Marcas de moda jeanswear juntas para discutir o futuro do segmento e suas transformações

Na última edição do Denim Meeting, evento promovido pelo Guia Jeanswear e, que aconteceu no dia 25 de abril, no Anhembi, em São Paulo, os convidados puderam conferir o “Talk Show” que reuniu algumas das principais marcas premium e do fast fashion dentro do segmento jeanswear. Estiveram presentes, Kelly Veloso, coordenadora de estilo da Coca Cola Jeans, que faz parte do grupo AMC Têxtil com diversas marcas licenciadas, Bruna Olivo diretora criativa da Lança Perfume, trabalha com moda desde os 14 anos, Jaqueline Devegili estilista da Lez a Lez, marca do grupo Lunelli e, que trabalha há 8 anos no segmento denim. A conversa foi mediada por Priscila Locatelli, Pesquisadora e mestre no segmento Denim; que iniciou a discussão abordando a revolução que o mercado vem passando com todas as transformações que surgiram desde o fast fashion que impactou as marcas de luxo, o see now, buy now e como tudo isso modifica o universo jeanswear.


“A grande revolução que a gente está passando, desde que o modelo fast fashion surgiu gerou uma série de impactos, novos modelos de negócios, a cadeia está passando por mudanças constantes”, afirmou Priscila. Ela ainda contou que o jeans nasceu de uma necessidade quando Levi´s construiu o produto e, o rebite surgiu porque rasgavam as peças e precisavam de um reforço, depois tornou-se ícone de rebeldia, chegou no cotidiano e agora é quase um uniforme, todo mundo usa todos os dias, toda hora. E, questionou as convidadas sobre como vêem a influência e a importância do consumidor na evolução do jeanswear, principalmente no Brasil.


Jaqueline da Lez a Lez disse que atualmente o consumidor é muito importante, e as empresas devem olhar para o mercado e saber a necessidade da pessoa, o que está buscando quando procura um jeans? O jeans precisa ser confortável, agradável e versátil porque transita do trabalho ao passeio do final de semana.


“Nós como estilistas temos que olhar para o consumidor, o que está sendo desenvolvido em relação às tecelagens e saber o que o meu cliente vai gostar, o que vai aceitar? Colocar informação de moda, mas entender muito o consumidor. Nós fazemos acompanhamento de vendas em showrooms para entender os clientes, as faixas de preços que eles podem pagar, desde uma peça básica até mesmo uma peça premium, para um evento, por tudo isso o estudo do consumidor é muito importante em nossa cadeia”, comentou Jaqueline.


Priscila também perguntou se há diferença entre o jeans e os outros segmentos. Para Kelly, o jeans permite trabalhar de várias maneiras, onde é possível através de processos químicos e industriais transformar o produto tanto em uma peça básica quanto em um modelo para o mercado de luxo. “Hoje o mercado mudou, o consumidor mudou ele vai procurar uma peça quando ela tem realmente uma história para contar. Quanto maior o mix mais oportunidade de arriscar, mas atualmente temos que ser mais assertivos dentro da coleção, a gente trabalha com o jeans que é considerado um produto atemporal, porém como a gente vai fazer com que aquela pessoa saia de casa e vá buscar um novo produto, uma calça, saia, jaqueta. Como motivar esse consumidor a comprar um novo artigo?Atualmente o cliente não vai sair de casa somente para comprar, ele quer um valor agregado que conte algo, uma história”, comentou Kelly.


Bruna disse que o consumidor está em busca de inovação e uma das grandes riquezas do jeans é que ele possibilita várias linhas dentro da coleção como o Denim Collection da Lança Perfume, numa pegada mais sofisticada e com mais tencologia. “Temos peças com várias faixas de preços em nossa marca possibilitando atingir um público maior”, afirmou Bruna.


Custo X Valor X Preço


Priscila questionou também a relação do valor em relação ao produto denim. O que as pessoas estão comprando em relação custo, valor e preço?
Bruna afirmou que a Lança Perfume está vivendo um momento diferente. “Há cinco anos atrás a gente vendia um tíquete médio de 899 reais, hoje a gente percebe que o consumidor final quer matéria-prima, lavanderia de alta qualidade, além de tecnologia por preços menores. Atualmente nosso valor gira em torno de R$499, R$599 nos produtos premiuns, tudo isso gera muito valor no jeanswear”, comenta Bruna.


Jaqueline comentou que o fashion atinge muitas pessoas, já o premium é exclusivo por isso as marcas podem criar coleções cápsulas com estilistas renomados, contando uma história diferente da linha fashion. Kelly diz que as coisas estão muito aceleradas. “Estamos vendendo uma experiência, sempre com o perfil da marca, um valor percebido, ele não vai comprar um jeans somente por comprar. Qual o seu diferencial? É o tecido, a modelagem, design de produto? Devemos conhecer cada vez mais o nosso consumidor”, comentou Kelly. Segundo Bruna o DNA da marca tem cada vez mais valor em cada produto que fazem, chegando diretamente aos clientes fiéis.


Priscila questionou as participantes sobre como democratizar a moda no Brasil. Reinventando a cadeia? Para Bruna a democratização deve atingir os consumidores com um mix amplo de produtos. “A gente trabalha forte para isso, temos mais de 1000 produtos a cada lançamento e são cinco coleções por ano. Ela consegue encontrar desde o produto de R$199 até R$699 com uma ampla oferta de artigos”, disse Bruna.
Kelly concorda com Bruna sobre a democratização vir da oferta de diferentes produtos com opções de faixas de preços. Jaqueline acha importante ter vários produtos com valores diferentes, mas também se atentar para as bases de modelagens, o que veste melhor meu consumidor, democratizar o jeans pelo Brasil, onde cada região veste um fit diferente. “Não é todo mundo que tem o mesmo corpo, devemos atender os biotipos diferentes das brasileiras”, comentou Jaqueline.


Futuro


E o que nos espera no futuro? Para Jaqueline precisamos entender o consumidor, saber a diferença de gerar valor e custos, investir ainda mais em sustentabilidade, porque não tem mais como fugir desse item, incluindo os cuidados com o meio ambiente e todo o processo nos produtos de cada marca. Para Bruna é preciso se especializar cada vez mais no segmento, não é só saber desenhar um croqui, deve-se entender todos os passos da cadeia de moda. “Precisamos estar alinhados à toda a cadeia produtiva com profissionais preparados”, disse Bruna.


Kelly brinca que trabalhar com moda não é fácil: “99% transpiração e 1% inspiração”, afirmou. O caminho é árduo, longo e precisamos buscar sempre a inovação, olhar para o consumidor, entender o que ele vai querer mais à frente e, principalmente ficar de olho nessa nova geração de crianças que já vem com outra cabeça, já inseridas nesse mundo globalizado, pensando mais na sustentabilidade.

VANESSA DE CASTRO | FOTO: Osiris Lambert Bernardino