Como vimos na semana passada, foram grandes demandas, e imensos desejos coletivos imediatos, que induziram o estabelecimento de enormes equívocos ambientais na história do jeans. Os criadores da lavagem com pedra; Marithe Bachellerie e François Girbaud, assistiam com impotência seu visual influenciar e criar toda uma indústria, na época completamente alheia aos danos ambientais causados pela industrialização dos respectivos processos.
Com o tempo e com o crescimento da corrente de consumo consciente, tais práticas tornaram-se insustentáveis. Convenhamos: do ponto de vista do fashion business, levar adiante um produto extremamente promissor, cuja produção era fundamentada em quantidades incalculáveis de recursos naturais, e cujas previsões indicavam escassez em um futuro muito próximo; desenhava um cenário absolutamente comprometedor. Assim, foi justamente do ápice desta pirâmide poluente, que surgiu a primeira manifestação de mudança de visão nos processos de acabamentos do jeans através do advento da criação da enzima. O novo ingrediente, lançado com a conveniente classificação de produto biodegradável, mostrou-se devidamente qualificada para substituição dos produtos usados até então, em todas as etapas de beneficiamento – incluindo o desbotamento. Entre as primeiras marcas nacionais que adotaram a nova alquimia, estavam a antiga Staroup – o que ilustra a sua influência entre o final dos anos 80 e meados dos anos 90.
Foi um passo modesto, porém providencial para o desenho de uma trajetória inversa nos processos de acabamentos do jeans. Após a inclusão da enzima entre o repertório de químicos industriais adotados pelas lavanderias, a idéia de que tecnologia de ponta poderia ser sinônimo de otimização do uso de recursos naturais, mostrou ao mercado que tinha algum fundamento. Também o jeans, como produto, passou a ter argumentos para dar continuidade à sua caminhada.
A conduta eco-friendly, no entanto, definitivamente não foi a grande responsável pela adesão aos novos processos; mas sim, seu discurso capitalista. A nova alquimia era mais produtiva e reprodutível do que os métodos anteriores. Ou seja: representava custos menores. Gradativamente os fabricantes de soluções para o tratamento do denim, passaram a perseguir a automação associada à evolução de suas credenciais ambientais, como forma de oferecer às grandes lavanderias um diferencial de produto. O ano de 1993 manifestou os primeiros sinais desta nova conduta de mercado, com o surgimento da primeira empresa criada tendo como missão justamente a criação de novas técnicas e máquinas dedicadas a este conceito: mais tecnologia, para menos recursos naturais, e maior reprodutibilidade. Trocando em miúdos: estamos falando do surgimento do laser. O impacto que essa nova tecnologia trouxe para as tendências do segmento, e as mudanças provocadas por esta nova forma de tratar o jeans, serão o tópico da nossa próxima publicação.
VIVIAN DAVID | FOTOS: REPRODUÇÃO













