O jeans adentra os anos 90. Ainda que dotado de um novo ingrediente biodegradável – enzima de celulose , continua carregando sua má fama de indumentária poluente. Como reação, adota como estratégia um certo distanciamento de sua aparência original como forma de continuar constando no mercado. Nos bastidores, no entanto, prepara-se para sua reação mais definitiva. É neste período, que emerge no segmento, uma nova indústria, focada justamente na aliança entre os princípios capitalistas e a exigência de sustentabilidade. A primeira empresa criada nestes moldes iniciou suas atividades no ano de 1993: a Jeanologia. A mesma que cinco anos depois, lançaria para o mercado a primeira máquina de beneficiamento à laser: novidade que adentrou em solo tupiniquim no ano de 2001, através da adesão ao novo modelo de acabamento pela lavanderia Bela Vista.
O jeans tratado com o laser passou a ostentar números e percentuais mais apresentáveis para o consumidor: redução de 60% no consumo de água, e a eliminação completa da adição de produtos químicos. No entanto, a credibilidade para com o novo modelo no início dos anos 2000 ainda era modesta. O mercado, em geral, associava a nova tecnologia a uma estratégia de marketing leviano. Mas foram as, tímidas adesões, que pouco a pouco, confirmaram que assim como a introdução da enzima de celulose, o laser também se mostrava um avanço mais reprodutível: logo mais produtivo do que os anteriores.
Trocando em miúdos: tratava-se de um avanço mais adequado ao modus vivendi capitalista. Somado à isto, o beneficiamento a laser também abria as possibilidades para além dos efeitos de desgastes e amaciamento, tornando possível a fusão das técnicas de estamparia com as soluções de acabamento. Este, sem dúvida, foi um dos grandes incentivos para o crescimento do jeans estampado nas passarelas e araras de marcas influentes neste período: na medida em que cresciam as adesões ao laser, a peça tornava-se mais receptiva à texturas e toques, e podia ser reinventada através de desenhos e padrões cativantes. O resultado foi um novo crescimento de mercado em termos de consistência e amplitude.
Hoje toda coleção de jeans possui seu mix decorativo, variando no efeito sanfona em proporções maiores ou reduzidas dentro da coleção – mas sempre mantendo-se presente com bom apelo comercial. O advento do laser, foi muito mais do que um passo orgulhoso e confiante rumo à sustentabilidade: tornou-se também uma das ferramentas mais libertadoras para os criadores do segmento. A possibilidade de alterar a nuance do tecido com precisão vetorial, tornou possível o desenho de qualquer imagem a partir das variações do índigo: desde os padrões decorativos ao aspecto vintage fiel. E tudo isso, endossado pelo sistema produtivo. Na semana que vem, vamos analisar como a sustentabilidade transformou-se em um dos principais argumentos para agregar valor ao jeans. Até lá!
ViVIAN DAVID / IMAGENS: REPRODUÇÃO















