Mudanças previstas para beneficiamento do jeans em um futuro próximo

A indústria mundial das lavanderias de jeans é um setor em constante evolução. Mas, especificamente nos últimos cinco anos, as mudanças percebidas neste setor foram mais disruptivas e notáveis. O motivo de toda essa transformação, que tende gerar novas reconfigurações em um futuro próximo, foi tema do webinar transmitido pelo Instagram do empresário Sandeep Agarval, fundador da feira de negócios de moda Denim and Jeans e do portal de notícias Denimsandjeans.

A transmissão contou com a participação de grandes players da lavanderia mundial, entre eles Vasco Pizarro, diretor de marketing e vendas da Pizarro; Andrea Perego, especialista em lavanderia e acabamento da 7 For All Mankind; Daniele Lovato, head do grupo Ellieti Tunísia; e Luca Braschi, responsável pelo desenvolvimento criativo da Blue Alchemy.

Logo no início do debate, Sandeep esclareceu o objetivo do webinar em de fato expor o progresso que a lavanderia de jeans tem alcançado, para então identificar os rumos que ela deverá tomar nos próximos anos.

Contextualizando as transformações recentes ocorridas nas lavanderias nos últimos cinco anos, Vasco Pizarro destacou as mudanças decorrentes do modo de uso da tecnologia no setor, com destaque para a inclusão do laser, ozônio e iceblast, além de mencionar o papel dos químicos na sanitização e assepsia dos processos. Em seguida, comentou que a inclusão destas tecnologias tem trazido mudanças não apenas para o design mas também para o modo como o desenvolvimento é feito, provocando a redução do uso de insumos químicos e de água, proporcionando novos métodos de lavanderia e aplicação de químicos.

“Em nosso caso focamos as diferentes maneiras de otimização, buscando o desenvolvimento de novos produtos que possam não apenas ser mais sustentáveis mas que também possibilitem a redução dos custos”, explicou. “Estamos sendo bem sucedidos nos métodos que ligam diferentes tecnologias, por exemplo o laser com o ozônio, zero tecnology com wiser wash”, completou.

Além da flexibilização dos processos, Pizarro destacou também a importância do reuso da água nos processos, e comentou que foram realizadas mudanças significativas incluindo até mesmo a economia de até 50% do vapor usado nas operações. “É um conjunto de pequenas ações, que somadas resultam em uma grande estratégia”, concluiu.

Luca Braschi reafirmou que todas as mudanças que soam significativas no momento ocorreram nos últimos cinco anos. “Todas essas importantes tecnologias estão desempenhando um papel importante reproduzindo aparências que tem sido trabalhadas por anos”, complementou, alertando que muitos métodos antigos estão desaparecendo por terem encontrado em tais avanços substituição.

Em seguida, ressaltou que nem todas essas tecnologias são de fato recentes. “O próprio laser por exemplo não é recente, eu mesmo usava laser a cerca de vinte anos atrás quando poucas lavanderias se aventuravam, talvez porque trabalhasse com a Levi’s que foi pioneira em adotá-lo”, disse. Luca ainda apontou que o mesmo aconteceu com o ozônio, “o que mudou foi uma aceleração na distribuição mundial destas máquinas”.

“Hoje percebemos diversas lavanderias investindo em novos desenvolvimentos calcados nestas tecnologias e uma pressão por parte da inteligência destas empresas para que se trabalhe com elas”, ressaltou Luca Braschi.

De modo geral, toda a indústria acelerou seus investimentos na busca pela melhor inovação o que levou as lavanderias a flexibilizarem seus processos. “As máquinas que lavavam o jeans antigamente apenas o beneficiavam e hoje realizam múltiplos processos simultaneamente […] Elas podem aplicar bolhas, ozônio e lidar com a nova geração de químicos”, complementou Luca, explicando que o grande filão atual é sincronizar todas essas novas possibilidades juntas para obtenção do melhor resultado.

