Tecelagens nacionais somam grandiosidade ao selo Brasil na Colombiatex

Azuis profundos e limpos, misturas com elastano superior, larguras diferenciadas, algodão orgânico e, principalmente, qualidade. As tecelagens nacionais agrupadas pela 32ª edição da Colombiatex de Las Americas, unidas, somaram grandiosidade ao selo Brasil fundamentadas nesses relevantes argumentos. A feira foi realizada na cidade de Medellín, nos últimos dias 21 e 23 de janeiro.

Estande da Santista Têxtil na Colombiatex 2020

Peru, Colômbia, Bolívia, Argentina, Equador e México integram a lista de países que formam uma clientela parceira do nosso país, muitas vezes atuando como distribuidores dos materiais criados pelas tecelagens brasileiras em seus respectivos países de origem. “A América Latina para nós é um mercado muito importante”, comenta José Mauricio D’Isep, CEO da Vicunha Têxtil.

“A Colombiatex é uma das maiores e melhores feiras têxteis da América Latina por isso estamos presentes nela a muitos anos, participando e apoiando-a […] Aqui, cada país tem um aspecto a observar, os argentinos buscam o 100% algodão, o Peru busca elastano, o México opta pelas misturas”, completou D’Isep.

“O consumidor latino ainda conclui que o tecido leve  e popular não é durável, e que somente o pesado dá cara de jeans de verdade”, opinou Monica Garcia, gerente de exportação da Santista Têxtil. Segundo ela, a preferência reflete a influência da visão de produto dos latinos ao mercado americano, caracterizado pela mesma associação. A Colômbia está catalogada como um dos principais países confeccionistas do mundo e que possuem um know-how muito forte em lavanderia.

Como consenso, as tecelagens brasileiras ofertaram praticamente os mesmos lançamentos colocados para o mercado doméstico — salvo breves exceções. Um posicionamento que reflete a afinidade dos gostos e preferências dos consumidores latinos, reafirmando o quanto é válido unir estes mercados e aproveitar os tratados comerciais em nome do progresso.

Nos mostruários, os estilos deixaram que a qualidade do tecido se destacasse como informação mais relevante. Logo, as peças trabalhadas em efeitos espatulados, metais, desfiados e coloridos atuaram como coadjuvantes de tags eco-friendly e modelos onde o tecido protagonizou o chamariz principal. O denim mais pesado e as variedades com elasticidade superior, ainda refletiram as maiores procuras — muito embora a feira tenha sublinhado o poder do argumento comercial sustentabilidade, que ainda não protagoniza dos negócios mas reflete as buscas mais competitivas e prósperas do evento.

Na Canatiba Denim Industry, as práticas sustentáveis e a “elastização” do denim foram os cartões de visitas da tecelagem. O Bio Soul Eco Denim, foi apresentado em bases de 7 oz, e composições 76% algodão, 20% poliamida e 4% elastano. O tecido é mais um produto com o tag Éko Sustainable Denim que reúne bases com fibras recicladas, oriundas da madeira de reflorestamento, algodão certificado Better Cotton Initiative (BCI), tingimentos livres de anilina e princípio Eco Dye (com economia de água, energia e químicos).

Destaque também para o Trio Core, tecnologia desenvolvida pela própria Canatiba, que consiste em um fio com três almas: um filamento de PES (bicomponente) e mais dois elastanos, todos recobertos com algodão, que proporcionam elasticidade superior, menor compressão, conforto e alta capacidade de retorno. Ainda em comemoração aos seus 50 anos, a empresa expôs peças criadas por estilistas que representam a fronteira da moda nos seus segmentos, utilizando tecidos e tecnologias desenvolvidos pela Canatiba em colaboração com a Lycra®.

Lançamentos da Canatiba Denim Industry durante da 32ª edição da Colombiatex

Confirmando a percepção da busca pelo elastano e a procura por onças mais encorpadas, no espaço da Cedro Têxtil, a coleção Duo com a fibra T400 em construções superiores e larguras maiores, da linha Corpo, foi a grande estrela do mix. “Na feira anterior tínhamos duas variedades e nesta expandimos para seis”, afirmou Alessandra Leonel, gerente de exportação da empresa.

“Na Colombiatex, destacamos uma coleção com denim mais pesado pois é característica do mercado do Peru, Colômbia, Bolívia e Equador”, declarou. Questionada sobre o motivo, Alessandra explicou que o consumidor latino ainda reconhece nos tecidos mais encorpados maior durabilidade e qualidade.

Na Covolan Têxtil, o mix zero anilina definiu a paleta de azuis mais intensos do mostruário do stand. Em relação ao mercado latino de fato e como são definidas suas escolhas fundamentadas em sustentabilidade, Allan dos Anjos, gerente de exportação da tecelagem, explicou que compradores da Colômbia e Equador já estavam buscando produtos neste perfil desde edições anteriores da Colombiatex.

