Novos consumidores e a sustentabilidade em talk da Covolan Denim

Dentre os talks apresentados durante a última edição do Inspiramais, a Covolan Denim promoveu o debate sobre “Visão Mercadológica & a Moda”, que contou com a mediação de Thaísa Peralta, denim head da Covolan, e a participação de Miguel Sanchez, da Transformers Foundation, plataforma que representa a cadeia de fornecimento do denim, Mariana Santiloni, pesquisadora de tendências da WGSN e Larissa Roviezzo, co-criadora da consultoria para práticas sustentáveis, Renegerate Fashion.

Sustentabilidade foi o mote da conversa em um mundo que nunca mais será o mesmo, onde vem surgindo novos hábitos de consumo e comportamentos.

Segundo Larissa, os consumidores buscam por marcas com propósito e, mais do que nunca, as empresas precisam pensar em reduzir o impacto ao meio ambiente. Um caminho é o investimento no algodão orgânico, ainda pouco produzido no país.

Novos consumidores

E o que busca esse novo público? Mariana Santiloni conta que 6 em cada 10 consumidores querem mudar seus hábitos de consumo. E destaca três principais comportamentos. São eles: o consumidor ativo, quer fazer e pensar junto com a empresa novas maneiras de se trabalhar a sustentabilidade; o consumidor que espera mais da empresa e está disposto a comprar tais produtos; e, por fim o consumidor que quer sustentabilidade acessível e, busca por um preço mais justo, sem perder a qualidade.

Miguel que mora em Barcelona, na Espanha, trouxe um panorama da Europa que começa a voltar à “normalidade”. Ele conta que 2019 já não foi um ano tão bom para o denim, 2018 foi melhor e 2020 foi o pior momento. Muitas marcas fecharam, outras tiveram problemas financeiros e o canal online era a única opção para se chegar ao varejo. Porém, segundo Miguel Sanchez, para o denim esse canal é muito delicado porque há a necessidade de um contato direto. Com a reabertura das lojas físicas, a situação começou a melhorar, o único problema é a recessão em todo o mundo e principalmente no Brasil, que vai demorar alguns anos para se recuperar totalmente.

Consumo Sustentável

Segundo Larissa Roviezzo, “o consumo sustentável é a forma como a gente consome e o entendimento e a percepção do indivíduo ou empresa sobre o impacto de cada bem produzido desde os recursos naturais até o impacto social e o descarte desse produto”.

E como podemos praticar esse consumo? O primeiro passo é conhecer a empresa que você apoia. Em relação às marcas é necessário conhecer os seus fornecedores e trabalhar com empresas que possuam uma gestão de sustentabilidade, códigos de conduta e cuidados com as pessoas. Além disso, é importante desenvolver suas próprias diretrizes ambientais para os seus fornecedores.

Moda agora e no futuro

Para Mariana Santiloni, com a retomada do mercado, vamos ter duas vertentes.

O já conhecido Revenge Buying, que é um movimento nada sustentável, mas que já vem acontecendo em algumas partes do mundo, onde as pessoas voltam a comprar por um desejo reprimido, ou pelo impulso, para gerar felicidade e satisfação pessoal. A pesquisadora de tendências acredita que no Brasil, esse comportamento possa acontecer no final do ano, na época das compras de Natal.

“Mas o que não podemos esquecer é que ainda há um sentimento muito forte de incertezas. Hoje o Brasil entra na maior recessão dos últimos 120 anos, então a forma como vamos lidar com tudo isso. Pode ser que a curto prazo ocorra o Revenge Buying, mas mesmo assim, o consumidor vai ficar com sentimento de incerteza pandêmica e por isso surge também aquele que vai consumidor com mais cautela”, afirma Mariana.

E, para esse consumidor cauteloso surgem opções de peças de revenda e aluguel, para ocasiões de festas e para o dia a dia, mercados que refletem a sustentabilidade.

Polêmicas sobre a sustentabilidade

Miguel Sanchez acredita que as marcas têm uma visão limitada sobre sustentabilidade focando nas fibras, algodão orgânico, carbono positivo, onde há compensação de CO2 utilizado. Tudo isso é muito importante, mas há ainda muito a ser feito.

Ele destaca a reciclagem como um fator essencial num mercado onde há o descarte de 30% do que é produzido no mundo quando falamos do segmento de moda. E, também ressalta o uso do cânhamo como alternativa no segmento denim, o que não altera em nada o toque e a maciez e elogia o algodão brasileiro, que não precisa de irrigação, o que gera a economia de água nas plantações.

