Mercado Livre fortalece ações calcadas em moda e sustentabilidade

Comprar moda atualmente implica em navegar na internet. E com a situação da pandemia do novo coronavírus, consequentemente, vender também.  Já que a internet se tornou “a rua mais segura” para transitar, assim como os consumidores, foi lá que os vendedores e lojistas foram buscar oportunidades para se comunicar de forma segura com o consumidor.

Foi aí que o Mercado Livre acabou se tornando “o amigo legal que todo mundo convida para a festa”, segundo as palavras de Tiago Corrêa, supervisor de marketplace de moda e esporte da companhia. Por oferecer um caminho democrático de vendas tanto para grandes marcas quanto para fabricantes regionais, a companhia, que tem 21 anos de trajetória e está presente em 18 países, acabou se tornando a estratégia de sobrevivência de muitos vendedores que não estavam preparados para realizar seus negócios em versão digital.

Atualmente, a cada três vendas online de moda, uma está acontecendo no Mercado Livre, que costuma receber cerca de 464 visitas por segundo, das quais 19 se revertem em compras, segundo dados da própria companhia. São mais de 10 milhões de produtos de moda anunciados atualmente na plataforma, hoje considerada a mais valiosa da América latina, e que agora está apostando em uma seção específica voltada para produtos que priorizam sustentabilidade.

Por todos estes motivos, o último dia do ciclo de palestras do Brasil Eco Fashion Week trouxe justamente Tiago Silveira Corrêa, para compartilhar o case de fortalecimento da plataforma Mercado Livre no consumo online de moda. O supervisor abordou o impacto do crescimento online na plataforma, os investimentos realizados durante a pandemia que se converteram em alta penetração de mercado, e a visão de sustentabilidade que a empresa adota e que agora está se tornando uma estratégia para fortalecer ainda mais as vendas de moda na plataforma.

Tiago Corrêa começou sua apresentação com um “overview” geral da companhia de “causar inveja” ao mercado. “Nosso fechamento de Q3 com as 18 operações que temos no mundo foi de U$ 5.902 milhões de dólares”, contou. “Nos dividimos em segmentações, temos no nosso ecossistema de negócios o Mercado Pago, o Mercado Livre, o Mercado Shops, o Mercado Envios e o Mercado Ads, com foco em publicidade”.

Em relação ao marketplace, de acordo com Tiago, 55% das operações atuais do Mercado Livre estão no Brasil, o que o eleva ao status de e-commerce mais visitado do país. “Fizemos um investimento de 4 bilhões de Reais no Brasil este ano, sendo grande parte deste investimento voltado para a entrega”, explicou.

A entrega é um dos fatores que modifica o perfil do consumidor, e por esse motivo a ação já estava prevista para acontecer desde 2019 e acabou fazendo sentido ainda maior para o desenvolvimento da cadeia logística da companhia no ano atual.

“A entrega mais rápida ajuda quem vende no Marketplace a ter uma redução de custos”, explicou Tiago. “Armazenamos, embalamos e entregamos o produto: temos o rastreamento dos nossos pedidos 100% acontecendo online e temos também a nossa parte específica de segurança, com grandes parceiros de negócios que garantem a nossa segurança na entrega”, contou.

De fato, quem já consumiu na plataforma sentiu o impacto deste investimento. “Hoje entregamos em todo o Brasil mais de 52% dos produtos em um prazo de até 48 horas”, afirmou o supervisor.

Ao mencionar a situação atípica gerada pela pandemia, Tiago falou de crescimento. “Tivermos um crescimento gigante online acontecendo […] Nos dois primeiros meses tivemos 45% de crescimento (cinco milhões de novos compradores na plataforma”, contou. “Uma semana normal de 2019 equivalia a cerca de 70% de uma Black Friday, mas falando do momento Covid-19 já temos uma semana normal de venda acontecendo 74% superior a uma semana de 2019”, comparou explicando que já estão vendendo melhor do que a semana de Black Friday do ano passado.

“É muito forte esse movimento, é uma penetração para estes 5 milhões de compradores que não compravam online, de experimentar e perceber o quanto consumir desta forma é bom e confiável”, destacou.

Mas. se os dados já são convincentes, quando a apresentação entrou no tópico moda se tornou ainda melhor, por apresentar caminhos e oportunidades. Segundo Tiago Corrêa, 11% destes novos cinco milhões de novos compradores entraram para comprar calçados e vestuário. Quanto aos resultados de vendas em moda no Mercado Livre, o primeiro quarto de 2020 equivale a quase 80% do que aconteceu em 2019 como um todo.

“Somos o maior mercado da América Latina e isso também se conclui em relação ao mercado de moda total, temos uma grande capacidade de desenvolvimento e de capilaridade de novas oportunidades e negócios para o setor”, explicou. “É um mercado muito grande e estamos aprendendo a lidar com ele”, disse Tiago.

