Produção mundial de vestuário desacelera

A previsão da United Nations Industrial Development Organization (UNIDO) constatou que a produção industrial mundial diminuiu no segundo trimestre – ressaltando que o ritmo de recuperação pode estar desacelerando.


A pesquisa da agência mostra que a produção industrial cresceu 5,2% no segundo trimestre de 2011em comparação com o período do ano passado. No entanto, esta taxa de crescimento foi inferior aos 7,5% registrados no primeiro trimestre deste ano. Se esta tendência se mantiver, o crescimento global do valor acrescentado da produção para este ano deverá ser de 5,2%, o qual é ligeiramente inferior ao registrado em 2010.


Segundo o relatório da UNIDO, as causas do abrandamento estão associadas com a redução na dinâmica do consumo privado e no comércio internacional durante o segundo trimestre, fomentado pelo aumento das políticas fiscais – uma consequência dos riscos de não cumprimento das leis por parte de alguns países europeus.


As estimativas de crescimento mostram que a produção de produtos básicos de consumo, como têxteis, vestuário e calçado, manteve-se elevada nos países em desenvolvimento – com aumento na China e na Turquia, devido à crescente procura dos consumidores. Mas existem também sinais de que alguma desta dinâmica começar a perder o seu ritmo.


A produção trimestral anual no setor dos têxteis subiu 4,8% nos países em desenvolvimento, mas manteve-se estável nas demais economias, com um crescimento mundial de 3,1% no total.


Na categoria de vestuário, a diferença é mais acentuada, com o aumento da produção atingindo 10,6% nos países emergentes, mas caindo 1,6% nos demais países. A produção mundial de vestuário cresceu 5,4% no período de três meses em comparação com o ano anterior.


Do primeiro para o segundo trimestre registrou-se uma mudança relevante para os países em desenvolvimento: verificou-se uma queda de 1,3% na produção de artigos de vestuário, contrastando com um aumento de 3,1% nos outros. O aumento mundial foi de uma taxa de 0,2%.


Para o setor têxtil, está previsto um crescimento estimado de 1,6% (países emergentes) e uma queda de 1,1% (nos demais países) e um aumento de 0,7% para o segmento como um todo.


O relatório afirma que os países em desenvolvimento têm mantido taxas de crescimento da produção industrial mais elevadas, aumentando de 11,1% do total no segundo trimestre. O seu valor acrescentado na indústria deverá crescer 8,4% em 2011. A China foi a grande contribuinte para este crescimento, com um aumento na produção de 14,3% no segundo trimestre em comparação com o mesmo período de 2010. A produção industrial da Turquia cresceu 8,3%.


Foram também observadas taxas de crescimento da produção industrial maiores em países latino-americanos: Argentina (8,5%), Chile (7,8%) e Peru (5,8%), mas em outras grandes economias em desenvolvimento, como o Brasil, Índia e México, a produção diminuiu e manteve-se abaixo dos 5%.


A produção industrial dos países industrializados aumentou apenas 2,7% no segundo trimestre em comparação com 5,4% no primeiro trimestre. Para o ano de 2011, o crescimento do valor acrescentado dos países industrializados vai provavelmente ser em torno dos 3,2%, segundo a UNIDO.


A taxa de crescimento da produção nos Estados Unidos, o maior produtor do mundo, caiu para 4,4% no segundo trimestre, dos quase 7% no primeiro trimestre. As taxas de crescimento da produção caíram em França, Itália e Reino Unido. A Alemanha manteve um crescimento elevado de 9,4% no segundo trimestre.


A produção industrial caiu 10,8% na Grécia e 0,8% em Espanha. Foi ainda observado um declínio significativo no Japão depois do desastre natural, com a sua produção industrial a cair 7%.

PORTUGAL TÊXTIL | FOTO: REPRODUÇÃO