Transmissões de compras ao vivo são nova tendência de consumo na China

As compras ao vivo ou o chamado live shopping tem se estabelecido cada vez mais como uma tendência, em particular na China. Com resultados que falam por si, as empresas de marketing querem levar a estratégia digital além-fronteiras, com foco na Europa e nos Estados Unidos.

De acordo com as estimativas, as compras ao vivo representam quase 70 bilhões de dólares (mais de R$ 328 milhões) na China, já que são dezenas os influenciadores que testam produtos em direto através de transmissões nas redes sociais que, ao longo dos últimos anos, passaram a representar uma parte importante para os modelos de negócio da atualidade.

Com provas dadas do sucesso desta prática, as empresas chinesas estão contratando talentos estrangeiros para fazerem estas apresentações de produtos, com o objetivo de abarcar um público mundial.

O artista, DJ e youtuber Lalo Lopez é exemplo disso. Hoje vivendo na China, foi contratado pela Linkone Interactive, uma agência de marketing sediada em Pequim, que decidiu apostar no criativo, quando percebeu a dimensão dos vídeos realizados por ele para o Youtube e para o Instagram.

“Quando falo, olho para os produtos com a minha própria cultura, a minha própria experiência”, afirma Lalo Lopez, cujas sessões de transmissão ao vivo contam com a participação de até 15 mil espectadores.

As questões dos participantes que estão assistindo são respondidas em tempo real, também com um toque de humor à mistura que o criativo opta por implementas nas transmissões. “É mais fácil para mim me dirigir para um público de língua espanhola, porque partilhamos as mesmas raízes culturais”, explica Lalo Lopez à AFP, que pode receber até 226 dólares por uma única sessão.

A influência e os resultados das pessoas que trabalham com o digital estão sendo reconhecidos pelas empresas. Motivo pelo qual a Linkone Interactive está formando apresentadores estrangeiros há quase dois anos, segundo Zhang Zhiguo, CEO da agência, que soma cerca de 50 influenciadores e metade deles vivem na China, para atingir mercados como os EUA, França e Espanha.

Lalo Lopez

Mercado de milhões

O live shopping é mais uma extensão do comércio eletrônico que a imprensa estatal chinesa está divulgando para combater a pobreza nas áreas rurais. Desta forma, será possível, por exemplo, apoiar o trabalho dos agricultores, que passam a ter a oportunidade de vender produtos, como chá, online.

A comprovação do sucesso das compras ao vivo chegou em junho quando as empresas que integraram o festival de compras da plataforma chinesa Taobao geraram vendas superiores a 14,9 milhões de dólares (R$ 76 milhões).

Desde 2016, o setor de retalho tem visto resultados quando o Taobao e a JD.com lançaram os primeiros websites de compras ao vivo, que deverão, este ano, gerar mais de 181 bilhões de dólares (mais de R$ 921 bilhões), segundo um estudo da KPMG e da AliResearch, uma filial da gigante chinesa Alibaba.

Investir recursos

Rapidamente, nas palavras de Zhang Zhiguo, uma transmissão passou de captar “algumas centenas de espectadores” para ser “normal ter vários milhões” de pessoas assistindo.

Nos próximos três anos, Keane Wang, diretor de planejamento da Neusoft Cloud Technology pretende criar um centro de transmissão ao vivo em França e, consequentemente, quer contratar entre 300 e 500 apresentadores estrangeiros. “Depois do sucesso das sessões ao vivo no website de vídeo Douyin e no Taobao, as empresas chinesas estão prontas para tentar a sua sorte e investir recursos nisso”, assegurou.

As compras ao vivo continuam a ser secundárias em países como a França, mas estão emergindo em outros mercados, como é o caso da Rússia, aponta Alice Roche, apresentadora de Xangai, que transmite em inglês e francês.

“As compras ao vivo são uma nova forma de consumir. Dentro de alguns anos, será a principal forma das pessoas escolherem os produtos”, acredita.

Fonte: Portugal Têxteis | Fotos: Reprodução