Houve um tempo, lá pelo final dos anos 90, em que o jeans teve vergonha de parecer jeans. Isso porque teve início a conscientização do consumo de moda, e a informação dos processos de beneficiamento poluentes do produto vazou para o grande público. Então a five pockets tomou dois caminhos: o do visual sarja, distante do aspecto índigo beneficiado. E a aparência de brechó, reproduzindo no visual o look de uma peça reutilizada. Sempre, buscando isentar qualquer associação da nova oferta, com o jeans que passava por processos poluentes.
Hoje estamos vivendo uma nova fase dessa conscientização – porém em um nível mais elevado. O consumo do ciclo da moda, como um todo, tornou-se objeto de reflexão. Então a roupa com cara de nova – em seu significado mais amplo – passou a ser o novo alvo. Logo, não temos apenas o jeans pisando em ovos buscando aparência de peça reaproveitada. Temos também todos os argumentos que envolvem o ciclo da moda, influenciados pela estética upcycling, elevados a um formato extremamente direcional.
Dessa lógica vieram não apenas novos efeitos de lavanderia: como o laser simulando quebras de tonalidades, e imitando diferentes tecidos costurados. Temos também novas construções orbitando ao redor das mesas de modelagem. O planejamento de peças quebradas por recortes, e recobertas de detalhes frayed passou a fazer parte de um estilo criativo extremamente direcional. Se um dia foi contestado em nível industrial – hoje é um dever de casa do qual depende o sucesso de uma coleção. De preferência, proveniente de meios verídicos. Ou seja, de peças realmente resgatadas de algum destino ocioso, para uma nova vida comercial.
Fonte: Vivian David | Fotos: Reprodução









