Varejo europeu aposta em diferenciação

Com os principais mercados europeus pressionados pelas restrições econômicas e o crescimento da população estagnado, os comerciantes procuram alternativas para promover o crescimento das vendas, apostando em novos focos e espaços renovados.

De acordo com uma pesquisa realizada pela empresa de consultoria Bain & Co., menos de 40% dos comerciantes europeus são bem sucedidos nas iniciativas de diversificação, como a entrada em mercados estrangeiros de rápido crescimento ou novos formatos de lojas e serviços.


O estudo, disponibilizado exclusivamente no Reuters ConsumerRetail Summit, que aconteceu na Europa em junho deste ano, concluiu que os comerciantes precisam trabalhar mais para encontrar conceitos originais, adaptá-los aos mercados locais, testá-los mais cientificamente e depois executá-los através de uma equipa dedicada.


Os resultados vão promover uma leitura séria para os empresários europeus ocidentais que procuram cada vez mais diversificar, à medida que seus principais mercados se tornam saturados, enfrentam condições econômicas adversas e um abrandamento no crescimento da população.


A população da Europa Ocidental deverá crescer a uma taxa composta anual de apenas 0,1% de 2010 a 2025, enquanto a crescente consolidação registrada nos últimos anos aponta que varejo tenha tornado-se ainda mais competitivo.


“Com as fontes tradicionais de crescimento esgotando nos seus mercados internos, os empresários da UE têm tentado criar novos veículos de crescimento”, revela Joelle de Montgolfier, diretor sênior da Bain & Co. para produtos de consumo, varejo e luxo na Europa (e um dos principais autores do relatório).


No estudo de 25 empresas, vendedores de vestuário e eletrônicos, o relatório documenta mais de 500 tentativas de diversificação entre 2000 e 2010. A mais frequente – representando cerca de 50% do total – e também a mais bem sucedida, com uma proporção em cerca de 45%, foi a expansão para mercados estrangeiros. A segunda mais comum, mas também a que menos obteve bons resultados, foi o novo conceito de loja.


O sucesso foi avaliado por uma série de medidas, incluindo crescimento de vendas e vendas por metro quadrado. As medidas lançadas depois de 2008 foram excluídas por serem muito recentes para determinar o seu sucesso.


A empresa de consultoria afirma que, apesar de tentador copiar o sucesso de outros, a chave para ganhar com um novo conceito de loja é encontrar uma ideia original, que capte o estado de espírito do consumidor. Para tal, são necessários pesquisas e testes extensivos, citando como exemplos de sucesso os cases da nova rede de hipermercados Simply Market, da francesa Auchan e da Electro Depot, loja de eletrônica da Boulanger. As britânicas Tesco e J. Sainsbury estão entre as empresas mais bem sucedidas nas tentativas de diversificação, embora no período da pesquisa tenham feito menos tentativas do que as rivais, como as francesas Carrefour e Casino.

PORTUGUAL TÊXTIL | FOTO: REPRODUÇÃO