Tendências se norteiam pelo revivalismo, minimalismo e sustentabilidade

De acordo com o gabinete da WGSN, autoridade global em tendências de consumo e design, o Outono-Inverno 2021/2022 internacional devem se dividir entre inspiração do passado, a procura pela simplicidade atual e pela exigência de produtos que respeitem o futuro das gerações e do planeta.

Divididas em três tendências – Conscious Clarity, New Mythologies e Phantasmagoria –, as orientações do gabinete de tendências para a temporada antecipam uma estação fria mais austera, mas com toques de opulência e, embora tenham sido elaboradas ainda antes da pandemia, apontam para valores como a qualidade e a sustentabilidade enquanto linhas condutoras.

Conscious Clarity (Clareza Consciente)

Com uma abordagem “menos é mais”, esta tendência foca em clássicos elevados, com o tato a assumir uma maior importância, nomeadamente no que respeita às matérias-primas, que se querem sustentáveis e com fios ultra suaves.

Depois de uma era definida pela escolha, como é que a sociedade irá se adaptar às restrições? Este é o ponto de partida desta direção, que abraça a beleza, a inovação e as oportunidades que surgem de se viver com menos. “Em todo o mundo, o impacto das mudanças climáticas estão se revelando de formas cada vez mais devastadoras, e viver com menos e de modo mais inteligente está se tornando um imperativo em vez de uma escolha”, afirma o WGSN.

Para as indústrias ligadas ao design, esta mudança para uma mentalidade minimalista vai assumir diferentes formas. No vestuário, a roupa do dia a dia irá usar cada vez mais têxteis com características de performance e hi-tech, que oferecem maior durabilidade e versatilidade.

O gabinete de tendências aponta ainda que vamos assistir a uma reavaliação dos temas retrô em todas as categorias de produto, embora não através da recriação de estilos ou décadas específicos, mas através de peças que estão mais enraizadas num design clássico.

Esta tendência pode ser resumida pelo designer industrial alemão Dieter Rams, apologista da ideia “menos, mas melhor”. Designs sem estação, peças utilitárias e funcionais, vestuário produzido com tecnologias que não produzem desperdício, conceitos minimalistas, inspirações de arte e designs intemporais e a fusão do tradicional com novas tecnologias fazem parte desta tendência.

New Mythologies (Novas Mitologias)

Em um mundo cheio de incertezas, os consumidores procuram novos significados na sabedoria ancestral. Esta tendência explora o ressurgimento da busca pelo que é local num mundo globalizado e o valor de olhar para o passado para criar o futuro.

O mundo já não é o que era. Velhas alianças políticas estão se desfazendo, as estruturas econômicas estão sendo desafiadas e as mudanças climáticas estão “rasgando” as ideias de como o planeta deve funcionar. Neste cenário, as estruturas tradicionais de poder estão de pernas para o ar.

Os indivíduos estão se juntando para impulsionar as mudanças que as instituições e os governos não estão sendo capazes de fazer. As vozes que há muito eram marginalizadas estão desafiando o legado do colonialismo e a revitalizando as culturas indígenas no processo, constata o WGSN.

“Face às rápidas mudanças, as pessoas estão também olhando para o passado para recolher sabedoria do conhecimento e hábitos ancestrais“, explica o gabinete de tendências.

Para o Outono-Inverno 2021/2022, estas mudanças vão valorizar as técnicas artesanais nas indústrias ligadas ao design, incluindo nos padrões e na celebração do patchwork. Os consumidores vão dar prioridade à proveniência das suas compras e procurar artigos que possam manter durante toda a vida, não apenas uma estação.

Materiais naturais, ingredientes orgânicos e inovações de base biológica serão preferidos nesta tendência, ao mesmo tempo que processos de produção circulares e a reciclagem serão igualmente aclamados. Nesta tendência, maior não quer sempre dizer melhor e o novo não é mais valorizado do que o velho.

O vestuário de outdoor será um espaço de inovação por excelência, assim como o revitalizar dos arquivos históricos como fonte de inspiração. As colaborações poderão ser reforçadas e a herança tradicional poderá se fundir com o estilo urbano moderno para chegar aos consumidores mais jovens.

Phantasmagoria (Fantasmagória)

Designs desconcertantes oferecem escapismo e opulência numa altura mais cinzenta. O medo – tanto o visível como o subliminar – está se tornando o novo normal, num mundo onde se difunde a violência, a insegurança econômica e a incerteza geopolítica. As taxas de depressão e ansiedade estão, de acordo com o WGSN, em níveis elevados em toda a Europa Ocidental, nos Estados Unidos, no Brasil, no Japão e na Coréia do Sul, e as mentalidades estão mudando para darem prioridade à segurança física e emocional.

Em um nível mais vasto, a ansiedade ecológica – que o gabinete de tendências define como a preocupação crónica com as implicações do aquecimento mundial – está sendo reconhecida como uma doença real. Em resultado disso, as pessoas procuram algum consolo em realidades alternativas, desde os jogos às plataformas digitais, passando pelos filmes de terror (um estudo do estatístico britânico Stephen Follows concluiu que este gênero é o que regista maior crescimento nos últimos tempos).

No design, isto vai inspirar uma mudança para produtos que têm um subtexto de horror e até distopia, mas também abre as portas a temas de sonho que são luxuosos e de outro mundo.

“A estética nesta direção paira entre a verdade e a fantasia, o passado e o presente e o virtual e o físico“, revela o WGSN. No Outono-Inverno 2021/2022, “os nossos sonhos podem não desaparecer, mas vamos estar mais abertos a confrontá-los ou a fugir deles através de uma combinação de realidades físicas e digitais”, resume o gabinete de tendências.

A estética será mais sombria, looks góticos e motoqueiros deverão emergir, nomeadamente para as mulheres, e os tecidos em stock poderão ter uma nova oportunidade de chegar ao guarda-roupa dos consumidores.

Fonte: Portugal Têxtil | Fotos: Reprodução