica, atua no desenvolvimento de projetos de inovação a partir do design para o terceiro setor, mercado e governo, trouxeram previsões para 2025-2030 durante evento realizado no IED. Nada novo no mercado, mas são itens que merecem uma atenção maior.
As profissionais destacaram a IA e Algoritmos Superinteligentes como uma das grandes apostas onde é possível gerar imagens, aplicativos, logos, apresentações. No entanto, tem seus desafios como o bloqueio à criatividade, padronização, ética e o controle sobre essa tecnologia. E, muitos podem perguntar: qual o meu trabalho se com a IA é possível fazer tudo? “A ferramenta é automática, mas o conhecimento é seu”, aborda Natalia. Há o conceito original e interpretação humana com identidades únicas. É a conexão da tecnologia e do pensamento crítico com base em tudo em que vivemos até agora, isso não é possível somente com a máquina.
As fakes news, deepfakes e desinformação também vêm se sobressaindo em um cenário onde a fatos e dados, às vezes, não significam nada. É o Novo Paradigma da Confiança Digital. As empresas precisam assumir um papel mais ativo na educação digital do consumidor. O maior dilema aqui é conteúdo relevante x risco de bolhas de filtro e manipulação de narrativas.
Já os Consumidores Hiperconscientes são críticos, desconfiados e tendem a ir para marcas mais sólidas. Eles são apegados aos valores, porém, ao mesmo tempo, isso tem um custo e aí seguimos para a Economia da Atenção, como pausas nas redes sociais priorizando o bem-estar. Tem de haver um equilíbrio. E a pergunta que fica aqui é: como equilibrar engajamento e a saúde mental dos consumidores? É importante valorizar plataformas baseadas em qualidade e não em quantidade.
Outro tema abordado foi a Hibridização entre o físico e digital com um design fluído e experiências multi sensoriais. O novo papel das lojas físicas é tornarem-se centros de experiências.
Por fim, o Design pode vir como Agente de Mudança, regenerativo e inclui o planeta como um player importante. E como mesclar esses impactos ao meio ambiente e a inovação com sustentabilidade mais acessível?
Sustentabilidade
Paula Puzzi, executiva de corporate venture capital na Suzano e Maira Nisi, head de design estratégico, UX e cultura de Inovação na Suzano, participaram do painel – “Inovabilidade: Design Sustentável para novas economias“, no IED, que teve como foco a inovação como uma ferramenta para entregar produtos mais sustentáveis. “Inovação precisa estar a serviço de um mundo melhor, mais saudável. Precisamos trabalhar a nossa consciência de lideranças, tomadores de decisão. Precisamos repensar modelos”, comenta Paula.
O maior desafio é pensar novos designs mais acessíveis, pensar na circularidade, pois o nosso planeta não suporta mais lixo, e principalmente, como escalar isso em novas indústrias, unindo forças dentro de toda a cadeia. “Para emplacar algo novo, não pode ficar competindo, temos que unir forças”, comenta Paula.
“Temos muitos recursos financeiros, mas de alguma forma, não conseguimos avançar. Como incluir sustentabilidade no processo de design?”, questiona Maíra.
É necessário pensar em todos os passos para garantir que um produto seja sustentável e economicamente viável. A matéria-prima é abundante? O processo permite escala? Conseguimos reduzir o consumo de água, carbono e resíduos?
Segundo Paula, empresas tradicionais precisam ter uma governança de inovação mais estruturada que realmente apoie novos produtos sustentáveis. “Se não tiver um grupo de pessoas com uma estrutura para olhar esse futuro, vamos ficar trabalhando só no presente. Precisamos inovar de maneira disruptiva e estar conectados com o ecossistema”, finaliza Paula.
Fonte: Vanessa de Castro | Foto: Divulgação