Entre os artigos mais vendidos, destacou os produtos Pergamo e Belga que levam 2% de fio Lycra® na composição, ambos diferenciados pelas medidas mais convenientes ao encaixe, de 1,62m de largura. Há também o Bruto 100% algodão, que da mesma forma atende ao argumento de otimizar o rendimento do corte, com as dimensões de 1,76m de largura.

A Nicoletti Têxtil apostou forte na sustentabilidade divulgando a presença do algodão certificado BCI e fibras de garrafa pet no seu mix, além do processo de adequação ao regulamento ZDHC (Zero Descartes de Produtos Químicos Perigosos, em tradução livre) através da substituição da anilina por elementos químicos naturais em parte do mix.

“Estamos trabalhando forte com a sustentabilidade, e já conseguimos muitos resultados com a redução no uso de água”, comenta Romualdo Bassora, gerente de produto da tecelagem. Entre as composições mais vendidas, no entanto, ainda foram os artigos com elasticidade maior os mais buscados. Entre eles estão os produtos da linha Extra Life, como o Mônaco, diferenciado pela presença de 3% de elastano Dual Core junto ao algodão.

Já a Santana Textiles ampliou sua atuação nos negócios da moda lançando-se na Colombiatex também como fornecedora de fios. De acordo com Raimundo Delfino, presidente da empresa, o produto vem sendo desenvolvido desde novembro do ano passado e é voltado para o setor de malharia e moletons, tendo sua primeira apresentação formal na feira colombiana.

“Somos verticalizados, produzimos do fio ao tecido acabado então porque não compartilhar nosso expertise com o resto do mercado”, comenta o presidente da Santana Textiles. Quanto ao principal argumento comercial dos tecidos, Raimundo destacou: “Nossa fortaleza sempre foi oferecer um produto justo com qualidade”. Para ele, a feira ainda reflete uma busca por produtos calcados no preço, o que torna o cenário de exportação mais desafiante.

A Santista Têxtil sublinhou os artigos mais pesados com fio T400, com destaque para o Bardot. Atendendo à proposta de enfatizar sustentabilidade da feira, deu visibilidade a presença da composição sustentável intitulada Upcycle Now, cujo algodão é extraído da própria produção da companhia, e cuja etiqueta é convenientemente fornecida aos clientes.

Além disso, a companhia apresentou um portfólio diversificado de produtos ecológicos por meio das linhas Eco Soft, Eco Tuber e Acquasave. Nelas, se destaca o uso integral de amaciantes com origem 100% natural à base do fruto de cupuaçu bem como utilização de resíduos de amido de mandioca e batata para a obtenção da goma utilizada nos processos de lavagem, responsável pela redução de até 75% do uso de água da produção.

Legitimando a popularidade e reputação do nome Vicunha Têxtil no evento, o CEO José Mauricio D’Isep lembrou que empresa está presente na Colombiatex há dez anos e desde então vem colocando em prática uma estratégia de expansão internacional. “A América Latina é nosso principal mercado. Compramos uma planta industrial em Quito, capital do Equador, e outra em San Juan, na Argentina, e criamos distribuidoras no Peru, México e Colômbia”, contou.

O estande movimentado, reapresentou os lançamentos do mercado nacional e dispensou a formalidade de “constar” na lista da “Ruta de Sostenibilidad”, mas ainda assim mantendo-se como um dos nomes mais lembrados pelos compradores movidos por tal exigência. “Nosso apelo mais forte colocado para a feira é a sustentabilidade e nesse tópico estamos nos colocando como influenciadores da cadeia”, afirmou D’Isep.

Ainda no espaço da tecelagem, performances de dança afirmando a qualidade do elastano empregado, e a parceria com o software MYR, focado no desenvolvimento de coleções jeanswear, foi destaque.

Cataguases e Capricórnio Têxtil integram ainda a lista de companhias nacionais que somaram boa reputação ao selo Brasil. E é gratificante perceber a união dos mercados latinos equilibrando progressos individuais e coletivos no cenário da moda global.

Quanto ao conceito de sustentabilidade na América Latina, ainda que ela não tenha movido todas as negociações, o visão de que ela “não é mais diferencial e sim, sobrevivência” é consenso. Palavras mencionadas tanto por novos compradores que foram atraídos ao evento, graças ao formato eco-friendly, quanto pelo próprio diretor Inex Moda, Carlos Eduardo Botero, em declarações oficiais para imprensa presente no evento.

Fonte: Vivian David | Fotos: Equipe Guia JeansWear