As mulheres com idade entre 25 a 34 anos representam 62% dos usuários do Mercado Livre. Ainda de acordo com o supervisor de marketplace, 15% das compras realizadas por este perfil demográfico são feitas por IOS. “Hoje no Mercado Livre, 60% da nossa busca e compra está voltada ao online então temos que ter estratégias que conversem bem com estes três padrões – falar bem com a mulher, dentro da faixa etária mencionada, de forma que funcione no smartphone de maneira tão perfeita quanto no desktop”, explicou

“Temos grandes desafios ainda nossa penetração no online ainda tem muito a desenvolver mas como Mercado Livre um dos fatores muito importantes que percebemos nesse momento é que o tempo de entrega se tornou um dos grandes fatores decisivos de negócio para efetuação da compra”, completou.

“Então desenvolvemos o nosso full filled: o vendedor manda o produto pra gente, nós armazenamos, separamos e embalamos realizando a entrega em tempo recorde inferior a dois dias para todo o Brasil […] Em moda temos ainda uma outra modalidade que é o Flex, que só existe em São Paulo onde o próprio vendedor utiliza motoboy, realizando a entrega para o consumidor no mesmo dia sem taxas adicionais”, contou

Com relação aos desafios atuais, interessante perceber que Tiago menciona os mesmos obstáculos que muitas vezes as marcas já se depararam até mesmo nas vendas presenciais, na situação de normalidade anterior à pandemia. “O consumidor tem muito receio quanto ao problema de ter a garantia de que o produto é verdadeiro, além do problema de como ele vai saber que o produto vai ficar bom para ele”, explicou, apontando que o desenvolvimento de ferramentas capazes de solucionar tais questões representam uma grande oportunidade atual.

Muitos dados trazidos por Tiago Corrêa são úteis e direcionais para as marcas de moda. Em especial, o fato de que as buscas não priorizam a marca mas sim o produto. “Sete das dez principais buscas atuais não estão correlacionadas à marcas mas sim a termos de busca como camiseta, sapato, saia”, exemplificou. “Isso mostra que apesar do consumidor atribuir valor para marca, ele também se torna muito generalista no online”, concluiu.

Diante desta realidade, o supervisor contou que a companhia realizou mudanças muito fortes, como a transformação do mercado de publicidade no Mercado Ads para que as marcas realizem investimentos de publicidade buscando tornar a percepção do offline e online covalentes.

Quanto aos produtos de moda com melhor desempenho de vendas no Mercado Livre, Tiago explicou que os melhores classificados são os que possuem um padrão melhor. “Atualmente, 30% dos negócios de moda do Mercado Livre são de calçados, pois representam uma compra mais fácil onde existe padrão melhor”, explicou. A segunda é a de bagagens: “São produtos que não estão muito voltados a ter diferença de tamanho”. A categoria seguinte é a de moda íntima, com 9%, e lingerie.

“O Mercado Livre tem pensado muito em como utilizar a experiência do consumidor para que ele possa ter a melhor percepção no momento da compra”, anunciou mencionando alternativas como a criação de uma vitrine ou provador virtual como prováveis ações futuras. “Já temos algumas ferramentas que trabalham de uma forma legal, como a tabela de medidas, e acho que é por isso que não somos ainda mais fortes em moda devido ao desafio de padrão de produto, caimento e modelo”, concluiu Tiago.

Para 2021, o supervisor conta que a companhia já busca transformações de ferramentas dentro da plataforma capazes de ajudar o consumidor a enxergar melhor o produto. “Porque não um provador online, ou uma ferramenta onde você descreve como é o seu corpo é ela te recomenda o melhor tamanho para as medidas que você colocou […] Se temos a democratização para o vendedor temos que ter para o comprador”, exemplificou.

Entrando na questão de sustentabilidade, Tiago expôs algumas ações e a ideologia praticada pela companhia. “Percebemos a sustentabilidade como uma ‘alavanca’ extremamente positiva para o nosso negócio […] Já temos no nosso site uma parte uma Landing (Page), onde temos somente produtos que tratam a sustentabilidade como primordial, então, o consumidor já consegue achar essa parte no nosso site como um direcionamento”, garantiu.

Ainda de acordo com Tiago, as operações do Mercado Livre impactam o meio ambiente o mínimo possível. ”A gente consegue dar visibilidade aos sellers que tem a sustentabilidade como prioridade no seu negócio”, afirmou o supervisor, citando a presença de marcas veganas no portfólio como exemplo.

Para legitimar a mentalidade mencionada, Tiago Corrêa também lembrou o trabalho de publicidade feito na semana sem carro, onde a plataforma dando visibilidade às bicicletas. “Antes da Covid no nosso escritório trabalhávamos com quatro dias de estacionamento reservando o quinto dia para o transporte alternativo – ou seja, o funcionário teria que usar o transporte coletivo, uma carona ou mesmo a bicicleta para chegar”, contou ele, explicando que a ação funciona como estratégia de indução para mudanças no estilo de vida dos funcionários.

A apresentação deixou no ar um convite ao setor de moda para que peguem carona na tendência de crescimento da plataforma, deixando claro que  as futuras ações deste grande gigante da internet envolvem o fortalecimento das vendas em vestuário.

Fonte: Vivian David | Fotos: Reprodução