Ações assertivas definem pauta de edição online do Denim Meeting Pernambuco

A escolha de Pernambuco como ponto de partida da primeira edição online do Denim Meeting tem um motivo muito forte. A região, além de ser um grande pólo de jeans, é também um exemplo de pulso firme, batalha e criatividade no setor. Logo, a mudança forçada para o formato digital do evento, não afetou a escolha da região como um ponto central para realização do mesmo.

No primeiro talks online do Denim Meeting Pernambuco, realizado no último dia 17 de setembro, o tópico norteador da conversa foi “O Novo Normal”. Mas não no sentido “batido” da palavra, e sim, no ponto de vista da reinvenção.

Marlene Fernandes, CEO do Guia JeansWear, foi quem deu as boas vindas e anunciou o inicio da sequência de debates da programação. Os participantes Francisco Gonzalez, coordenador de moda e atendimento da Vicunha Têxtil, Matheus Fagundes, diretor comercial da Audaces, e Camila Walker, coordenadora de produto da Haco Etiquetas, debateram sobre “O posicionamento da indústria do denim para atender a nova demanda do mercado jeanswear”.

A conversa foi mediada com o astral e a simpatia de Juliana Medina, estilista e consultora jeanswear e uma das idealizadoras do Denim Woman. “Já estamos a seis, sete meses com esse novo normal portanto ele já é normal […] Agora, temos que falar de reinvenção, de colaboração”, opinou a especialista.

A forma como cada empresa estaria se reinventando neste momento de retomada, ainda durante a pandemia do novo coronavírus, foi o ponto de partida para a primeira rodada de opiniões do debate. Camila Walker compartilhou que na Haco, o consumo consciente tem sido um dos tópicos cruciais.

“Estamos no inicio da cadeia e estamos sentindo uma aceleração muito grande,” contou Camila. “Sabemos que a tendência de consumo consciente, por um valor justo e com sentido, já vinha em uma constante e já vinha crescendo e temos visto esse reaquecimento acontecer”, afirmou.

Francisco Gonzalez contou que, além das ações de segurança, a Vicunha adotou estratégias de empatia para com as situações difíceis enfrentadas pelos clientes. “Fizemos ligações, cuidamos de situações difíceis, de postergação de pedidos e cancelamentos”, contou. Entre as grandes sacadas adotadas pela companhia, mencionou os trend alerts.

“Criamos trend alerts disparando tendências”, explicou Francisco, ressaltando que a estratégia nesta fase não tinha a preocupação de vender mas sim de auxiliar. “Esse cuidado no jeito de trabalhar, em entender a dor do cliente, em fazer uma curadoria, em realizar ações pontuais nas regiões, foi tudo isso que contribuiu para um resultado melhor”, concluiu.

Matheus Fagundes contou que a Audaces, por ser uma multinacional brasileira, começou a passar pelo momento da pandemia com antecipação, por meio de uma de suas filiais situadas na Itália. Com isso, a companhia se preparou um pouco antes para enfrentar as dificuldades no Brasil. A preparação, de acordo com o diretor comercial, consistiu na aproximação com o cliente.

“Entender como poderíamos ajudá-lo no momento mais complicado, seja financeiramente  ou na utilização das tecnologias home office foi a estratégia usada nessa fase mais complicada”, compartilhou. Matheus Fagundes ainda destacou o valor da tecnologia nas transformações que as empresas estão sendo forçadas a adotar. “Muitas empresas começaram a olhar para dentro e rever seus processos, e a tecnologia é uma grande aliada nesse sentido”, explicou.

Neste processo, segundo o diretor comercial, “a parte do e-commerce foi fundamental, mas desenvolver a coleção e entregar mais rápido também foi”.

Juliana Medina destacou que a ênfase no online trouxe um paradoxo, onde as pessoas reduziram sua velocidade, mas a informação se acelerou. Com isto, acaba se criando um contexto extremamente favorável para o vintage e impulsionando o desejo pela novidade.

Francisco Gonzalez confirmou a afirmação, e contou que percebeu através de uma palestra online com os clientes, o quanto o poder da nostalgia era benéfico. Confirmando que a tendência tem sido explorada pela companhia, contou que a Vicunha resgatou do próprio acervo um tecido retrô 100% algodão de cinco anos atrás e o relançou durante o período da pandemia.

