Mudanças no varejo são tema de palestra do Bconnected

O novo ambiente dos negócios no varejo foi tema de uma das palestras apresentadas durante o “Bconnected”, evento promovido pelo Grupo Bittencourt. A iniciativa busca potencializar os negócios brasileiros, formar times e gerar oportunidades para os investidores.

Marcos Gouvêa de Souza, diretor-geral da empresa de mesmo nome e um dos sócios do Grupo Bittencourt, abordou as principais transformações no varejo no pós-pandemia, cenário que ele chamou de “Futuro Normal”. Durante a palestra, ele destacou três pontos principais de uma “tendência  irreversível” que vai de encontro à uma competição no mundo e também no Brasil devido às grandes mudanças que estamos vivendo.

A primeira delas é o empoderamento digital no omnichannel. “Nunca antes no mundo, tantos consumidores tomaram intimidade com o digital, não só com o celular, mas de uma forma mais abrangente, com acesso às informações, produtos, preços, lojas, marcas […] Como nunca nós tivemos antes”, comenta Marcos.

Antes, as pessoas “batiam pernas” nas lojas comparando preços e produtos. Agora é possível pesquisar no âmbito nacional e até internacional, apenas com um toque, buscando informações, experiências de outros consumidores, preços competitivos, prazos, garantias, entre outras coisas.

“Esse empoderamento acaba colocando muito mais alternativas nas mãos do consumidor, não só o brasileiro, mas o global, fazendo com que a competição se torne muito mais dramática, que se manifesta, principalmente, na pressão, na rentabilidade bruta das operações que têm buscado sua compensação na melhoria da eficiência operacional para tentar, no melhor dos cenários, igualar ou quem sabe, idealmente, superar a rentabilidade líquida desses negócios pré-pandemia”, afirma Marcos.

E, continua: “A pressão que esse varejista recebe do consumidor que compara preço e quer mais por menos, acaba refletindo numa espiral competitiva porque o varejo repassa isso para o seu fornecedor que repassa para os seus fornecedores abrangendo toda a cadeia de valor”.

O segundo aspecto importante nesse contexto é o digital, que antes da crise correspondia de 5 a 5,5% das vendas no varejo no Brasil e, que nesse ano, provavelmente irá superar os 10% de participação, com uma movimentação de mais de 100 bilhões de reais e, seguindo uma tendência que irá crescer ainda mais.

Segundo Marcos, as pessoas já criaram uma intimidade com o e-commerce, até os mais velhos tiveram que aprender a utilizar essas ferramentas para fazer a compra do supermercado, por exemplo. É um caminho sem volta que une conveniência, facilidade, redução de tempo, conforto.

Além disso, o diretor destaca o novo canal de comunicação entre o cliente e a indústria. “De um lado acirra a competividade, de outro promove uma transformação estrutural no mercado porque, da mesma forma que o digital cria toda essa facilidade para o consumidor, também cria toda essa facilidade para o fornecedor ir direto para o consumidor final”, disse Marcos Gouvêa de Souza.

“Talvez seja este um dos elementos mais marcantes desse período pelo fato de que o apetite da indústria para chegar ao consumidor final cresceu muito. Se no passado tínhamos a opção da lavanderia da esquina de casa, agora você tem a rede OMO ou ARIEL representando exatamente a indústria chegando ao consumidor final, unindo produto com serviço e entregando solução, que talvez, seja outro parâmetro de mercado que deve ser analisado porque tenderá a expandir fortemente”, completou.

Segundo ele, nada disso é diferente do que já vinha acontecendo, mas que se intensificou durante um curto período de tempo. “Talvez pudéssemos dizer que nesses sete meses de pandemia, nós tivemos um crescimento equivalente há seis, sete anos de mercado em evolução, como tínhamos anteriormente”, apontou.

O terceiro e último elemento a ser destacado é a geografia do consumo que foi modificada pela dificuldade ou redução da mobilidade devido à pandemia. Todos sabemos que o home office vai continuar e, essa tendência traz uma transformação nas relações de consumo. Atualmente, não é mais interessante estar próximo à escritórios, empresas, mas sim, valorizar o comércio de bairro, perto das residências, além do delivery que teve um crescimento de 160% em suas vendas.

“É hora de repensar nossa realidade de negócios, relações entre empresas, seus fornecedores e principalmente, entre empresas e seus clientes dentro desse Futuro Normal”, finaliza Marcos.

Analisando todos esses aspectos, o que você pode fazer para alavancar os seus negócios? Refletir, pesquisar, modificar pu inovar depende somente de você e sua equipe, o sucesso de sua empresa.

Confira a palestra na íntegra:

Fonte: Vanessa de Castro | Foto: Reprodução