Novos consumidores de olho na sustentabilidade em lavanderia e marcas com propósito

Durante a edição totalmente digital do Denim Meeting Pernambuco na última semana, evento promovido pelo Guia JeansWear em parceria com o Sebrae e o Núcleo Gestor da Cadeia Têxtil e de Confecções em Pernambuco (NTCPE), Hiago Martins, empresário da lavanderia Cristal, que está há 25 anos no mercado e oferece serviços de terceirização para diferentes marcas no Brasil, abordou o ponto de vista das lavanderias na criação de novos produtos para o consumidor.

E quem faz parte dessa nova geração que está tomando conta da moda e “ditando as regras de consumo”?

• Baby Boomers (de 60 a 80 anos): Pessoas que viveram o pós-guerra, idealistas, combativos, disciplinados. Foi a primeira geração que conquistou o direito de ser jovem descobrindo o jeans. Grande parte do dinheiro está nas mãos desse grupo, onde comandam grandes países e empresas.

• X (de 40 a 60 anos): Geração mais cética, empreendedora – 38% das startups estão no comando dessa categoria. São preocupados com o produto, alto poder de consumo, tem grande vontade de viver. Marcas como a Diesel surgiram nessa época.

• Millennials (25 a 40 anos): Tem alto poder de compra, defendem o consumo consciente, se engajam em causas sociais. Podem ser imediatistas, realistas e questionadores. Grande parte da força de trabalho no mercado.

• Geração Z (de 10 a 25 anos): São os que ditam as regras, apesar de não ter alto poder aquisitivo. Nativos digitais se adaptam às causas sociais e exercem grande influência nas outras faixas etárias (correspondem a 20% da população do Brasil). Enxergam o consumo de uma forma diferente, “menos posse e mais acesso à uma experiência”. A moda está sendo dominada pelos jovens e seus novos ideais.

O novo consumidor busca uma moda com propósito, com ética, apoia a sustentabilidade como foco de negócio, quer conforto e, tem o consumo como expressão da identidade individual.

Lavanderia: canal de comunicação para agregar valor para o consumidor final

Segundo Hiago Martins, a lavanderia pode ser uma ferramenta importante de venda para que a informação chegue corretamente para o consumidor final, abordando, por exemplo, sobre a economia de água e produtos químicos valorizando os processos sustentáveis e consequentemente a tecnologia que vem permeando as empresas.

“Tecnologia é um caminho sem volta na lavanderia, reduz o consumo de água e químicos, porém, não é barato, por isso, as marcas precisam valorizar as empresas e toda a cadeia para que consigam investir cada vez mais em novos processos. Nós como lavanderia queremos que essas informações cheguem ao consumidor final”, comentou Hiago.

Dentro desse contexto, uma das novidades da Lavanderia Cristal é o tingimento natural que será realizado em escala industrial com corantes extraídos da Gardênia, Mulberry, Amora Branca. É um processo mais caro, por isso é necessário que o cliente saiba sobre todas as etapas que o produto passa juntamente com seus valores agregados.

Além disso, Hiago falou sobre a importância de se valorizar os produtos locais. “Aqui no Sul criamos o selo Vale Azul, uma campanha para identificar as peças que são feitas no Vale do Itajaí, valorizando os produtos regionais. É importante trabalhar a potência de cada região”, afirmou.

Sustentabilidade em lavanderia

O que as lavanderias têm feito na busca por processos mais sustentáveis? Com certeza, ações como a diminuição do consumo de água, a utilização de produtos químicos biodegradáveis e o reuso dos efluentes gerados, a substituição de processos manuais por automatizados e a automação das máquinas são premissas básicas para dar início à essa questão.

Ainda de acordo com Hiago Martins, o maior desafio é ter essa consciência ambiental para fazer um produto artesanal em escala industrial. É isso que as lavanderias mais engajadas vêm tentando realizar cada vez mais com a ajuda de diferentes tecnologias como o laser, ozônio, nebulização, sempre procurando a capacitação de seus colaboradores.

O laser, por exemplo, traz alta reprodutibilidade onde é possível realizar efeitos naturais, não gera resíduos e ainda pode aplicar estampas. O ozônio não utiliza produtos químicos, é versátil, elimina várias etapas do processo e combinado à nebulização diminui em até 98% o consumo de água. Além disso, não há migração de cores.

A nebulização reduz o consumo de água, pode realizar efeitos useds de forma homogênea, somente amaciados entre outros. A valorização de toda a cadeia com foco na sustentabilidade e cada vez mais a importância de se comunicar com o consumidor. Esse é o caminho da moda no “Novo Normal”.

Confira a transmissão na íntegra do Denim Meeting Pernambuco:

 

Fonte: Vanessa de Castro | Foto: Reprodução