Presidente cita e-commerce e adequação de lançamentos como apostas da C&A

Em mais um encontro online promovido pelo Fashion Hub Tech, a jornalista Lilian Pacce conversou com o CEO da C&A, Paulo Correa abordando o mercado de moda durante e pós-Covid-19. A discussão ocorreu no início desta semana.

Segundo o presidente, a fast fashion teve suas vendas online mais que duplicadas nesse período com picos, principalmente durante as inserções na última edição do reality show Big Brother Brasil, da TV Globo. Antes disto, girava em torno de 3 a 5%. Paulo Correa acredita que para o Dia das Mães deste ano as pessoas mesmo de longe vão procurar trazer algum tipo de lembrança, carinho e o online será perfeito para isso, de uma forma segura, tranquila e confiável.

“Quando surgiu a pandemia, a primeira coisa que fizemos foi pensar racionalmente para construir toda uma segurança financeira para sobreviver a este período e por outro lado pensar no lado criativo com um olhar para todas as possibilidades para aumentar as vendas e reinventar a C&A”, afirma Paulo.

Algumas lojas já começaram a ser reabertas nas regiões de Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Minas Gerais e Mato Grosso, seguindo todas as normas de segurança para a equipe e clientes e os protocolos e decretos governamentais. Nesse primeiro momento, o fluxo de pessoas é bem menor, em torno de 30 a 40% e varia muito entre as lojas. Por enquanto, os provadores não podem ser utilizados e as peças eventualmente trocadas ficam de “’quarentena” por 72 horas antes de serem apresentadas novamente para os clientes.

“O problema não é o dia que vai abrir a loja, o problema é o dia em que a gente vai se sentir seguro para ir às lojas. Isso é uma jornada que vai levar algum tempo”, diz Paulo.

A empresa aderiu ao movimento “não demita” e manteve seus funcionários, pelo menos, para os meses de abril e maio. Estão conversando com os shoppings e trabalhando mês a mês sobre o pagamento de despesas fixas.

Segundo Lilian Pacce, há uma discussão em torno do decréscimo da economia neste ano. Paulo afirmou que o PIB pode cair 5% até 9%, panorama muito grave para o país. “É um dinheiro que não volta, não recupera. De verdade, vamos ver uma perda irrecuperável”, comenta.

Em relação ao estoque parado nesse período, Paulo Correa afirma que a coleção de Inverno está fresca e sendo comercializada. Já para os essenciais, a empresa está organizando para se tornarem mais relevantes para as pessoas e atraindo principalmente as regiões com temperatura mais amena. Enquanto isto, as peças mais fashions estão com produção reduzida, porém, sempre com novidades apresentadas toda a semana.

“É um xadrez que a gente vai montando e tentando adequar conforme a necessidade dos clientes, e a realidade de cada região, à capacidade dos fornecedores e ao time de reabertura”, afirma Paulo.

Jornalista Lillian Pacce e o CEO Paulo Correa, da C&A, durante transmissão

Lançamentos e liquidações

Há uma grande discussão quanto ao período de liquidações no Brasil que segue o de fora, porém não é o adequado. Aqui, segundo Lilian Pacce, fala-se em ajustar para fevereiro, a remarcação do Verão e para agosto, de Inverno. Paulo Correa acredita que faz muito sentido essa proposta, mas acha que isso não vai acontecer.

“Empresas descapitalizadas, consumidores com menor poder de compra, estoques acima do desejado, fluxo em loja abaixo do normal. Tudo isso pode acelerar uma liquidação”, comenta Paulo. Além disso, ele diz que são muitos fatores ao mesmo tempo para conseguir que esse mercado muito pulverizado consiga diminuir a velocidade ou ansiedade para reduzir seus estoques.

Em relação às coleções, a C&A como uma fast fashion não parou de lançar novidades vem apostando em histórias atemporais que seguem o nível de interesse das pessoas. Segundo Paulo Correa, a procura está “mais curta do que no passado”.

“Não vou diminuir o número de chegadas de coleções, as pessoas querem histórias novas. E nesse momento percebemos que existem dois grupos: o primeiro que olha para a necessidade, do eu preciso de um pijama novo, um casaco para o meu filho e, o segundo que olha para a moda como entretenimento, uma forma de sair da situação, dessa carga emocional que a crise traz. A gente precisa atender essas duas demandas. Menos dinheiro no bolso significa menos peças, mas não menos moda”, comentou o CEO.

Sustentabilidade

Com uma “aparente” mudança de comportamento por parte dos consumidores que vão seguir buscando compras mais conscientes, a sustentabilidade faz parte da plataforma global da empresa trabalhando com três grandes linhas. A primeira delas são os materiais sustentáveis – em torno 70% de algodão que utiliza menos água, menos energia e pesticidas e, para o ano que vem a meta é chegar aos 100%.

Já a segunda é a rede de fornecimento que engloba toda a cadeia em processos ecologicamente corretos e a terceira vem pautada em vidas mais sustentáveis garantindo uma cadeia com condições justas e dignas de trabalho para todas as pessoas que participam do processo.

A C&A é a segunda maior empresa do mundo no quesito transparência, segundo o ranking divulgado pelo Fashion Revolution, e mantém linhas de camisetas e jeans compostáveis seguindo a economia circular. “O consumidor está ficando cada vez mais consciente sobre esse assunto e essa consciência gera maior demanda, essa demanda gera maior escala que gera custos mais viáveis e o acesso à uma grande parte da população a esse tipo de material e processo”, comenta Paulo.

O executivo afirma ainda que não há sobras na companhia pois eles doam ou vendem por um preço mais baixo para o Instituto C&A, ou quando tem algum defeito o produto é destruído e reciclado através de parceiros.

 Influencers e Inovações

Segundo Paulo Correa, atualmente, cada ser humano é um canal de mídia. Os influencers em especial funcionam na divulgação da marca, porém, somente com credibilidade, consistência e autenticidade.

Entre as grandes inovações no mercado de moda, o CEO aponta as análises de dados que procuram entender os desejos de compra dos consumidores que hoje abrange diferentes estilos, além disso há a tecnologia no desenvolvimento de produtos 3D com ciclos de produção mais curtos e com menos desperdício. A relação com o cliente, a forma como quer consumir também está mudando e seguindo uma jornada de compra múltipla.

Fonte: Vanessa de Castro | Foto: Rodrigo Caetano