Universo denim é pauta em live da Focus Têxtil

A Focus Têxtil apresentou, na última semana, a live “Denim Day – Blue Inspirations” reunindo experts do mercado para um bate-papo sobre inspirações e insights para o segmento denim. Estiveram presentes Guilherme Gaspar, fashion designer e consultor denim, Robi Spatti, diretor e idealizador do evento Novo Brás, além de estilista e consultor no segmento jeanswear, Lúcio Ceratti, gerente comercial da Focus Têxtil, e a CEO do Guia JeansWear, Iolanda Wutzl.

A conversa contou com mediação de Renato Hojda, diretor comercial da Focus, e Mariana Goulart, gerente de marketing da empresa. Os profissionais comentaram sobre esse rico segmento e o estoque diferenciado que a têxtil mantém com tecidos importados inovadores que o mercado nacional não consegue oferecer.

Segundo Lúcio Ceratti, que acredita no crescimento de artigos mais confortáveis e tecidos leves com Tencel, viscose e malha, há uma gama ampla de produtos com bases e fibras diferenciadas.

Iolanda Wutzl ressaltou que essa nova realidade traz uma confirmação do que já vinha se desenhando como maior adesão ao home office, sustentabilidade, busca por tecidos mais leves, com toque e que possam ser trabalhados em lavanderia, porque além de confortáveis, precisam ser desejáveis para as pessoas se vestirem com prazer, também dentro de casa. E, já que no home office os tops aparecem mais nas reuniões, lives e webinars, nada melhor do que investir nessas peças incrementando com detalhes diferentes, customização explorando ao máximo também outros fits.

“É só escolher o tecido certo, estudar bem o seu público-alvo, o estilo, ter um bom parceiro de lavanderia e, explorar tudo isso nesse momento”, afirma Iolanda. A CEO do Guia JeansWear também indicou que, daqui para frente, teremos uma vida fora de casa, então é importante investir em opções versáteis.

Robi Spatti reflete que esse tempo em casa serviu para pensar e reaprender coisas novas. Para o consultor, as indústrias não exploram o denim como deveriam e o consumidor vai voltar diferente, não vai comprar qualquer coisa. Por isto, o fabricante precisa investir nisso, com qualidade, desejo de consumo, diferentes modelagens e também roupas confortáveis, de acordo com cada cliente.

Guilherme Gaspar, que atende o mercado no Rio de Janeiro, afirma que o conforto sempre foi premissa na capital, onde as bermudas são as campeãs de vendas no segmento. Ele afirma que as pessoas vão consumir menos e por isso as coleções precisam ser mais assertivas. Menos produtos, porém com mais valor.

Além disso, agora muito mais no digital, as marcas precisam contar uma história, apresentar quais pessoas estão por trás daquele processo, entre outras informações. “A mudança digital vai acontecer sim e precisamos nos profissionalizar nesse sentido, melhorar e-commerce, abraçar o marketing, o comercial, o estilo, todos juntos. A revolução de como vender vai ser maior de como criar”, afirma Guilherme.

Para Renato Hojda, as coleções mais pensadas e menores valem para toda a cadeia, com menos lançamentos ao ano e produtos acertados. Robi Sapatti completou ressaltando que hoje há muitos modelos, uns parecidos com outros, modificando somente a lavagem. É importante apresentar variedade de modelos em lançamentos mais enxutos, focando em cada região que tem sua particularidade.

Pesquisas e inspirações

Guilherme Gastar apontou que cada marca tem um perfil diferente e, por isso é realizado um ranking de produtos mais vendidos para o direcionamento juntamente com planejamento por faixa de preço, entre outros. Os tecidos também são muito importantes na hora de decidir qual produto será lançado.

Robi realiza pesquisas internacionais em desfiles, lojas, além de perguntar o que mais funciona em cada local. “Eu já conheço o perfil dos meus clientes, já sei o que gostam, se vou colocar brilhos ou “peças commodities” e, para cada um existe um tecido diferente para um shape perfeito”, afirmou.

E, continua: “Trabalhar com jeans é para quem sabe. O fabricante tem essa filosofia – vou fazer bonito e depois me preocupar com a modelagem, mas isso não é verdade”.

Fast fashion

“O fast fashion, quando começou no Brasil, tinha outro intuito. Ele veio para fazer uma moda mais rápida, fazer cópia de uma marca desejo e transformar em uma marca mais barata e acessível. Depois virou sinônimo de competitividade e preço, aí a confecção foi eliminando acessórios, detalhes, comprando tecidos inferiores, para vender mais barato”, afirma Robi Spatti.

Guilherme Gaspar acredita que o sortimento vai mudar, mas o fast fashion também tem que contar a sua história e a do produto. Ele acha que este conceito de varejo não vai morrer, já que o brasileiro gosta de novidades e as pessoas querem consumir mesmo que produtos com valores mais baixos.

Porém, o produto não vende sozinho. As lojas terão que se reinventar, treinar suas equipes e estar presentes em todas as plataformas. “É o momento de pensarmos qual é a identidade do nosso produto, da nossa marca, repensar nosso negócio”, disse Guilherme

Lúcio Ceratti conta que nesse período procuraram estar mais perto do cliente através de novas ferramentas como o site com novos serviços. Com isto, Iolanda disse que é importante criar um lifestyle dentro da marca com novos produtos focados no segmento jeanswear como almofadas, mantas, colchas em índigo, ampliando o leque de sortimentos e investindo ainda na identidade do ambiente.

A ideia do evento Novo Brás, segundo Robi Statti, foi a de criar uma identidade para cada marca, reunindo desfiles, catálogos, divulgações.

Futuro bem próximo

Para Guilherme, é importante vibrar positivo e não no caos, na energia ruim, além de olhar para dentro de seu negócio, reconectando com a sua essência e sua verdade. “Toda marca tem uma história e boas práticas também precisam ser divulgadas. Acredito que esse olhar para dentro vai trazer colaboradores mais engajados. É hora de fazer esse dever de casa e melhorar nosso entorno”, comenta.

Mariana diz que é válido pensar no micro para depois chegar no macro como objetivo final. Já Iolanda Wutzl destacou que o momento é ideal para aperfeiçoar algo que não conseguia antes por conta da correria, criando produtos novos e desejáveis, investindo em tags, detalhes, contando histórias.

Seguindo esta linha, Robi Spatti ressaltou que primeiro é necessário acertar o que estamos errando. “Não vamos conseguir fazer tudo, por isso vamos nos especializar em um tipo de produto. Vamos melhorar o que temos. Vamos olhar para dentro de nossa empresa. Talvez esse seja o começo de uma nova realidade para o mundo”.

O mundo pós-Covid não será mais 100% igual, de acordo com Lúcio Ceratti, por isso é importante explorar novas formas de trabalho num momento em que o mercado ainda vai estar retraído.

Fonte: Vanessa de Castro | Foto: Reprodução