“Novo normal” está na moda, mas o que fazer com essa informação?

Com certeza, você já ouviu falar na expressão “novo normal” durante este período de pandemia da Covid-19. E não somente no mercado de moda, mas também para qualquer outro segmento, incluindo aí bens de consumo duráveis ou essenciais como alimentação.

Mas o que seria esse “normal”? Esta nova maneira de enxergar e viver em um mundo que precisou ser paralisado na marra para que pudessem rever o que vinha sendo realizado, principalmente com o meio ambiente, tão doente há tempos.

Para Lorena Botti, coolhunter da Vicunha Têxtil, a expressão pode englobar diferentes conceitos e ações dentro e fora do universo da moda. “É reflexo dos impactos gerais da pandemia no âmbito psicológico, econômico, social, político e a única certeza que temos é que o mundo é incerto, porém será diferente”, apontou.

Muitos destacam características desse “novo normal” como o home office, o online cada vez mais presente na vida das pessoas, menos viagens aos clientes e para pesquisas, o conforto e a durabilidade das roupas, o consumo menor e mais consciente, revisão do calendário de moda, a sustentabilidade cada vez mais inserida – de verdade – nas marcas de moda, incluindo toda a cadeia, a solidariedade, a empatia, a ajuda mútua, o realmente “dar as mãos” para tentar sair dessa crise sem grandes prejuízos financeiros. Tudo isso faz parte do processo dessa “nova era”, mas há também outras vertentes para serem analisadas.

“Estudos e artigos vem apontando como novo normal a digitalização, trabalho remoto, colaboração, diversidade, simplicidade, verdade, propósito, consumo consciente. Mas, há quanto tempo já estamos ouvindo isso? Muitas pessoas já vivem esse ‘normal’, outras jamais experimentação”, comentou o consultor André Carvalhal.

Como dito em uma das milhares de lives que pipocam por aí, ninguém vai virar “Dalai Lama” de uma hora para outra, eliminando os excessos de seu guarda-roupa, deixando de consumir, ajudando ao próximo sempre, minimizando o impacto ambiental, principalmente dentro da própria casa, tornando-se vegetariano. Muitos e, principalmente as classes mais altas, continuarão consumindo suas grifes, viajando ao exterior (pode até demorar, mas vão continuar), ostentando todo o luxo e lifestyle que provoca inveja e desejo à várias pessoas, inclusive nos posts do Instagram.

Há diferentes estilos, pessoas e, por consequência, consumidores. Haverá espaço para todos dentro do mercado de moda. Porém, agora é hora de entender qual caminho você pretende seguir, no que você e sua marca acreditam, e o que desejam passar.

Não adianta tentar fazer “boas ações” somente pelo marketing, nem mesmo os influencers, que se tornaram mais importantes do que jornalistas e críticos por apresentarem uma “vida fake” conquistada através de patrocinadores. Até as famosas lives dos cantores tem se tornado meio fantasiosas demais, algo além de uma simples cantoria para entreter, dentro de sua própria casa.

Neste momento, é louvável criticar a revista de moda que não aborda a pandemia na capa? Sim, muito. Ou deve-se chamar atenção para a marca que vende máscaras por quase R$ 200? Também. Mas, há quem compre tanto a revista quanto essa marca, quem goste e que se identifique com essas ações, apesar de serem minoria. Mais uma vez, há espaço para todos e cada um sairá de um jeito após a quarentena.

Voltando a pergunta lá do começo, o que seria esse “novo normal”? Não sei e, muito provavelmente, ninguém sabe exatamente. Porém, vou te dar uma dica: não siga tendências, já que essa expressão já virou uma trend na moda.

Com os pés no chão e muito planejamento de acordo com o seu negócio, siga seu coração, invista no que realmente acha correto e sincero porque os consumidores estão muito mais espertos, mais críticos e seletivos, e agora com menos dinheiro no bolso. Eles não se deixam enganar e podem preferir comprar por diferentes motivos, mas principalmente, porque acreditam e confiam naquela marca, seja ela uma fast fashion ou uma grande grife internacional.

Fonte: Vanessa de Castro | Foto: Reprodução