“Pegamos essa referência nostálgica, mas colocamos uma mercerização, um toque e brilho, e o tecido está bombando nas vendas”, vibrou Francisco. Sinalizando que a tecelagem pretende explorar, ainda mais a tendência, anunciou que a Vicunha pretende lançar ainda este ano uma variedade de denim com 14 oz, atendendo a demanda por um material mais pesado que se esboça no mercado.

“Nossa contribuição foi liberar ferramentas de forma gratuita, para levar soluções para quem estava precisando do serviço, e depois chegar na questão da maquina do corte automatizado”, explicou Matheus Fagundes. Por isto, liberamos uma parte de Try On do Audaces e também o Audaces Creative 4D, para que os designers pudessem criar coleções de casa.

Já na Haco, de acordo com Camila, uma das primeiras iniciativas tomadas foi a de marcar atendimentos. Antecipando os lançamentos, a Coordenadora de Produto anunciou que em breve a companhia lançaria uma coleção cápsula sustentável em formato digital. Também comentou que estariam ampliando a gama de representantes em Pernambuco para atender com maior excelência a região.

Abordando o tópico sustentabilidade, Camila Walker compartilhou um pouco das ações da Haco que seguem o viés eco-friendly. “Há mais de uma década fornecemos fios reciclados para empresas de dentro e fora do Brasil, para uniformes de futebol”, revelou.

“Temos esse know-how há muito tempo, a maioria das marcas esportivas já estavam atentas a sustentabilidade”, explicou. A coordenadora de produto anunciou que, em outubro, a Haco irá lançar uma coleção sustentável com uma lâmina somente de produtos biodegradáveis, e outra somente de produtos reciclados.

“Teremos o re-couro (couro reciclado), e conseguimos até polímero sustentável para o lacre […] Se o cliente quer isso, nós também queremos”, afirmou Camila, lembrando que a Haco tem diversas certificações.

Francisco Gonzalez destacou que a Vicunha fazia produtos sustentáveis desde o inicio de sua trajetória. Segundo ele, quando a companhia entrou no Nordeste não havia água na região, e as caldeiras eram alimentadas com sementes de caju. Trazendo argumentos atuais, compartilhou: “Temos Refibra, vamos trazer um lançamento incrível que são os Sulfursos, tecidos pensados para otimizar largura, otimizar lavagem, tingimento mentolado com pouca lavanderia”.

Ainda na linha da sustentabilidade, Francisco afirmou: “Estamos entregando quatro coleções anuais, porém, com portfólios menores de produtos”.

Matheus Fagundes comentou a importância de se trabalhar a sustentabilidade de uma forma cada vez mais competitiva. “Da ideia ao produto, o importante é o retorno de cada investimento que se faz”, indicou.

Os novos laços criados com a digitalização, a proximidade maior com os clientes gerada pela forma como os negócios estavam acontecendo na pandemia, e a força da atuação da região de Pernambuco em todo esse contexto foi uma importante reflexão compartilhada pelos participantes.

Nesse contexto, Francisco Gonzalez falou do quanto a região de Caruaru e Toritama se caracterizavam pela conduta guerreira. “É uma região rica, que ama coisa boa e que tem um lado muito legal de fazer roupas diferentes”, explicou. “Eu fico feliz que estejam criando coisas para essa região que é tão variada e criativa”.

Matheus comentou sobre as dificuldades da pandemia e sobre como o Brasil tem a capacidade de sair de crises. Complementando a afirmação, Juliana Medina destacou o quanto esta característica de superar dificuldades era ainda mais forte na região de Pernambuco. “Eles ditam as regras de um mercado tão aquecido”, destacou.

“Temos profissionais incríveis”, comentou Juliana, referindo-se mais uma vez a região de Pernambuco e ampliando as falas para o país como um todo. “Falta pouco para que o Brasil se torne um grande player do jeans mundial”, concluiu.

Confira a transmissão do Denim Meeting Pernambuco na íntegra:

Fonte: Vivian David | Fotos: Reprodução