Uma nova forma de trabalhar o varejo no conceito ESG

Em um dos talks apresentados durante a última edição do Denim Meeting São Paulo 2022, realizado no dia 22 de junho, na Denim City SP, grandes players do mercado trouxeram novos jeitos de fazer negócio com foco nas práticas ambientais, sociais e de governança de cada empresa.

Com o tema “Quadro atual e expectativa média e a longo prazo do varejo”, participaram do painel as empresas C&A, com a gerente executiva de ESG, Cyntia KasaiMalwee, com a gerente de ESG Taíse Beduschi; e a Renner, com o também gerente de ESG, Bruno Martins. A mediação ficou a cargo de Américo Guelere, CEO da FIB – Fashion Innovation Bureau.

Cada uma das companhias explicou o que vem fazendo dentro do conceito ESG. A C&A, por exemplo tem como propósito trabalhar a moda com impacto positivo para sociedade, onde a sustentabilidade sempre fez parte da história do magazine. “Nossa nova área de ESG conecta nossas ações, olhando para o meio ambiente  e com geração de valor a longo prazo”, afirma Cyntia.

A empresa trabalha em todo o ciclo de vida do produto, desde o desenvolvimento, a matéria-prima até a fabricação, logística, venda omnicanal e destinação e sempre está em busca de novos materiais mais sustentáveis. As entregas também são pensadas dentro da “economia verde” através de caminhões elétricos e GNV.

Desde 2018, a empresa mantém urnas nas lojas onde os clientes podem depositar peças usadas que são coletadas e seguem por três caminhos. As roupas em bom estado vão para as institutos, as que não tem condições são enviadas para reciclagem e o jeans é transformado em outra coleção, trabalhando a circularidade dentro da cadeia de varejo.

“As peças em jeans coletadas são misturadas às sobras da produção do fornecedor, o tecido é desfibrado e transformado em um novo artigo, onde são produzidas peças para a coleção Jeans Circular com duas a três entradas por ano”, comenta Cyntia.

Além disso, atualmente toda a cadeia é verificada e auditada, isso quer dizer que são conferidas desde condições dignas de trabalho até aspectos socioambientais. Entre as metas para 2030 estão aumentar em 80% as matérias-primas sustentáveis, promover a economia circular, reduzir a produção de plástico e, continuar a investir na equidade e diversidade, levando mais mulheres a cargos de liderança.

Taíse, da Malwee, iniciou sua apresentação com um questionamento. A moda que a gente usa hoje precisa custar o nosso futuro? Atualmente, 80 bilhões de peças são produzidas por ano gerando 10% de emissão de gases de efeito estufa e 20% da poluição industrial da água. Além disso, a cada 60 segundos, um caminhão de roupas é descartado.

Para mudar todo esse cenário a empresa trabalha com a campanha Moda sem Ponto Final com foco em roupas duráveis, novas tecnologias que impactam menos e a circularidade. A última iniciativa da Malwee foi o projeto Moletom Des.a.fio produzido através de fibras recicladas (VEJA MATÈRIA).

Bruno, da Renner, contou sobre as metas concluídas no ano passado, onde trabalharam o compromisso de ter pelo menos 80% de produtos mais sustentáveis, 100% de algodão certificado, 100% de fornecedores nacionais e internacionais com certificação sócio-ambiental, além da redução de emissão de gases em 30% e 75% de energia vinda de fonte renovável de baixo impacto.

O novo ciclo de sustentabilidade que estão lançando nesse ano vem sob três pilares: diversidade, marketplace mais sustentável e a potencialização do impacto positivo. “No primeiro ciclo a gente falava de matérias-primas recicladas, orgânicas e biodegradáveis. Agora estamos falando de matéria-prima regenerativa, que ajuda a regenerar o meio ambiente. A questão das embalagens de plástico também é um tema importante”, comenta Bruno.

E qual é o papel das empresas para incentivar essas mudanças na cadeia de moda?

Segundo Cyntia o grande desafio é a colaboração. “Temos um grande problema e ele é de todos. Eu acredito muito no poder de transformação das empresas e isso só é feito através de colaboração. Não é fácil, mas ela ajuda a potencializar o resultado das ações.” E, acrescenta: Esse trabalho de puxar a cadeia e fazer a transformação é muito árduo, demora um certo tempo para amadurecer, mas é o caminho que a gente acredita para induzir todas essas mudanças”.

Bruno acredita que a logística é um dos elementos mais desafiadores. Taíse destaca as metas para firmar parcerias e conseguir alcançá-las.

E como fica o consumidor final dentro desse contexto? Optar por um artigo sustentável já é fator de decisão de compra?

“Isso varia muito. Ninguém chega na loja pedindo uma calça com fio reciclado. A gente tem que oferecer, mas isso não acontece de forma natural. Precisamos mostrar que temos um produto sustentável. E nosso papel é educar e apresentar essas opções”, afirma Bruno.

Para Bruno, ter 80% de produtos menos impactantes é uma forma de não “nichar”, normalizar esses produtos, sem pagar a mais por isso.

Taíse percebe que os consumidores estão olhando mais por isso. “Nossos jeans que utilizam menos água tiveram uma grande repercussão, porém, é essencial fazer um processo de comunicação e divulgação trazendo o charme da moda para o tema sustentabilidade”, comenta Taíse. E, continua: “Temos que escolher os caminhos mais curtos para o consumidor entender a democratização da sustentabilidade. O jeans feito com 1 copo de água, por exemplo, não custa mais caro que um convencional”.

Cyntia acredita que não adianta o esforço, inovação, tecnologia para o desenvolvimento de matéria-prima sustentável se o cliente final não consegue ter essa percepção. “Trabalhamos com transparência, de comunicar e divulgar que aquela peça tem estilo, moda e é também sustentável”, destaca Cyntia.

A gerente conta ainda que segundo pesquisas realizadas pela C&A, mais de 40% dos clientes buscam ou se importam com algo mais sustentável. Porém, essa peça precisa estar alinhada com elementos de moda e o fator preço. “Mães de bebês e crianças pequenas são mais atentas à isso, ao procurar um algodão orgânico que confere maior conforto. Os mais jovens também estão antenados com produtos menos impactantes”, diz Cyntia.

E a comunicação com o consumidor final é realizada por tags informativos, silks internos, campanhas, mídias sociais, entre outros.

Já para o online o desafio é maior, pois as pessoas são muito rápidas no e-commerce. Além disso, deve existir essa conexão entre o mundo on e off também no ponto de venda. Para Taíse o desafio é trazer essa informação de uma forma mais interessante.

Confira a programação completa do Denim Meeting São Paulo 2022: