A moda entra em vários ciclos de tendências que marcam gerações, e testemunham mudanças sobre a sociedade. Não é apenas sobre o que vestimos, mas como estamos pensando e o que fazemos para expressar o que sentimos. Por isso, a Canatiba chamou a consultora de moda, Bia Aidar, com sua pesquisa global de tendências, para dar spotlights do Verão 2020.
Bia, que está gerando uma fashion baby, haha… destacou uma forte presença da camisaria e alfaiataria em diferentes padrões de cores, estampas, formas e funcionalidades. O mercado irá oferecer opções de calças com cortes mais sequinhos, jaquetas, vestidos e a volta dos clássicos macacões – peça que nunca sumiu do radar fashion, mas agora ganha releituras.
O primeiro ponto destacado, e talvez o mais importante para acompanhar as tendências do público mais jovem é o hibridismo. As formas não aparecem separadas, puras, mas se fundem na simetria das peças. Perguntas sobre o que é uma saia ou o que é uma bermuda, serão recorrentes, pois os modelos podem representar as duas coisas.
O No Gender ganha força nas próximas estações, separações do que é para homens e mulheres, já não tem mais peso. Estamos falando da aceitação das formas e diferentes belezas que pautam nossa sociedade atualmente. O que antes era visto como feio, passa a ser visto como belo.
A alfaiataria passa a valorizar elementos fundamentais, tanto no inverno quanto no verão. Ela agrega ao público mais jovem, versões mais esportivas, colocando efeitos na calça Jogger, paixão dos skatistas. O ativismo nas mídias sociais, implementa a visão do look, e apresenta uma geração que se comunica visualmente. A Logo Mania, e o efeito de Copy and Paste são muito explorados nas mídias.
Aidar também abordou a cultura da juventude que já não troca figurinhas, mas tem uma visão sustentável e empreendedora, e uma brincadeira. A cultura do sneaker é maior do que podemos imaginar, adolescentes vendem seus tênis de segunda mão pelo Instagram. Essas peças passam a ser vistas como algo interessante, e não uma vergonha.
As marcas vêm explorando a arte moderna, com trabalhos de aerografia. Agora, entram na tendência looks mais simples, porém trabalhados em camadas, principalmente para o jeans, onde isso aparece no cós, os tecidos são misturados, e as peças ganham um lado mais utilitário.
O mercado de produtos veganos no mundo tem crescido consideravelmente, a moda upcycling, tendência global, muda a maneira como o consumidor se vê frente a marca. O contato com a natureza também é fundamental. O mercado feminino tem trabalhado principalmente os detalhes de amarração, com detalhes que acinturam a silhueta.
Os efeitos de patchwork continuam presentes, e a cartela de cores promete ser mais alegre, com o beach club, detalhes em neon, estampas animais, xadrez. As marcas passam a trabalhar a conscientização, pensam em salvar os oceanos, trabalham o ecológico e reaproveitam o que já foi usado.
Tons de amarelo, azul, marrons terrosos, verdes alegres e militares, laranja, vermelhos quentes, rosa e lilás, marcam inverno e verão. A mistura de tonalidades, tendências street e orientais serão mais apresentadas.
Os jeans apresentam costuras em contraste e detalhes no abotoamento. As calças aparecem mais acetinadas, listras no masculino e no feminino permanecem, e as bermudas biker passam a ser comentadas. Bolsos e volumes são mais trabalhados, as calças vêm com zíperes que as transformam em bermudas, e substituem o uso que bolsas para os mais jovens. T-shirts no jeans em corte ‘A’ voltam com tudo, e a jaqueta cropped agora vem com zíper e isso permite que a peça seja longa ou curta. O blazer aparece com contraste de cores, a mini saia ganha amarração lateral, e as saias midi vem em jeans. Os shorts mais soltos são itens queridinhos, mas é preciso prestar atenção no consumidor final.
Fonte: Beatriz Fleira | Fotos: Equipe Guia Jeanswear
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