Tecnoblu traz aprendizados pós-pandemia da indústria do jeans de Pernambuco

Na última semana, a Tecnoblu Your ID promoveu o webinar “A Força do Jeans de Pernambuco”. O sócio-fundador da tecelagem, Cristiano Buerger, conversou com Francisco Gonzalez, o Chico, coordenador de moda e atendimento da Vicunha Têxtil, Diego Leal, proprietário da Brytch Jeans em Toritama (PE), Lays Pimentel, consultora de moda para a indústria têxtil, Thiago Alexandre, diretor do Festival do Jeans de Toritama. A região agreste pernambucana está entre as três principais fabricantes de jeanswear do Brasil e entre as cinco da América Latina.

Cristiano Buerger iniciou a conversa perguntando quais os aprendizados adquiridos pelos profissionais durante esse período de crise. Diego Leal afirmou que sentiu a necessidade de ter um contato mais próximo com o cliente, seja no digital ou pessoal, quando tudo voltar ao normal, fortalecer parcerias para que a cadeia continue funcionando, além de perseverar quanto aos obstáculos.

Já Lays Pimentel mencionou que é importante não se isolar de conhecimento, trocando experiências que são enriquecedoras para conduzir novos elos e conexões. Neste cenário, Thiago Alexandre ressaltou a busca pela reinvenção e, que em breve, trará novas informações para o novo formato do Festival de Toritama.

Chico afirmou que a empresa tinha uma estratégia de lançamento traçada e que a pandemia pegou de surpresa. Por conta disso, desenvolveram outras estratégias de comunicação com os clientes, ouvindo sempre seus anseios e oferecendo o máximo de informações necessárias.

Cristiano destacou que, atualmente, as pessoas estão buscando resgatar algo em seus baús. Para Diego, a participação de sua marca no Festival do Jeans de Toritama foi um marco para a empresa há seis anos. “Isso nos motivou bastante, fez a gente pensar fora da caixa e aparecer mais. A cada ano a gente vem melhorando nosso trabalho”, afirmou proprietário da Brytch Jeans.

Para Lays, é importante sempre ver além do que é apresentado, ressignificando materiais que são possíveis de desenvolver de forma conceitual ou não, e também estar integrada em ações desenvolvidas na região que fortalecem o networking dentro da cadeia de moda.

Thiago Alexandre afirmou que, quando olha para trás, enxerga o quanto evoluiu e em cada evento é um novo aprendizado, tudo isso, sem nunca esquecer o passado e o que foi realizado. “Na última edição do Festival do Jeans reunimos mais de 60 empresas, com uma média de 20 mil pessoas nos três dias de evento, contando também o público dos desfiles”, comentou o diretor.

Olhar para o passado, segundo Chicho, é ver a evolução de seu trabalho, que é principalmente encantar o cliente, criar uma conexão e ajudar na decisão de escolha do melhor produto.

E o que os profissionais estão realizando na prática durante a pandemia?

Diego contou que estão colocando no ar o e-commerce de atacado. “Aceleramos esse processo (de digitalização), mudando nossa forma de atender e vender. Além disso, estamos atendendo pelo WhatsApp”, comentou proprietário da Brytch Jeans, que calcula vendas de 30 a 40% comparadas ao ano passado.

O formato não convencional de se trabalhar durante a quarentena foi reforçado por Lays, que enfatizou o canal online também para o setor industrial. Já Thiago disse que vem realizando diferentes pesquisas de como esse mercado vai se comportar daqui para frente, sem eliminar o evento físico.

Neste sentido, Chico comentou que a empresa criou um aplicativo mobile 360 com toda a coleção a um simples toque. Segundo ele, o foco no digital não tem mais volta, com desfiles online, vitrines 3D, home office, sem deixar de lado o contato pessoal, o toque no tecido, as visitas ao showroom.

Ações na retomada

Para Diego Leal, o momento pede coleções mais assertivas, produtos pensados e desenvolvidos com mais carinho e cuidado. É importante também estar mais próximo dos clientes e toda a cadeia para manter a força na retomada. Nesta mesma linha, Lays garantiu que é importante capacitar a equipe para o novo consumidor, criar algo realmente direcionado para esse cliente.

“É preciso fomentar pesquisas para essa equipe criativa, reestruturar a relação de experiência de consumo, observar os novos protocolos com transparência e segurança o que confere maior credibilidade”, afirmou Lays Pimentel.

Thiago Alexandre ressaltou a importância das mídias sociais e a revitalização das marcas. “Tem que entender que o cliente quando abre o instagram e não vê uma apresentação legal não se interessa pelo produto, é preciso investir nisso”, disse.

Enquanto isso, Diego Leal apontou a valorização dos profissionais também ganha destaque porque uma empresa não cresce sozinha. Ele acredita que é preciso ainda fazer a diferença com os clientes, facilitando a vida deles.

Lays Pimentel acredita que o cliente está cada vez mais ávido pelas conexões com o mundo digital e é preciso fazer isso de forma mais humana e individualizada, sem ser um processo engessado ou robotizado e com diferencial competitivo. Ela disse ainda que é necessário o entendimento de toda a estrutura de gestão para fortalecer os pontos fracos.

Em relação à transparência da cadeia de moda, os profissionais concordaram que é necessário valorizar cada vez mais todas as etapas do processo dos produtos. “Transparência, humanizar e investir na minha equipe”, comentou Chico.

Thiago Alexandre também enfatizou a humanização de cada marca juntamente com o mercado. “Vamos nos unir, vamos ser mais fortes para fazer cada vez mais as coisas acontecerem”, ressaltou.

“São mais de 300 mil pessoas trabalhando no segmento jeanswear no Brasil, e nós temos a obrigação de tornar essa cadeia mais forte”, acrescentou Cristiano Buerger. “Eu confio que o Brasil vai retomar de uma forma muito bonita e com a nossa capacidade de criatividade, o nosso otimismo, o nosso orgulho e gratidão, a gente vai fazer a diferença”, finalizou.

Fonte: Vanessa de Castro | Foto: Reprodução