Os 2000 representaram um importante marco para a indústria do jeans: a partir deste ponto, a saída dos processos envolvidos na fabricação do jeans do anonimato, iniciaram gradativamente uma nova trajetória rumo à conversão em diferencial de marketing e percepção de qualidade. E como vimos em nossa matéria anterior sobre o jeans estampado, essa trajetória resultou em um impacto inspirador para a superfície do denim, pois agregou ao segmento um novo e consistente mix desejo.
Mas o conceito de sustentabilidade não ficou restrito apenas ao acabamento do jeans: a idéia de redução de insumos naturais passou a ser explorada em todos os seus sentidos. O ano de 2006 foi bastante ilustrativo desta movimentação, com marcas internacionais influentes como Mavi, adotando o algodão orgânico nas coleções, e anunciando a iniciativa abertamente para seus seguidores. Também neste ano, a Ong Cotton from Blue to Greem, passou a coletar calças jeans em doações solidárias para transformação das fibras em revestimento de casas. Em 2010, chamou bastante a atenção a idéia através da parceria da Ong com a gigante Gap, que lançou uma campanha de doações do jeans usado para tal fim.
A idéia de reaproveitamento, sustentabilidade e reciclagem, tornou-se corriqueira tanto na etapa do descarte do jeans, quanto no início do seu processo de fabricação, através das alterações na composição do próprio tecido. De modo que passada a primeira década do III milênio, campanhas de grandes nomes da indústria do jeans anunciando o reaproveitamento do denim descartado para confecção de tapetes, ou a inclusão do plástico de garrafas pet na composição do denim tornaram-se frequentes. O segmento passou a receber influências induzindo ao apelo da sustentabilidade não apenas por parte das grifes, mas também dos fabricantes de matérias primas.
Tecelagens como a Isko, passaram a dedicar regularmente um espaço para o apelo eco-friendly, como diferencial entre o sortimento de denim lançado a cada temporada. Composições mais amenas para o meio-ambiente passam a se destacar, como o Denim com Tencel®, a fibra de Eucalipto que acrescenta qualidades térmicas e biodegradáveis ao tecido. Também a adesão ao algodão reciclado, ou orgânico dispensando pesticidas, assim como as mudanças na composição reduzindo o tempo de resposta do tecido aos tingimentos e lavagens, e consequentemente, otimizando o uso de água no acabamento.
Enquanto a indústria do jeans adepta do uso de produtos químicos, pedras e enzimas permaneceu oculta, reservada aos bastidores do Lado B, as marcas praticantes do laser passaram a retirar seus processos de acabamento do anonimato, colocando suas iniciativas em evidência como forma de atribuir maior valor agregado aos seus produtos. Com a movimentação, a indústria do jeans passou a vislumbrar na variável tecnologia de ponta suas principais estratégias para conquistar mais espaço e construir argumento para novos produtos. Resultado: uma tendência de mercado. Hoje a epidemia da busca pelo maior desempenho, pela otimização, pela mecanização e reprodutibilidade inclui todas as dimensões da indústria denim: desde a matéria-prima até o acabamento, passando pelo toque e mesmo a ergonomia da modelagem. Na próxima semana, vamos nos aprofundar ainda mais nas misturas eco-friendly que vem sendo adotadas no segmento azul, e em como a idéia de sustentabilidade, no universo denim, vem se transformando em um excelente negócio. Até lá!
ViVIAN DAVID / FOTOS:REPRODUÇÃO















