A 56ª edição da Casa de Criadores aconteceu entre os dias 22 e 27 de julho, no Centro Cultural São Paulo e reuniu 33 desfiles, com nomes já conhecidos como Fábia Bercsek que retorna ao calendário, além de Roger Dognani, NotEqual e, Ken-gá, entre outros.
O jeanswear sempre esteve presente no evento, de um jeito muito peculiar, ora em novas construções, ora no mood workwear moderninho, mas também, seguindo a alfaiataria ou a moda artesanal e o upcycling. Aqui, o denim é muito mais do que um artigo, ele revisita a circularidade, chama atenção para diferentes culturas, tribos e nichos, que muitas vezes, são esquecidos ou pouco vistos nas grandes varejistas. É a roupa autoral, que não segue padrões ou tendências, mas sim o estilo e os desejos de cada criador.
Com foco na moda que pode ser reutilizada, marcas como Estúdio Traça, Lucas Caslú e a estilista Fábia Bercsek trabalharam peças de jeans usadas no conceito do upcycling. O Estúdio Traça, de Gui Amorim produziu peças em parceria com a Levi’s no desenvolvimento de modelos a partir da jaqueta trucker e da calça 501, juntamente com tecidos da Serg Denim. Desse mix surgem o contraste do delavê e do bruto em listras, tiras, vazados e recortes onde entram ilhoses, botões, amarrações e muitos shorts curtinhos, microssaias e volumes, tudo sem perder a identidade das peças reconstruídas.
A moda de Fábia é colorida, streetwear e traz moletons amplos, bermudas justinhas e o jeans como obra de arte onde entram respingos de tinta, desenhos, marmorizados, rabiscos e formas geométricas, além de texturas no aspecto couro, seguindo uma pega comfy atual onde os tons claros mesclam-se aos rosas e lilases.
Lucas Caslú utilizou retalhos num emaranhado de tiras que formavam um casaco, efeitos tie dye e sobreposições com recortes em ondas juntamente com mangas longas e volumosas e a mistura de tecidos em calças e jaquetas, tanto no jeans quanto na sarja, com um quê de patchwork. O denim somente amaciado surge no vestido de um ombro só com manga comprida e aplicações de tecidos coloridos. O toque artesanal ficou por conta do conjunto vazado com cerzidos.
Vittor Sinistra brinca com as modelagens no top e saia plissada e com aplicações de laços no black denim manchado. A Plataforma Açu aposta na mistura de tecidos com transparências, costuras marcadas e pregas na calça pantalona. UMS 458-LL e Sukebanwear renovam o denim com desfiados, sobreposições de peças, manchas e tiras.
A marca de beachwear, Ken-gá traz peças abusadas com transparências, vinil, animal print, hot pants, tops e pantalonas. O jeans da Santista vem com o fio Repreve, produzido a partir de garrafas PET e num lindo tom de azul intenso com toques de alfaiataria sem perder a sensualidade da marca.
Já a marca Casa Paganini apostou nos terrosos com toques artesanais e no denim sofisticado, puro e clean com delicados bordados florais, pregas e modelagens amplas. Outra marca que trouxe flores estilizadas no denim, com costuras coloridas foi a Jacobina, onde menos é mais.
Guilherme Dutra trabalha a lavanderia com estampas a laser em jaquetas e calças oversizeds. A Nalimo é outra marca que traz os beneficiamentos no jeans com sobretingimentos e desbotes amarronzados. O visual street de Le Benites passeia entre os brilho e a calça clara com cintura baixa e abertura na lateral. A NotEqual faz um mistura muito interessante de estilos onde o jeans acinzentado vira saia longa sobreposta.
A marca Afro Perifa valoriza a sarja e o denim naturais em peças no bruto com brilho ou beges com aspecto de linho e jacquard com destaque para as estampas que exaltam o empoderamento e a luta do povo preto. O mood dos anos 70 aterrissou na passarela de Jal Vieira Brand com a flare no white denim repleta de faixas decorativas como se fossem babados.
Por fim, Rober Dognani com seu workwear renovado na mistura de tecidos e inspirações, destacando a calça black com enormes bolsos laterais e amarração na barra e a maxi pantalona no jeans com Liocel e brilho numa alfaiataria desconstruída.
Fonte: Vanessa de Castro | Foto: Divulgação


