“Preciso da minha inteligência e criatividade para trabalhar da minha própria maneira, iniciando pela escolha do tecido que funciona melhor com as tecnologias disponíveis”, compartilhou.

Retomando as observações relatadas por Pizarro, Luca Braschi concordou com a visão de que a principal mudança que ocasionou tais transformações partiu da alteração no próprio objetivo perseguido pelas lavanderias, que antes seguiam a ideia de reduzir custos.

Ainda de acordo com ele, a meta ainda é esta, mas sob uma abordagem mais sustentável, incluindo outros fatores como o uso de recursos. “Se antes as perguntas envolviam o custo dos métodos, hoje elas envolvem questionamentos como quanto de água você usou, quais químicos foram empregados, pedra pomes e permanganato foram usados?”, exemplificou.

Segundo responsável pelo desenvolvimento criativo da Blue Alchemy, os requisitos são diferentes e é isso que está impulsionando as mudanças nos caminhos da produção do denim. Questionado por Sandeep se seus clientes todos seguiam tal conduta, Luca Braschi confirmou que sim.

Daniele Lovato comentou que existe uma mudança principal regendo o conceito de sustentabilidade. Segundo o head da companhia Ellieti, ela está calcada no uso eficiente das tecnologias de fato define os caminhos futuros da lavanderia, mas traz com sua abordagem um conjunto de riscos importantes a serem considerados.

Em primeiro lugar, citou o entendimento da classificação de uma lavagem como “eco-friendly”. Para o empresário, por mais que todos estejam falando sobre ser sustentável existem muitos players apenas tentando agir com uma abordagem sustentável. “Estamos bloqueados no que se refere a essência real e verdadeira de sustentabilidade, no que se refere a terceira etapa, composta pelas certificações dos processos”, explicou Lovato.

Segundo Daniele, não é a variedade de certificações o problema mas sim, a compreensão de qual delas de fato reflete o sentido real do conceito. “Existem tantos padrões mundiais, tantas certificações, que o empresario, a marca, a cadeia de valor e o próprio consumidor não entendem em qual padronização devem confiar”, destacou.

“O consumidor não tem as ferramentas para compreender qual a abordagem de sustentabilidade está consumindo, ele está confuso”, afirmou Daniele Lovato, apontando a necessidade de se descomplicar a comunicação dos atributos eco-friendly não apenas para o consumidor final, mas para toda a cadeia.

Para que essa comunicação se concretize, ainda segundo o empresário, é necessário que hajam mais dados, mensurando os processos, e de fato informando o consumidor quanto a dados como a quantidade de água, energia e químicos usada em cada peça. Na visão do empresário, esta será a próxima mudança que deverá se impôr para as lavanderias. “O problema é simples ou você não tem certificação, ou tem certificações demais”, brincou o empresário.

Como reação ao contexto exposto por Daniele, Luca explicou que tem percebido a união de diversas marcas no sentido de adotar a mesma certificação, como forma de lidar com tal excesso. “É um processo lento, mas que está se iniciando e tende a ganhar velocidade’’, apontou.

Reforçando esta reflexão, Andrea Perego opinou que de fato, existem muitas certificações no mercado, o que gera muita confusão na cadeia de suprimentos. “Muitas vezes eu recebo um questionamento sobre a real necessidade de se assinar uma nova certificação […] Se já tenho diversas certificações, porque tenho que aderir a mais uma?”, disse.

Para Andrea, esta é uma boa pergunta, e que coloca em evidência a confusão atual gerada pelos excessos de certificações. Em seguida, o especialista em lavanderia compartilhou que como marca, as ações da 7 For All Mankind com relação ao tópico envolvem o compartilhamento de ideias e metas na plataforma. “Não é fácil nem simples, vamos aguardar o futuro do mercado”, concluiu.

Fonte: Vivian David | Foto: Reprodução