Roupas mais reais, que possam ser vestidas por qualquer homem. Este foi declaradamente, um dos principais discursos adotados pelos designers que apresentaram as coleções da temporada ready-to-wear de verão 2015-16. Nessa busca, o denim leva vantagem, e amplia sua importância conciliando suas características de toque com o acabamento exigido pela alfaiataria, ou desempenho necessário para o sportswear, o frescor inerente ao estilo navy, e a linguagem necessária para a moda de rua e suas contravenções. A equipe do GuiaJeanswear analisou conceitos e inspirações explorados nas coleções baseadas no material, e antecipa com exclusividade aos leitores, os temas que vão influenciar os lançamentos voltados para o menswear no Verão 2015-16.
IDEAL CLOSET: agrupa o mix em denim sóbrio, essencial e sofisticado, e é voltado para o homem maduro e clássico. A busca declarada pelo guarda-roupa ideal masculino, a trajetória rumo a uma moda mais real, e o foco nas interpretações modernas das peças essenciais do closet de todo-o-dia. Tal definição, guiou consistiu na própria inspiração de marcas influentes como Burberry Prorsum, Prada, Giorgio Armani e Bally. Neste guarda-roupa, as inspirações giram em torno dos básicos e da alfaiataria, da funcionalidade do estilo workwear, e das peças essenciais do menswear, que são reformuladas pelo experimentalismo em busca de um acabamento mais elevado, como a representação distressed em couro apresentada por Fendi, ou mesmo a aparência bruta do denim não lavado. Cortes primorosos, foco na fisionomia do blazer, tuxedo, e casacos em alfaiataria são coordenados ao mix mais corriqueiro do jeans como a five pockets, a camisa chambray, e as jaquetas biker, perfecto e básica, em produções de moda que resultam em um mood sóbrio e formal. Em uma lógica mais conceitual, Yoji Yamamoto também reforçou este conceito, ao retrabalhar o jeans e a alfaiataria buscando enquadrá-los no formato fashion. O denim varia do visual bruto, às lavagens discretas, em tons de azul, black, cinza e coloridos, colocados com jeitão de alfaiataria e marcados por vincos.
CREATIVE SPORTY: Creative Sporty é o denim confortável, esportivo e criativo, oportuno para o público menos formal e mais despojado. O tema se apropria de inspirações náuticas como o navy, e esportivas como o boxe e o motociclismo, para tornar o mix masculino mais casual e descompromissado, e busca transformá-lo em leituras originais através da associação com a arte, e principalmente com a efervescência cultural parisiense. Viagens exóticas e memórias clássicas da tv e cinema também cumprem esse papel, porém em menor proporção. Neste agrupamento, constam a fusão do navy com a Pop Art, da Dsquared2, a combinação da ambiência náutica com o Street Art de Dior, a associação do esporte com a arquitetura de Oliver Spencer, os colegiais de Paris interpretados por Kenzo, o boxe colorido de James Long, o jazz de Bottega Veneta, e o ballet náutico de Phillip Plein. As lavagens são mais claras, a alfaiataria interpretada em denim mais leve e fresca, e o jeans pode enfatizar o ripped, especialmente na paleta branca, e receber condecorações de múltiplos emblemas da marinha. O tema creative sporty, inclui referências como a calça jogging, concede maior espaço ao white denim no mix de bottons, e dialoga fortemente com cores luminosas e saturadas como o amarelo e o azul nas malhas e no couro. Aqui temos também as t-shirts de chambray amassadinho, e as bermudas com visual esportivo interpretadas em denim, o blazer do marinheiro, e um mix de estampas mais exótico e intenso, variando dos micropoás aos motivos de folhagens.
CONTRAVENTION: É o denim poluído, desgastado e oversized, voltado para o público jovem imerso no estilo streetwear. Em Contravention são agrupadas as inspirações que comunicam agressividade, e beiram a contravenção, a exemplo das raves com jeitão grunge de Alexander McQueem, o discurso fora da lei das gangues de motociclistas de Alex Mullins, os adolescentes contraventores representados por Sibling, as visões do punk dos patchworks excessivos de Junya Watanabe e do mix esportivo com maxi-ilhoses de Andrea Pompilio. Sendo assim, temos fits desajustados com ganchos soltos, barras enroladas, outerwear excessivamente trabalhado por remendos, ripped intenso, metais proporcionando respiros nas peças, e mesmo estampas colocadas com lógica de poluição no mix. O denim é lavado, estonado, ao estilo punk complementado por sujinhos e remendos, ou trabalhado por metais, estampas com toque e blocos de cor.
SCRAWNY ROCKSTAR: É o jeans ajustado, excêntrico e com pegada rocker. Scrawny rockstar, é um tema jovem, que interpreta o roqueiro líder de banda com lifestyle excêntrico cultuado e aclamado pelo público. Aqui temos a influência do metal pesado e dos anos 70. Neste formato temos as cores psicodélicas de Katie Eary, as bandas cultuadas pela TV de Undercover, o misse en scéne do rock pesado e visceral de Saint Laurent, o punk performático de Julius e o metaleiro clássico de No Editions. A ênfase é no fit skinny, mas as peças podem ganhar volume cilíndrico ao estilo grunge, e as jaquetas são trabalhadas podendo trazer franjas, ricos adornos em estilo militar, estampas vivas e patches de banda. A paleta black e cinza figuram como foco principal das interpretações em denim, seguidas pelo visual índigo, em lavagens ligeiramente faded uniformes, e os desbotados com reserva de pigmento. O jeans é o mais ajustado possível, e o outerwear traz um forte diálogo com coletes e pele. No mix de estampas, destaque para o animal print obscuro e psicodélico do vocalista de banda, variando as tonalidades de fundo. Os coloridos incluem a paleta terrosa, e o tom vinho, e no repertório de efeitos, destaque para o ripped no joelho, e os patches picotados.
VIVIAN DAVID / FOTOS: WWD