“Pensem que o segmento de moda produz, em um ano normal, 6 milhões de peças por ano. Pensem que 30% disso vai para o lixo, pensem no solo, materiais, processos…Tudo o que foi utilizado. Temos um problema grave de consumo excessivo combinado à superprodução. Os consumidores conscientes buscam artigos mais duráveis e o denim é perfeito para isso”, comenta Miguel Sanchez. “A ideia de lavar o jeans era fazer que se parecesse com uma peça usada e ainda podemos reutilizar tecidos”.

Larissa Roviezzo ressalta que os créditos de carbono surgem como uma solução para as empresas poluidoras mitigarem seu impacto, mas ninguém pode afirmar ainda como chegam nesses cálculos. Por isso ela acredita na força da agricultura regenerativa como uma solução para remover o Co2 da atmosfera.

Além disso, Miguel Sanchez acredita que o crédito de carbono é um conceito errado. É preciso investir em certificações, informes técnicos e mensagens verdadeiras. E destaca outro ponto importante como o Greenwashing, onde as marcas demonstram ser transparentes, mostrando que tudo foi produzido de modo controlado, mas o Greenwashing começa dos fornecedores que fazem produtivos mais atrativos para o marketing das marcas, e muitas vezes, com dados que não são confiáveis.

“As marcas pegam esses dados e os transformam em outro marketing barato para o consumidor que não tem possibilidade de fazer uma comparação, uma investigação se essa informação é precisa ou não”, indicou. Para resolver esse problema vem surgindo movimentos na Europa que regulamentam e barram mensagens que não se baseiam em informações confiáveis. “Na minha opinião, o ponto mais importante para o futuro é eliminar essas mensagens falsas”.

Para Miguel a transparência é essencial e a indústria da moda é uma das que mais investem nisso, porém, ainda estão longe de uma transparência total. Para ele, há um caminho a ser percorrido para que um grande número de marcas possa investir em coleções mais sustentáveis, não somente pequenas produções que não têm o poder de modificar o mercado.

Vendas online

Mariana Santiloni abordou os novos movimentos que vêm surgindo no ambiente online como estratégias que estimulam os sentidos para aplacar a ansiedade desse momento desafiador. Para isso, as empresas promovem um estilo de vida mais lento e uma conexão emocional com o público e realizam estratégias através de animações meditativas, sugestões de looks baseados em como os clientes estão se sentindo ou ocasiões de uso, como peças para festas, final de semana no campo, reunião, entre outros.

Outro ponto, segundo Mariana, é desenvolver boas experiências na hora da devolução, fidelizando o cliente, mas também, é importante, que se evite essas devoluções, encontrando maneiras para que os produtos cheguem da forma correta. Para isso, foram criados provadores virtuais, que cresceram em 800% e vêm chamando a atenção.

Há ainda a estratégia de investir em peças sob demanda, o slow fashion cada vez mais presente na vida das pessoas, não só em ocasiões especiais, mas também para o dia a dia, com foco em exclusividade e na sustentabilidade, evitando assim o desperdício.

Futuro

Para inovar no mercado de moda, de um modo mais sustentável, Larissa Roviezzo acredita que é preciso investir, cada vez mais no desenvolvimento de fibras biossintéticas, como polímeros de base biológica com matérias-primas provenientes da cana de açúcar, milho. O segundo ponto é a circularidade trabalhando todo o ciclo de produção e sua transparência.

Geração Z e suas inquietações

E não podemos falar de futuro, sem mencionar a tão famosa geração Z, que atualmente, pode até não ter um alto poder de compra, mas que irá aumentar nos próximos cinco anos. Essa geração, que tem menos de 25 anos, corresponde a 41% da população mundial e é a mais preocupada com as questões ambientais. Eles exigem das marcas, um futuro melhor através de estratégias que possam combater a crise climática e, também se mobilizam para ajudar nessa questão.

Marina Santiloni destaca quatro comportamentos da Geração Z para ficar de olho já. São eles:

• Eles se preocupam com o greenwashing e seguem questionando esse modelo de negócio, são como detetives e vão atrás de informações verdadeiras.

• Exigem que as marcas tenham o compromisso de comprovar os impactos ao meio ambiente. “83% deles acreditam que quando uma empresa se atrela a uma instituição que tenha fundamentos sustentáveis, eles conseguem enxergar verdade naquilo”, afirma Mariana.

• Créditos de carbono também são importantes para essa geração, no caminho da redução do efeito estufa.

• Mercado de revenda faz sucesso entre os mais jovens, por isso é necessário entender e investir nesse segmento.

A compra do denim

Por fim, Miguel ressalta a importância na hora de adquirir sua peça jeans. “Quando for comprar um denim pensem que estão fazendo um investimento e não uma compra impulsiva. Devem considerar todos os aspectos e maneiras para melhorar o futuro do planeta. Ele deve ser durável e o jeans é um instrumento fantástico para isso”.

Confira a conversa completa abaixo:

Fonte: Vanessa de Castro | Foto: Reprodução