Canais DTC se estabelecem como mais uma opção de compra

Da mesma forma que as musicas, filmes e programas de televisão podem ser baixados e adquiridos pelos usuários segundo sua própria conveniência, muitas marcas se tornaram bem sucedidas e encontraram seu nicho justamente por encontrarem uma forma de proporcionar aos consumidores a mesma facilidade: de navegar e comprar segundo seu próprio tempo.

Nasce então o formato DTC – direto para o consumo, também no universo da moda. O sistema nada mais é do que uma inquietude na forma como as marcas distribuem os produtos, chegam e se relacionam com o consumidor.

E assim como os catálogos ou canais de compra de televisão que vieram antes, eles definitivamente se consolidaram como mais uma opção de compra para os consumidores  – diferente do suposto “golpe” temido pelo varejo tradicional. O DTC é um movimento de transformação que agrega valor aos negócios.

Os mercados DTC, novos gigantes do varejo, tem sido responsáveis pelo êxito de muitas marcas bem sucedidas.  No mercado global o público masculino habituado a comprar calças chino sob medida é um bom exemplo. Muitos, tem encontrado no site da marca Bonobos, a moda formal com modelagem rebuscada superior ou equivalente à busca original. No segmento feminino, as mulheres que procuram roupas fashionistas em grade plus size também são ilustrativas da mudança.

Em ambiente global, podemos mencionar a Eloquii’s. Em dimensões nacionais, todos os e-commerces com nomes estabelecidos que estão respaldados por um numeroso e diversificado mix de marcas jeans com numeração “real” – de Posthaus até Dafitti; o conceito DTC está literalmente lotado.

Este fenômeno, tem sido identificado por trás das categorias de produtos e de forma intensa no espaço do varejo. Concomitante, está sendo levado através de outras categorias como finanças e seguros, as quais motivam as marcas a emular a ideia de simplificação da experiência de consumo, indo ao seu encontro para entregar um determinado bem, que demoraria muito mais tempo para chegar através de uma marca tradicional.

Sozinha a categoria de lojas de e-commerce chama a atenção do consumidor atual em mais da metade (57%) dos que declaram que desejam comprar roupas nas lojas de departamento ou online seguindo as tendências dos filmes, televisão ou Netflix. ”Comprar em um ambiente onde eu possa ter o que eu quiser, na hora que eu quiser”, este é o lema que sustenta o mencionado comportamento de consumo.

Um comportamento que de acordo com a pesquisa Lifestyle Monitor™, realizada pela Cotton Incorporated, se eleva para 71% no perfil dos Millenials, segmento onde quase a metade dos consumidores (45%) toma decisões movido por questionamentos como “por que eu deveria ir a uma loja física quando posso comprar roupas online em qualquer lugar e horário?”

Taylor Shupe, co-fundador e CEO da Chinesa Future Stitch, uma as fabricantes de roupas com perfil mais inovador  e sustentável do mundo, recentemente afirmou que as companhias com perfil DTC são muito boas em usar as informações em tempo real para criar buscas refinadas e obter vasto alcance nas pesquisas.

A economia digital, se transformou uma avenida muito mais fragmentada e apta a alcançar uma diversidade maior de consumidores e gerações do que as lojas de marcas. A alguns anos atrás os clientes iam até as lojas que “vestiam o perfil das suas respectivas gerações”. As lojas, por sua vez,  investiam seus anúncios em televisões e jornais; enquanto as marcas preenchiam folhas completas de revistas com seus produtos.

Obviamente, televisão, jornal, e revistas continuam a nossa volta, mas o espaço do anúncio visivelmente encolheu. Em substituição, os criadores de moda e as lojas estão resgatando seus antigos clientes por email, enquanto as gerações mais novas estão sendo influenciadas por múltiplas plataformas digitais que seus pais não podem navegar ou raramente compreendem.

A maioria dos boomers (63%) estão mais inclinados a encontrar suas ideias de moda através de websites de marcas ou varejistas, de acordo com a pesquisa Lifestyle Monitor™. De acordo com a pesquisa, eles realizam suas compras através do recebimento de emails de marcas e varejistas de moda, além de sites de e-commerce. Já as gerações mais jovens como millenials e Geração Z estão mais inclinados a olhar para as plataformas digitais, como Instagram (62%), Pinterest (39%) , Facebook (43%) e Snapchat (22%).

Os consumidores enxergam as marcas DTC como mais uma opção. O que de fato os difere dos demais consumidores, é a sua disposição em aceitar conveniência e qualidade, e cultivar senso de confiança entorno da marca de uma forma que as grandes companhias não fizeram no passado. Os consumidores estão buscando um novo senso de conexão.

E estas marcas, apresentam como principal inovação a rápida capacidade de identificação destas novas áreas de valor, onde existe a demanda pela entrega de novos serviços, com novas possibilidades de crescimento.

Fonte: Vivian David | Foto: Reprodução